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27/07/10

A boa vida


Estou a ler "A boa vida", de Jay McInerney, que me traz recordações de Nova York antes de Setembro de 2001. Estou a gostar do livro. Só não compreendo é a porcaria da tradução. "Haveriam" é uma das pérolas que se repete ao longo das páginas.

11/04/10

De volta

Outra vez de volta, desta vez da neve. Das terras altas de Andorra, longe mas longe. Uma semana boa de férias, em família e com amigos. Das pistas branquinhas onde basicamente esperei que os homens da casa voltassem da neve, do ski e do snowboard, a brincar com a miúda mais pequena que ainda não pode ter aulas.
As viagens de ida e volta de carro foram duras, muitos quilómetros de "ainda falta muito?" e de "tenho fome", "tenho xixi", "tenho sede", "estou farto", "já me dói o rabo" e coisas do estilo. Mas, tudo somado, os miúdos portaram-se impecavelmente. Pode mesmo dizer-se que foram amorosos. E ficaram histéricos de cada vez que viam El toro (nós ajudávamos, claro).

Ao fim do terceiro dia já estava completamente claustrofóbica das montanhas, sem perceber como é que é possível viver ali todo o ano, a ver só pedaços do ceú e sempre com o peso esmagador das montanhas em toda a parte. (Assim que chegámos a Lisboa quis ir à praia para lavar a vista de tamanha pequenez).
Por lá, ficou mais um dente do mais velho, que foi contemplado pelo El ratón, o congénere andorrenho/espanhol do rato dos dentes português.
As coisas mais positivas: o passeio, Andorra e Madrid, estar com amigos e conhecer pessoas diferentes, os miúdos terem estado compinchas a maior parte do tempo. Acho que é uma muito boa evolução. Espero que se torne a norma.

22/03/10

20/03/2010

Não há uma única loja que não venda t-shirts às riscas azuis e brancas e sabrinas. Os óculos maxi também são um must. Adoro t-shirts às riscas azuis e brancas, mas sei que não as posso usar. Pena.

Tarde
Hoje pediram-me indicações duas vezes na rua e quase todos os franceses com que falo elogiam o meu francês. Estou hiper orgulhosa, mas sinto-o totalmente incompleto. Até 5ª feira passada não falava francês há, pelo menos, 12 anos.
A aula hoje foi divinal. O professor foi excepcional, uma verdadeira enciclopédia gastronómica, simpatiquíssimo e muito encorajador. Foi o chefe do Eliseu sob o Miterrand e, penso ter percebido, também sob o Jacques Chirac. Ambos gostavam muito da mesa à francesa. Mas o Sarkozy "está sempre com pressa", lamentou.
Senti-me no céu, não só pela aula, de excelente qualidade, como também pela comida, verdadeiramente surpreendente: rosbife e tamboril. Amanhã levo o rosbife comigo no avião (tive de comprar outra mala).
Ao telefone:
Estou cheia de saudades, digo eu.
"Então porque não vens para casa?"
Já falta pouco, meu amor.
Passado um pouco liga-me o mais velho:
"Era só para dar um beijinho" (muito baixinho, com um ar triste)
Obrigada, querido, amanhã cedinho já aí estou para celebrarmos os meus anos. E levo muitas prendas. Tive de comprar outra mala ;)
Fora isso, era capaz de viver aqui três meses, se fosse preciso.

19/03/2010

Passei a noite a acordar com medo de perder as aulas. A partir das cinco. Abri os olhos em pânico. Ao mesmo tempo, dei um pontapé involuntário e tudo o que tinha ficado sobre a cama e que me permitiria saber as horas voou para o chão - telemóvel e comando de televisão.
Tentei abrir o cortinado sem me mexer muito. Noite cerrada. Posso fechar os olhos...
... Será que, em Paris, o Sol só nasce às 10h?
Tive mesmo de me levantar e apanhar o telemóvel. 5h. O que vale foi que adormeci rapidamente. E voltei a assustar-me com o despertador.

Update intolerância: Em Paris é impossível resistir às montras lindas dos cafés. E estão todas carregadinhas com farinha, ovos e leite. Devem ser os ingredientes nacionais. Qual liberté, egalité, fraternité.

