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16/07/12

Coisas que eu não vou fazer este Verão

Só para me lembrar, uma lista de alguma das coisas que não vou fazer este Verão:

- escrever cartas ou postais com vistas bonitas para casa a contar as peripécias das férias;
- passear todas as noites numa marginal qualquer para trás e para diante enquanto me delicio com um gelado;
- dançar, especialmente de braços no ar;
- jogar à bola na praia;
- jogar voleibol;
- andar de bicicleta;
- andar de trotineta;
- andar de patins;
- andar de barco;
- correr na praia (este é uma espécie de mito urbano. Eu não corro, nunca. Odeio correr. Mas há quem pense que gosto de o fazer);
- jogar raquetes;
- ler de bruços na praia;
- ler de barriga para cima na praia;
- entrar em mares revoltos;
- acabar de escrever o meu romance;
- começá-lo;
- pôr todos os dias creme hidratante nas pernas e nos braços antes de ir dormir.

Há mais, mas estas são algumas das maravilhas da indolência veraneante misturadas com as restrições passageiras do organismo.

03/01/12

Duas semanas e meia

Mães de todo o mundo - empatizai comigo: o que é a coisinha que mais vos apetece no fim de duas semanas e um dia de férias de Natal das vossas adoráveis crias?
Que as mesmas regressem à escola, certo? Para que retomem o importante ciclo de aprendizagem, que o nascimento do menino e a mudança de calendário interromperam.
Pois. Por aqui, hoje ainda não é o dia. Ai ai.

14/09/11

A senhora do mel

Eu sei como é essa urgência de falar com alguém, especialmente com alguém que vai ouvir-nos sem sentir verdadeiramente aquilo que sentimos. Talvez pena. Um gesto mais carinhoso. Um festa ou um abraço. A senhora do mel abriu-nos a alma assim que abriu a porta da rua. Ao pé das escadas, ainda na rua, as abelhas agitavam-se à volta dos cortiços em mais um dia quente de Verão.
(quero profundamente gostar de abelhas, mas tenho muito medo delas)
A porta aberta e logo um lamento. A doença. Não precisa sequer de dizer qual é. Nós percebemos e os miúdos não precisam de saber. Um litro e meio de mel algarvio, dourado e delicioso para cada uma. Quatro euros e 20 cada frasco. Um litro e meio que estou a repartir por frascos para dar aos meus pais, aos meus irmãos e aos amigos que estão perto. A dor da alma da senhora. A resignação. São tantos os meus amigos com a doença, desabafa. Os miúdos saltam por ali. Dizemos-lhe o comum, que está com óptima cara, que vai melhorar, que há muitos casos assim. Perguntamos-lhe como estão a correr os tratamentos. Se precisa de alguma coisa. Não, obrigada, tenho muitos amigos. Sabiam que, às vezes, o mel tem um sabor meio amargo?

12/09/11

A natureza dos homens

Imediatamente sinto-te irrequieto, muito interessado, a inclinares-te para a frente, perguntador, tu, que geralmente perguntas pouco. Insistente, até. Isto depois de saberes que a senhora de cabelos brancos, ar de avó e idade indefinida, mas seguramente à volta dos 70 anos, vai hoje jantar moreia frita, que ela própria apanha em covas que teima em não dizer onde são.
À noite, para compensar, jantamos também moreia frita, mas não fomos nós que a apanhámos. "Não consigo resistir, é superior a mim, sinto que estou a renegar à minha natureza. Eu sou caçador." E os olhos brilham-te como se fosses um miúdo, como eu gosto de ver. E é mesmo verdade o que dizes.
Eu não sou caçadora. Gosto de pescar, gosto de mariscar, mas arrepio-me só de pensar em encontrar-me com uma moreia no mar - onde são bem mais ofensivas do que estas que aqui estão a secar ao sol numa casa no Algarve, como se fossem roupa lavada, como também já vi fazerem com polvo.

Photo shop




Regressámos hoje ao trabalho, depois da semana de férias que guardámos mesmo para o finzinho do sol. Tivemos uns dias de praia fenomenais no Algarve, com muitos mergulhos e sol.
[As fotos são tiradas com a app Instagram. Amo.]

