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20/09/10

Festa rija

Cá estou eu outra vez a falar de casamentos... Mas haverá festa de que eu mais gosto? Não sei se é da história das princesas e do "e viveram felizes para sempre", mas estou sempre em grande animação nos dias que antecedem o casamento, a preparar tudo e durante a própria festa.
Este, em especial, duma prima muito romântica que eu sei partilhar esta mística do "viveram felizes para sempre" comigo. Deu para encontrar antigos amigos da Figueira da Foz que já não via há 20 anos (xinamen!!) e para dançar até às 7h, o que, bem vistas as coisas, compensa não ir ao ginásio...
O casamento foi em casa dos meus tios, um sítio que é um verdadeiro palácio encantado, onde passei alguns dos melhores momentos da minha infância. Uma casa linda, cheia de quartos e salas, recantos e segredos, onde as tábuas rangiam enquanto nós tentávamos adormecer, histéricas de histórias de fantasmas e de cafés tomados às escondidas, onde fumámos pela primeira vez uma beata roubada do cinzeiro a um tio qualquer. Um sítio de sonho, em cima do Tejo e que merece uma visita.

Adorei a festa.

23/08/10

Just landed

Chegámos ontem à noite a casa depois de uma viagem directa de carro de mil quilómetros desde Biarritz, no Sul de França. Os miúdos portaram-se maravilhosamente, apesar de terem começado a alucinar quando entrámos em Portugal e, depois, quando passámos a zona de Abrantes.
A subida até Biarritz e ao espectacular parque de campismo Le Pavillon Royal sobre a praia foi uma semana de férias a acampar por uma série de parques do Norte de Espanha, que correu muito bem.
É claro que na primeira noite, na Galiza, em O Grove, custou um pouco a adormecer. O parque de campismo era barulhento e os miúdos estavam histéricos por estarem a acampar. A partir daí acalmaram e entrou-lhes na pele. Perto de O Grove, delirámos com San Vicente do Mar, um aldeia de férias deliciosa, onde comemos marisco barato barato.
O herói que esteve a praticar body surf na praia em Biarritz é que veio um bocadinho amassado, com o braço magoado. De resto, correu tudo às mil maravilhas.

13/08/10

Casa de doidos

Costumas dizer que, seja a que hora for, podemos sempre encontrar alguém acordado cá em casa. Há os que atacam nos filmes da televisão, há os que gostam de ir beber água, os que vão à casa de banho, os que vão ler para a casa de banho, os que vão espreitar à janela do cimo das escadas, enfim... de tudo um pouco.
Eu gosto de dormir. Gosto de não saber de nada disso. Gosto, como me tem acontecido ultimamente, de acordar com a sensação de ter dormido apenas cinco minutos, por ter dormido tão bem. Mas, às vezes, também acordo.
Costumas dizer que, se calhar, somos uma casa de doidos. E enquanto vos vejo a entrar no carro às duas da manhã para ir tratar do pequenino, a discutir como marretas, rio-me porque acima de tudo somos uma família de ciganos. Ou mosqueteiros, como quiseres. E eu adoro isso.

13/06/10

Check in

Acabámos de chegar a casa, depois dum fim-de-semana de party em família. Primeiro no Algarve, a aproveitar o feriado. Ontem foi o casamento da minha priminha mais pequena em Abrantes e hoje ainda por lá almoçámos.
O casamento foi muito fixe, muito cool e laid back. A quinta dos meus tios estava um sonho. Dancei dancei e dancei. Dancei com o rancho folclórico, com irmãos, primos, tios e amigos.
Esperta, que já ninguém me engana nestas coisas, fui de sapatos rasos. Que bom que foi. E enquanto dançava ainda podia imaginar as miúdas que, para usarem sapatos estilosos, tomam brufen para suportar a dor. Que doideira.

P.s. day after - E eu, que habitualmente não faço adendas nem correcções aos meus posts, logo hoje tenho de fazer uma adenda. Para homenagear os dançarinos que estoicamente aguentaram até ao fim e também os que saíram à socapa um pouco antes mas que enviaram sms a explicar o sucedido. Verdadeiramente não era preciso.