Depois das aulas
Depois das aulas, que foram muito divertidas, e onde aprendi umas receitas Oh la la, andei a passear a pé, que é a melhor maneira de conhecer as cidades. Era bem capaz de me perder aqui por mais uns dias. Mas estou cheia de saudades dos miúdos. Já estou em modo de só ver crianças. E aqui há poucas.
Agora estou sentada no meu quarto, chove. Por isso, em vez de ir jantar num parque ou na rua, como se vê muito por aqui, janto na cama. O meu robalo está uma delícia - foi o produto da aula de hoje.
Aqui, os talhos também são lindos, com montras muito cuidadas e apresentando belas iguarias como se fossem jóias. De uma maneira que não tenho visto muito. O mesmo para as frutarias. A comida é muito importante, mais neste 15eme onde estou do que nas zonas chiques por onde andei ontem.
Pena que a minha família não esteja aqui. Mas só me despachei da escola às 16h30.
Livrarias - será preciso dizer mais? E gente na rua, a toda a hora.

Antes de dormir
Os homens curiosamente também andam todos bem arranjados. O típico são os sobretudos justos com golas levantadas, as calças estreitas e os sapatos bicudos. São giros. O barulho que fazem na rua é de sapatos de mulher mas o registo é o andar de homem. Isto é, batem no chão como homens mas o som dos saltos é de mulher.
Chove. Desisto de ir ver a Torre Eiffel iluminada. Amanhã tenho de acordar cedo outra vez. Aproveito para ver umas revistas que fui comprando.

18/03/2010

Estou em Paris, onde vim gozar a minha prenda de Natal - um curso de cozinha no Le Cordon Bleu - e não tenho maneira de escrever no computador. Assim, estou a aproveitar uns minutos antes de adormecer para tirar notas.
- Adoro andar a correr ruas sem objectivo;
- Adoro ninguém saber que eu não sou de cá porque estou sozinha e portanto não sou denunciada pela língua (só pelo mapa grátis na mão);
- Estive em Paris em 1989, ano da comemoração do segundo centenário da Revolução Francesa. E lembro-me de muito mais do que pensava;
- As francesas continuam na sua generalidade muito elegantes. O look é geralmente conseguido com layers e parece effortless. Elas são donas dos All Stars;
- Penso que dificilmente vão conseguir manter-se elegantes por muito mais tempo - passam o dia a comer junk food, especialmente as mais novas;
- Têm muito dinheiro. E gastam-no;
- Não posso acreditar no conforto do meu edredon e da minha cama;
- O meu hotel é mesmo por cima do Metro, o que é genial, facilita imenso a vida;
- Os franceses andam essencialmente sozinhos na rua. Quase não se vêem crianças e os adolescentes fumam. Todos;
- Em Paris toda a gente fuma. E muito;
- O meu hotel também é ao lado da escola. O senhor da recepção riu-se quando lhe pedi para me confirmar a direcção. Deve ter achado piada a eu querer saber onde é o Le Cordon Bleu;
- Como ando sozinha, estou muito mais orientada do que quando venho acompanhada, altura em que geralmente me deixo andar. Só me perdi uma vez, subi e desci uma rua e depois tive de voltar a subir a rua paralela;
- Almoçei sopa de tomate, salada de quinoa com ervilhas, feijões de soja, cenoura e ervas. Quando levantei os olhos no fim da refeição que tomei num banco da rua a Torre Eiffel estava mesmo a olhar para mim. Enorme;
- Adoro a Gap, a Esprit, a Naf Naf e todas as lojas que têm vestidos baratos;
- Já comprei a minha prenda de anos que os meus pais me darão (foi uma ideia muito simpática): uma camisa, uma mala, um cinto e uns sapatos. Ainda deu para comprar uns macaroons deliciosos na Ladurée onde tive de esperar meia hora para ser atendida. Que sonho de loja;
- Aqui há macaroons em toda a parte e são atrozmente caros. Pedi, sem olhar para o preço, um dos grandes e paguei 3,65 euros. Os pequenos (que são mesmo pequenos) custam 1,50 euros - 30o paus!! Choque. O macaroon também era rosa choque;
- Não há crianças aqui, onde estão?
- Amanhã, as aulas começam às 8h. Vou dormir um pouco enquanto a loucura das operações plásticas toma conta da China na televisão;
- Paris tem obviamente milhares de chineses, magrebinos, indianos, cambodjanos, e outros.

10/03/10

Será que vem aí a Primavera?

A nossa tartaruga totô já acordou do Inverno.

Os jornais começam a falar em alergias, que este ano, segundo os especialistas citado pelo Público, vão ser explosivas. Não os especialistas, as alergias... Diz que como choveu muito a natureza está um pouco fértil de mais ou um pouco histérica mesmo e, portanto, assim que o Sol começar a apertar vai explodir o pólen por toda a parte. Não posso esperar pelo momento em que a minha dieta de intolerâncias vá activar-se e evitar que eu tenha alergias pela primeira vez em 13 ou 14 anos.