12/08/11

Paris com crianças

Afinal é fácil ir a Paris com crianças. A cidade deixa-se visitar e tem imensos atractivos para os entreter. Gostaram especialmente de ver a Torre Eiffel (que visitámos de dia e de noite para comparar as diferenças), que quiseram comprar em miniatura para os primos todos - mesmo para o que está na barriga...
Também gostaram muito do Jardim do Luxemburgo, perto do apartamento maravilhoso, que alugámos através do espectacular airbnb.
O delírio foi, obviamente, a Disneyland, onde passámos um dia inteirinho - não sei bem que delirou mais, se os filhos se os pais... Ficámos a sonhar com três dias no hotel à entrada do recinto, para podermos ver tudo. É tão caro...
Aterrámos ontem em Lisboa, depois de seis dias deliciosos em Paris. Viemos com uma comandante amorosa, que deixou os miúdos irem ver o cockpit - nunca vi e, como se imagina, eles adoraram. As férias continuam, tenho de ir. Espero que estejam a ter umas boas férias.

04/07/11

Bezerrinha de férias

A mais pequenita está de férias com os avós e com as primas desde ontem e, citando o pai, "a casa até parece que está vazia". O mais velho, de férias também, mas desportivas, quer fazer as rotinas da mana. É tão bom ter uma família.

21/04/11

Acho que...

... não tinha um dia tão luxuoso há muitos anos. Os miúdos de férias, plano nenhum. Começámos de manhã com vontade de ir jogar à bola e lá íamos nós quando vi o autocarro a aproximar-se:
Querem ir antes passear para Lisboa?
Simmmm.
Então corram.
Com a chuva a ameaçar, levaram-me a passear às Amoreiras, fomos comprar roupas lindas para a miúda e uns calções fixes mais uns ténis para o miúdo. Depois almoçámos, demos mais umas voltinhas e regressámos para casa.
Programinha dos nove/dez anos, sozinha com amigas às voltas nas Amoreiras horas a fio, mas agora as amigas são os meus filhos e estamos todos felizes, é claro que ralho mais com eles do que com as minhas amigas, mas está tudo bem.
Os bilhetes do autocarro de ida e volta para os três custam 18 euros, o preço de um vestido, mas as aventuras têm todas um preço e andar de autocarro para quem anda sempre de carro é uma aventura. Um pequeno prazer.
Passei o resto da tarde até agora a ler um livro lindo que me ofereceu o meu amigo - "Um dia", David Nichols. Enroscada no sofá à janela, estou na ânsia dos livros que gosto de ler, que irritante, numa voragem de curiosidade a ver o que acontece no fim e a não querer chegar ao fim ao mesmo tempo.
E agora vamos para a rua.

15/04/11

As férias

Tenho boas memórias das férias da Páscoa, como tenho de quase tudo o que aconteceu quando era pequena. E sinto-me cada vez mais privilegiada por isso. Por ter tido sempre uma vida tão fácil, tão descomplicada e tão feliz.
Acho que nunca é demais reconhecê-lo. Os meus pais foram geniais a gerir tudo.
Lembro-me de várias viagens que fizemos na Páscoa, a última dos seis a Braga, onde cumprimos todas as tradições da cidade onde os meus pais e irmãos mais velhos viveram muito antes de eu e o mais novo nascermos.
Nesse passeio até houve tempo para cumprirmos uma "tradição" especial, que nos levou a fazer deslizar a 505 verde garrafa destravada e desengatada em sentido contrário à inclinação da estrada, que penso que era no Bom Jesus. Ficámos maravilhados e boquiabertos e quisemos repetir a façanha umas quantas vezes, para grande alegria do meu pai.
Também me lembro de vários Algarves na Páscoa, de fazer amigos na piscina, de dançar na rua, até dos febrões no apartamento que tinha mesas de cabeçeira de tijolo cravadas na parede, febrões que tivemos até a lei marcial paterna impor a proibição de banhos nas piscinas até ao último dia para não haver doenças em férias - e foi mesmo assim, acabaram-se as amigdalites e as otites.
Lembro-me de tantas coisas boas.
Agora sou eu a poder criar essas memórias. E esse poder é magnífico.