24/05/10

Mesmo com o pé torcido

Mesmo com o pé torcido e com pé de gesso dentro das sandálias novas, o fim-de-semana foi especial.
No Sábado, assistimos em Coimbra ao baptizado e primeiro aniversário dum primo pequenito muito bem disposto. Lá fomos todos na sexta-feira, pais, filhos e netos, felizes da vida e ficámos no novo Vila Galé, que tem umas instalações excelentes em cima do Mondego. A vista é um deslumbre e o hotel estava cheio.
O baptizado foi muito giro, na Sé Nova, que está a acabar de ser arranjada, com um padre muito conversador. Depois seguiu-se um almoço e conversa muito agradável com a família. À noite a festa continuou nas docas de Coimbra e acabou tarde.
O Domingo ainda deu para almoço na Mealhada e para um saltinho à praia de Mira, que não conhecíamos. Como ainda tínhamos de trabalhar à noite, não chegámos a Aveiro, para ir ver uns primos, e entrámos em casa ao fim do dia. Lá havemos de ir porque temos curiosidade de conhecer melhor a terra.
Hoje vou outra vez à fisioterapia, mas ainda não me sinto nada melhor. Seca.

10/05/10

101

O meu avô faz hoje 101 anos.
Os americanos usam muito o "101" como título de artigos na net ou título de livros, visando significar uma lista que compreende "os básicos" ou "o que deve mesmo saber sobre..." ou "os truques que simplificam". Um exemplo disso, "101 on philosophy", que quer dizer, mais ou menos, "tudo o que há para saber sobre filosofia".
Mas, para o meu avô, os 101 não são mais fáceis do que os cem. Parece um passarinho e, na maior parte das vezes, não faz sentido.
Que saudades dos passeios pela rua de mão dada a aprender coisas, aos saltinhos pelos bordos da calçada, das leituras do Pedrito Delsart que o avô traduziu para mim e que me punha a chorar dias inteiros, dos almoços na Sociedade Geographica, dos concertos e ballets, dos lanches a balouçar as pernas no banco da cozinha porque não chegava ao chão e das conversas sobre todos os assuntos do mundo - todos mesmo, com o meu avô filósofo. Que saudades.
Parabéns avô.

04/05/10

Ou talvez não

No cemitério em Abrantes fui visitar o jazigo ou as campas de alguns familiares, os meus avós maternos, tios avós, bisavós, tios bisavós. Há muitos anos que não ía lá, ao cemitério situado no alto de uma colina, com uma vista excepcional sobre o Tejo e sobre a lezíria.
Percebi ontem um bocado espantada que, sem o saber, desenhei para a lápide do meu irmão uma lápide igual ou, pelo menos, muito parecida com a do meu avô, que tinha morrido 20 anos antes.
Quando vou a cemitérios gosto de ver a luz, as inscrições nas pedras, a vista, as árvores...
Não pensem que sou mórbida por falar nestas coisas. A coisa física não me diz nada. O corpo não serve para nada. E sei que a melhor maneira de preservarmos aqueles de quem gostamos vivos é falando sobre eles. Sem complexos. Sem preconceitos.

03/05/10

Assim é difícil

Em Abrantes, assisti hoje a uma bonita homenagem de netos, filhas e mulher a um homem de família que morreu acompanhado de todos. Fez-me muita pena ver a sua tristeza. Gostei de poder acompanhá-los um bocadinho neste momento.

25/04/10

Pilhas 14h20

Sem parar, os putos brincaram das 7h25 às 21h45. O Sol esteve do nosso lado e entre a esplanada, a praia, que estava deliciosa, e o jardim brincaram e brincaram e brincaram. Bem nos rimos a ver os oito coelhinhos duracell a correr à volta da casa, a pé, de bicicleta, de trotineta, de triciclo, de patins, de carro maravilha...
Nós aproveitámos o Sol. E também andámos de patins, de bicicleta e de trotineta.
Às 21h45, segundos depois de entrarem no carro de regresso a casa, adormeceram que nem pedras, não acordando sequer na trasfega para a cama.
Cansaço dos bons.