... continuo de rastos. Não posso comer glúten, mas as torradas são presentemente a única coisa que me acalma o estômago tipo estabilizador dum catamarã. Pode ser que até às alergias chegarem volte a deixar de comer pão. Amanhã ou isso já devo estar fina.

Próxima semana: Paris. Oh lá lá! Je suis très heureux. C'est magnifique!!! Mais oui!!!

03/12/09

Em Roma

Roma que ao contrário é amor é uma cidade bonita para se fazer a pé. Uma cidade boa para conhecer em quatro dias - sem miúdos, para eles é um suplício. Não ficámos a conhecer intensamente, porque isso precisa de mais tempo, mas como nós gostamos, a namorar as ruas, a olhar distraidamente para as casas, para as heras que as enfeitam, para as tampas dos esgotos S.P.Q.R., para as janelas, para as montras, para as pinturas...
Só um museu, o do Vaticano. Vimos o Papa em miniatura que nos abençoou da segunda janela a contar da direita - a nós, aos nossos filhos, sobrinhos, irmãos e cunhados, pais e avós, amigos e restante família. Aproveitei, já que lá tínhamos ido, para estender a benção a todos. Acho que é justo, se todos vão sempre comigo a todo o lado onde vá.

O top da viagem:

- Na sede da Ordem de Malta espreitámos pela fechadura para o Vaticano, do outro lado da cidade. O simbolismo não se perdeu em nós.

- A vista do cimo dos jardins no Monte Palatino - a Via Sacra e toda a loucura de sedimentos visíveis. Construção sobre construção, uma manta de retalhos de épocas e de estilos espectacular.

- O indiano que, de ar absolutamente humilde, me disse: excuse me, what tree is that? Tinha um turbante enrolado à volta da cabeça e das barbas brancas e posso quase jurar que tinha só um lençol à volta do corpo, como o Ghandi. No meio da imponência louca da Via Sacra, da sucessão impressionante de monumentos de Roma, cada um mais magnífico do que o outro, o que o deslumbrava era um pinheiro bravo.

- A comida: espargos com ovos de codorniz e trufas seguidos de bife tártaro no il bacaro, tartufo na Piazza Navona, as massas maravilhosas, as pizzas al taglio, os gelados que comemos sempre que conseguimos, o crepe de nutella (nunca pensei!)...

- A Piazza de Spagna e as suas escadarias espectaculares, o passeio pela orla da Villa Borghese sobre a Piazza del Popolo.

- A Fontana de Trevi, linda, deslumbrante, apanhada ao cair da noite, mágica apesar do enxame de turistas.

- A Fontana del Acqua Paola, não só pela obra, muito bonita, mas pela magnífica vista.

- As ruas. Todas.

- Uma volta de Segway, três horas sem nos cansarmos a desvendar segredos da cidade, com um italiano guia de história da arte só para nós.

- A pompa do dito italiano, habituado a guiar americanos, quando nos mostrou com cara de vitória uma oliveira.

21/11/09

O google translator diz que...

La prossima settimana vado a Roma. É o google que diz que é assim que se escreve. Como eu gostava de saber falar italiano agora. Mas não sei. Mas vou a Roma. E quem tem boca vai a Roma.

09/02/09

Viagens repetitivas

Não gosto de viagens repetitivas. Perco a atenção aos detalhes, perco a pachorra para o que passa, passo a procurar o que está diferente. Vejo através de uma montra um senhor com uma marreca enorme, que afinal só estava a coçar as costas. Conseguiu roubar-me um sorriso, este senhor que trabalha com certeza na cozinha de um restaurante onde jantámos uma vez só com um amigo que temos pena de não encontrar muito mais vezes.

Vejo duas raparigas com um ar muito saudável e arranjadinho. Passo por lojas e por supermercados. Passo por estradas com pouca luz, por candeeiros enormes (que às vezes se apagam quando eu passo) e por passadeiras com avós de mãos dadas com miúdos ensonados que só agora regressam a casa, ou se calhar ainda só a casa dos avós, de mãos dadas aos irmãos, poucos, que agora as famílias são pequenas.

Curiosamente, encontro amigos que têm muitos filhos, pelo menos três, que é onde se desenha a linha das maiores complexidades de ter muitos filhos. A partir dos três tudo muda. A casa tem de ficar maior, o carro tem de ficar muito maior, passa a haver muito mais espaço na carteira, muito menos nas prateleiras e nos armários...

Deixa-me concentrar que senão ainda bato em algum lado...