23/08/10

Just landed

Chegámos ontem à noite a casa depois de uma viagem directa de carro de mil quilómetros desde Biarritz, no Sul de França. Os miúdos portaram-se maravilhosamente, apesar de terem começado a alucinar quando entrámos em Portugal e, depois, quando passámos a zona de Abrantes.
A subida até Biarritz e ao espectacular parque de campismo Le Pavillon Royal sobre a praia foi uma semana de férias a acampar por uma série de parques do Norte de Espanha, que correu muito bem.
É claro que na primeira noite, na Galiza, em O Grove, custou um pouco a adormecer. O parque de campismo era barulhento e os miúdos estavam histéricos por estarem a acampar. A partir daí acalmaram e entrou-lhes na pele. Perto de O Grove, delirámos com San Vicente do Mar, um aldeia de férias deliciosa, onde comemos marisco barato barato.
O herói que esteve a praticar body surf na praia em Biarritz é que veio um bocadinho amassado, com o braço magoado. De resto, correu tudo às mil maravilhas.

06/08/10

Aventura em alto mar

Agora, que a nossa semana de férias sobre a água está prestes a terminar, percebo que as minhas perspectivas foram muito pessimistas. Imaginei dias difíceis, birras e complicações, mas correu tudo bem. Scrapes & bruises, cada um traz os seus, que isto do mar é sempre mais instável.
Hoje, ao fazermos a nossa última amarração em Portimão, o nosso timoneiro, o nosso grande líder, caiu à água. Ficámos a simpatizar bem mais com a de Lagos, é mais estruturada.
Amanhã regressamos, ainda há tempo para uns mergulhos e depois acho que como os destes dias dificilmente vamos ter mais. O tempo esteve um sonho. Os miúdos portaram-se muito bem. Mesmo considerando o dia do Inferno.

04/08/10

Modo de vida

Por estes dias, dormimos em vê, lavamos os dentes com água do luso, arrumamos as coisas mal as usamos, passamos os serões ao ar livre, repetimos três vezes a chamada em vhf, compro e devoro duas ou três revistas por dia (mais um bolinho de amêndoa, o da forma de joaninha, por favor), e repetimos uns para os outros "isto é que é viver a vida".
Hoje, em especial, tivemos de simular que íamos pôr os putos no comboio para Lisboa, por mau comportamento e implicância militante. Entrámos na estação, onde estava muito fresquinho, e tudo. Depois, ficaram mais meiguinhos e tudo "ó mana" práqui, "ó mano" práli.
Quem disse que pais têm férias é como quem diz que dormiu como um bebé: o mais certo é não ter tido filhos ou já não se lembrar.
Está a ser muito fixe, não se assustem, os miúdos estão a delirar.
Será muito errado dizer-lhes que ás vezes tornam as férias num Inferno? Não deve fazer grande mal. A isso segue-se a pergunta "o que é um inferno?" e o meu ataque de riso inevitável. Passamos os dias dentro de água. Isso compensa.

12/04/10

Se há coisa difícil...

... é regressar ao trabalho. Ter de pegar nas pontas soltas e retomar hábitos diários.
Mas ninguém pode saber.
Os meus filhos não podem saber, quero que sejam positivos sobre tudo na vida - hoje disse-lhes que se se despachassem a arranjar para ir para a escola tinham direito a um pequeno-almoço comemorativo do regresso às aulas. [Comemorar o regresso às aulas???] Não se despacharam, lamuriaram-se pela casa e lamentaram-se um pouco mais. A mais pequena fingiu que estava a dormir, como há dois dias se deixou ficar para trás na esperança de a deixarmos a dormir em casa dos avós onde estava a construir uma cabaninha. Consegui que ficassem contentes na escola por duas razões: 1. a mais pequena passa a ter a companhia da prima adorada na natação; 2. o mais velho levava um CD com fotografias e vídeo das suas proezas nas neves para mostrar aos colegas.
O meu marido e a minha irmã não podem saber. Ontem, como sempre, gozei com eles por estarem a lamentar com ar pesaroso o reinício. "Já é o terceiro período?", dizia um, "raio dos putos, estão cada vez mais malcriados", o outro.
Tenho de fazer um parentesis (Nunca me custou regressar à escola, sempre adorando as férias, mas acho sempre que é bom ir e é bom voltar) Mas retomar o trabalho é diferente. Também não me apetece.

O meu irmão mais novo faz hoje aninhos. 31. xina pá como dizem os putos!!