11/04/10

De volta

Outra vez de volta, desta vez da neve. Das terras altas de Andorra, longe mas longe. Uma semana boa de férias, em família e com amigos. Das pistas branquinhas onde basicamente esperei que os homens da casa voltassem da neve, do ski e do snowboard, a brincar com a miúda mais pequena que ainda não pode ter aulas.
As viagens de ida e volta de carro foram duras, muitos quilómetros de "ainda falta muito?" e de "tenho fome", "tenho xixi", "tenho sede", "estou farto", "já me dói o rabo" e coisas do estilo. Mas, tudo somado, os miúdos portaram-se impecavelmente. Pode mesmo dizer-se que foram amorosos. E ficaram histéricos de cada vez que viam El toro (nós ajudávamos, claro).

Ao fim do terceiro dia já estava completamente claustrofóbica das montanhas, sem perceber como é que é possível viver ali todo o ano, a ver só pedaços do ceú e sempre com o peso esmagador das montanhas em toda a parte. (Assim que chegámos a Lisboa quis ir à praia para lavar a vista de tamanha pequenez).
Por lá, ficou mais um dente do mais velho, que foi contemplado pelo El ratón, o congénere andorrenho/espanhol do rato dos dentes português.
As coisas mais positivas: o passeio, Andorra e Madrid, estar com amigos e conhecer pessoas diferentes, os miúdos terem estado compinchas a maior parte do tempo. Acho que é uma muito boa evolução. Espero que se torne a norma.

03/03/10

Bocados do dia

Hoje andei a correr pela rua fora atrás dos bocadinhos de sol todos que consegui, no repouso da chuva. Fico tão contente quando vejo o sol. Que coisa mais tonta. Corro para ir ter com os meus filhos, porque estou cheia de saudades deles, porque quero ir fazer pinturas e recortes e o jantar [mesmo que quatro horas mais tarde esteja cheia de vontade que adormeçam depressa para ter uns momentinhos de paz. Isto da maternidade é meio esquizofrénico.]
Enquanto falo ao telefone, em trabalho, a mais pequena sobe para as costas da minha cadeira e agora percebo (uma hora depois) que tenho seis ganchos e uma mola postos no cabelo. Pirosos, claro. E também tive direito a creme hidratante espalhado pela cara, essencialmente pelos olhos. Acho que ela acha que o creme se deve pôr nos olhos, acho que deve ser por eu estar sempre a pôr-lhe coisas nos olhos.
O mais velhinho está meio cansado, a acusar a falta do tal sol, branquinho e com pouca energia.
Agora estão a dormir, quer dizer, estão deitados. E a minha filha, que faz xixi antes de se deitar e que nisto dos genes sai à tia, acaba de ter de ir outra vez fazer xixi, "porque não fiz todo mamã". A genética é fantástica.

04/02/10

Iupi

Quem é que tem o dobro do trabalho (físico e, acima de tudo, emocional) quando os papás ficam a trabalhar até mais tarde dois meses seguidos? É claro, as mamãs. Que bom...

25/12/09

Noite feliz

Acho que a nossa consoada correu mesmo bem. É claro que tivemos um bocadinho de comida a mais, serve para amanhã. Estavam todos muito bem dispostos e contentes. Os miúdos estavam hype, como é natural, tivemos prendas equilibradas e justas para todos. Abrimos as prendas uma horinha antes da hora e adorei tudo o que recebi.
"mãe sabes? Não gostei das minhas prendas... ADOREI!!!" diz o mais velho. A mais pequena faz uma exposição no sofá grande e leva toda a gente a ver "queres ver o que é que eu ganhei?" com um ar muito contente. Ainda bem que gostaram.
Eu tive muitas prendas directinhas das minhas listas aqui expostas, o que é para agradecer do fundo do coração - pantufas, mala castanha, mala para a máquina fotográfica, livro dos bolos, sei lá, foram só coisas de que eu preciso mesmo e mimos.
E depois ainda tive a melhor prenda do mundo. Uma surpresa enorme, de dois dias a fazer uma coisa que adoro. Adoro-te amigo.