11/04/10

De volta

Outra vez de volta, desta vez da neve. Das terras altas de Andorra, longe mas longe. Uma semana boa de férias, em família e com amigos. Das pistas branquinhas onde basicamente esperei que os homens da casa voltassem da neve, do ski e do snowboard, a brincar com a miúda mais pequena que ainda não pode ter aulas.
As viagens de ida e volta de carro foram duras, muitos quilómetros de "ainda falta muito?" e de "tenho fome", "tenho xixi", "tenho sede", "estou farto", "já me dói o rabo" e coisas do estilo. Mas, tudo somado, os miúdos portaram-se impecavelmente. Pode mesmo dizer-se que foram amorosos. E ficaram histéricos de cada vez que viam El toro (nós ajudávamos, claro).

Ao fim do terceiro dia já estava completamente claustrofóbica das montanhas, sem perceber como é que é possível viver ali todo o ano, a ver só pedaços do ceú e sempre com o peso esmagador das montanhas em toda a parte. (Assim que chegámos a Lisboa quis ir à praia para lavar a vista de tamanha pequenez).
Por lá, ficou mais um dente do mais velho, que foi contemplado pelo El ratón, o congénere andorrenho/espanhol do rato dos dentes português.
As coisas mais positivas: o passeio, Andorra e Madrid, estar com amigos e conhecer pessoas diferentes, os miúdos terem estado compinchas a maior parte do tempo. Acho que é uma muito boa evolução. Espero que se torne a norma.

03/12/09

Em Roma

Roma que ao contrário é amor é uma cidade bonita para se fazer a pé. Uma cidade boa para conhecer em quatro dias - sem miúdos, para eles é um suplício. Não ficámos a conhecer intensamente, porque isso precisa de mais tempo, mas como nós gostamos, a namorar as ruas, a olhar distraidamente para as casas, para as heras que as enfeitam, para as tampas dos esgotos S.P.Q.R., para as janelas, para as montras, para as pinturas...
Só um museu, o do Vaticano. Vimos o Papa em miniatura que nos abençoou da segunda janela a contar da direita - a nós, aos nossos filhos, sobrinhos, irmãos e cunhados, pais e avós, amigos e restante família. Aproveitei, já que lá tínhamos ido, para estender a benção a todos. Acho que é justo, se todos vão sempre comigo a todo o lado onde vá.

O top da viagem:

- Na sede da Ordem de Malta espreitámos pela fechadura para o Vaticano, do outro lado da cidade. O simbolismo não se perdeu em nós.

- A vista do cimo dos jardins no Monte Palatino - a Via Sacra e toda a loucura de sedimentos visíveis. Construção sobre construção, uma manta de retalhos de épocas e de estilos espectacular.

- O indiano que, de ar absolutamente humilde, me disse: excuse me, what tree is that? Tinha um turbante enrolado à volta da cabeça e das barbas brancas e posso quase jurar que tinha só um lençol à volta do corpo, como o Ghandi. No meio da imponência louca da Via Sacra, da sucessão impressionante de monumentos de Roma, cada um mais magnífico do que o outro, o que o deslumbrava era um pinheiro bravo.

- A comida: espargos com ovos de codorniz e trufas seguidos de bife tártaro no il bacaro, tartufo na Piazza Navona, as massas maravilhosas, as pizzas al taglio, os gelados que comemos sempre que conseguimos, o crepe de nutella (nunca pensei!)...

- A Piazza de Spagna e as suas escadarias espectaculares, o passeio pela orla da Villa Borghese sobre a Piazza del Popolo.

- A Fontana de Trevi, linda, deslumbrante, apanhada ao cair da noite, mágica apesar do enxame de turistas.

- A Fontana del Acqua Paola, não só pela obra, muito bonita, mas pela magnífica vista.

- As ruas. Todas.

- Uma volta de Segway, três horas sem nos cansarmos a desvendar segredos da cidade, com um italiano guia de história da arte só para nós.

- A pompa do dito italiano, habituado a guiar americanos, quando nos mostrou com cara de vitória uma oliveira.

03/09/09

Passeios de bicicleta

Já sei de que é que vou ter mais saudades quando voltarmos a casa para a semana que vem. É dos nossos passeios de bicicleta pelo meio dos pinheiros. Mesmo que, invariavelmente, seja eu a puxar o riquexó - que os miúdos transformaram em rique-choque, assim tipo carrinho-de-choque só que sem moeda.
E do espaço. Vamos todos ter saudades do espaço.