11/11/08

Do outro lado do mundo

Uma história tristíssima do outro lado do mundo - uma mãe que procura ensinar ao seu filho o pai, que morreu dois meses antes dele nascer. 

"Rir não é alegria nem tristeza. Gargalhada não é sorriso. É um respiro no meio de tudo, um respiro muito bem pensado. Talvez para tomar fôlego e continuar o caminho. Comigo acontece sempre: estou sentada à mesa e bato o joelho sem querer no tampo ou num dos pés do móvel. A dor é tamanha que começo a gargalhar. E a dor chega a não parecer dor". 

Lembro-me do meu irmão mais pequenino a rir-se muito na cadeira do dentista. E o médico, muito espantado, "mas não te está a doer?". E eu e os meus irmãos mais velhos enroscados nas cadeiras cá fora, como se a dor que ele sentia e que estava a tentar disfarçar com o riso estivesse em nós também. As ligações humanas são fantásticas. Como podemos ignorar o sofrimento dos que são iguais a nós?

11/08/08

Raizes

Sempre adorei aquelas árvores enormes que se espalham pelos campos, com uma copa muito larga que serve para proteger toda a gente do Sol de Verão. Há pessoas que são assim (como a minha mãe). Eu não sou, mas gostava de ser. Para já, sinto umas raizes compridíssimas que me ligam aos meus filhos, à minha família, à minha casinha... Mas ainda preciso de crescer muito. Trabalhar, ter filhos, pagar a conta da luz, da água e do telefone não são suficientes.

Acho que nunca vai acontecer olhar para o espelho e ver uma senhora crescida. Vejo sempre a mesma miúda. Sempre a mesma. Passar de filha para mãe é um salto enorme, mesmo querendo-o de todo o coração não se está preparado.

Agora que estou prestes a partir, deixando-os com os meus pais e irmãos, encho-me de dúvidas, de pequenas ansiedades. Ficam entregues ao melhor colo em que podiam ficar, mas não é fácil.

Da primeira vez que fui, quando o meu filho já tinha um ano e tinha deixado de mamar, voltei um dia antes de um fim-de-semana em Madrid. Nas ruas da cidade que adoro só vi carrinhos de bebés, bebés e crianças. Não consegui ver mais nada.

Depois, já tinha ele três anos, cinco dias em Londres e, aos três anos e meio, grávida da mais pequena, seis dias em Estocolmo. Desta vez já não me custou. Ele já era independente, já fui sem o coração nas mãos. Pude gozar as duas cidades calmamente - nunca perdendo, obviamente, a mania de contar cabeças e de me sobressaltar de cada vez que o fazia. Geralmente tenho de contar cinco cabeças, os meus filhos e os meus sobrinhos. Temos a mania de andar em bando. É uma das coisas que me deixa mais feliz.

Admiro com uma ponta de inveja os pais que são capazes de deixar os filhos pequenos e ter o passaporte cheio de carimbos de locais exóticos. Acho que voos de ligação ou 26 horas num avião não combinam comigo e com a minha maneira de viver. Sei que há bungalows lindíssimos em Bora Bora, sei que as paisagens e a tranquilidade são irrepetíveis. Sei isso tudo. Mas nem pensar em deixá-los. O máximo que admito é uma viagem de três ou quatro horas de avião. Não suporto a ideia de não poder chegar ao pé deles rapidamente.

Adoro ir e adoro poder de vez em quando ir sem eles, recuperar rotinas, ir sair, deitar tarde, não ter de andar com o protector solar atrás, comer sem horas, lanchar só porcarias, beber.

Adoro voltar.