Diz-me um professor de quem gosto muito que 2008 era suposto ter sido um ano ruim. Ele teve a verificação, vários familiares adoeceram e o ano está, diz ele, mesmo a ser foleiro. Também não posso dizer que esteja a ser fantástico para mim...
... aliás, acho que, assim de repente, nem me lembro de muitas coisas... Ó tempo volta p'ra trás... Socorro, não me lembro do que é que me aconteceu este ano... Lembro-me deste último quartel, da crise e da crise (bem diz a Annie Hall que já está farta de crise). Lembro-me dos bebés que nasceram, do meu sobrinho pequenino lindo lindo. Da festa da minha mãe. De estar a tirar um curso muito fixe. Lembro-me das férias deliciosas, lembro-me dos miúdos a crescer, não propriamente dos dias em que cresceram, mas antes do tempo a passar por eles.
A mais pequena, especialmente, cresce tão depressa que antes dos dois anos usa os sapatos que o irmão usava aos quatro, só quer brincar aos "paixeàsmães" e tem um bebé que dorme sempre com ela, provavelmente para a compensar de nunca ter querido dormir na nossa cama (abençoada). Cresce mais devagar miúda, que assim a mamã não acompanha.
Então, em 2009 quero:
- o fim da crise económica que preocupa muito o pessoal empreendedor lá de casa;
- os miúdos a crescer muito bem, seguros de si, auto-confiantes, felizes e contentes;
- o meu irmão mais novo a abrir um novo capítulo na vida dele;
- muitos passeios para os meus pais;
- poder para as miúdas;
- coisas boas (pode ser só assim, genérico?);
- a Esso Gás deixar de implicar comigo e cortar-me a água quente de três em três meses;
- os SMAS deixarem de embirrar comigo e deixarem de me cortar a própria da água de quatro em quatro (nós só somos esquecidos, não pretendemos ficar com os vossos serviços à borla);
- roupa gira e o roupeiro arrumado (este é um bocado egoísta, mas se arrumar o roupeiro posso dar a roupa a quem dela precisa);
- contas de telefone mais baixas;
- mais tempo;
- saúde e beleza para todos;
- também gostava de uma casinha sem ser num andar tão alto (acho que impossível até que o primeiro ponto esteja resolvido);
- almoços, lanches e jantares com os meus amigos. Adoro almoços, lanches e jantares com os amigos;
- muito trabalho.
Por hoje é tudo. Como ainda faltam uns dias até ao princípio do ano ainda posso ir aperfeiçoando os meus desejos e depois é tudo uma questão de fé e boa-vontade.
12/12/08
Home
Por vezes acontece-me pensar numa palavra qualquer e lembrar-me doutra noutra língua, que queira dizer o mesmo ou que só soe ao mesmo. Home em inglês quer dizer casa, em português não quer dizer nada. Mas é o princípio e o meio da palavra homem. Costuma dizer-se por cá que quem faz a casa são as mulheres, mas se baralharmos o inglês com o português parece que é o homem. Mas os homens são mais caguinchas, não é?
Quem me dera ter um cérebro poliglota, só tenho uma parte, já não é mau. Mas adorava falar muitas línguas, tipo Indiana Jones na juventude, uma das séries mais impecáveis da década de 90 (?). Fartei-me de aprender coisas, sempre pondo em causa a possibilidade dessa vida fantástica que não existiu - não sei se já tinha passado a barreira em que os miúdos deixam de acreditar em tudo o que vêem na televisão, acho que é aos 12 anos, mas deixava-me enrolar pela ficção.
Mais tarde, já a trabalhar no jornal tive uma colega que era muito engraçada. Tinha a minha idade e contava histórias muito bem. Eu ouvia-a e pensava "que vida tão comezinha que eu levo, tenho de fazer mais coisas" (que mania esta de me estar sempre a avaliar...). Coisas fascinantes, cursos aqui e cursos ali, pós-graduações, estágios e mais não sei quê. E eu só tinha acabado de sair da faculdade sem saber nada da vida e, por vezes, ouvia-a. E cansada como andava sem dormir em excitação com notícias e manchetes e a trabalhar até depois dos peixinhos irem dormir, não me dava sequer ao trabalho de pôr em causa o que me contava, fazia conversa e achava-lhe piada - um pouco louca, mas com piada. Mais tarde, o seu editor contou-me que quase tudo o que fazia era inventado. Inventou inclusivamente artigos e reportagens sobre a guerra no Kosovo. Eu só pensava, "bem que me pareceu um pouco estranho", e fiquei mais aliviada.
Quem me dera ter um cérebro poliglota, só tenho uma parte, já não é mau. Mas adorava falar muitas línguas, tipo Indiana Jones na juventude, uma das séries mais impecáveis da década de 90 (?). Fartei-me de aprender coisas, sempre pondo em causa a possibilidade dessa vida fantástica que não existiu - não sei se já tinha passado a barreira em que os miúdos deixam de acreditar em tudo o que vêem na televisão, acho que é aos 12 anos, mas deixava-me enrolar pela ficção.
Mais tarde, já a trabalhar no jornal tive uma colega que era muito engraçada. Tinha a minha idade e contava histórias muito bem. Eu ouvia-a e pensava "que vida tão comezinha que eu levo, tenho de fazer mais coisas" (que mania esta de me estar sempre a avaliar...). Coisas fascinantes, cursos aqui e cursos ali, pós-graduações, estágios e mais não sei quê. E eu só tinha acabado de sair da faculdade sem saber nada da vida e, por vezes, ouvia-a. E cansada como andava sem dormir em excitação com notícias e manchetes e a trabalhar até depois dos peixinhos irem dormir, não me dava sequer ao trabalho de pôr em causa o que me contava, fazia conversa e achava-lhe piada - um pouco louca, mas com piada. Mais tarde, o seu editor contou-me que quase tudo o que fazia era inventado. Inventou inclusivamente artigos e reportagens sobre a guerra no Kosovo. Eu só pensava, "bem que me pareceu um pouco estranho", e fiquei mais aliviada.
09/12/08
Masters of zen
Mais um fim-de-semana muito fixe, que sorte quando os feriados saiem assim à segunda-feira, à sexta também é bom, mas a segunda é mesmo o dia ideal para andar a laurear a pevide.
Recapitulando: massagens o fim-de-semana todo, vichy e sem ser vichy, nas Termas da Curia, que são um oásis de tranquilidade. Os miúdos adoraram o bosque encantado, perdemo-nos e tudo (a fingir, mas ainda houve uns que acharam que era a sério), imensos amigos pequeninos a correrem pelos corredores e os crescidos a relaxar, o parque infantil novo, ir lanchar ao Palace Hotel ali ao lado, ir almoçar ao Palace Hotel do Bussaco (assim com dois ss, à antiga), ouvir as histórias dos reis e princesas que por lá passaram e que "estão quase a chegar"...
Ver o mundo pelos vossos olhos. É isso que é bom.
Pena a amigdalite e serem só três dias. Havemos de ir a termas a sério, 15 dias, estacionar o carro ou, melhor ainda, ir de comboio, e não sair daquele bosque encantado durante todo o tempo, como faziam os nossos bisavós.
Recapitulando: massagens o fim-de-semana todo, vichy e sem ser vichy, nas Termas da Curia, que são um oásis de tranquilidade. Os miúdos adoraram o bosque encantado, perdemo-nos e tudo (a fingir, mas ainda houve uns que acharam que era a sério), imensos amigos pequeninos a correrem pelos corredores e os crescidos a relaxar, o parque infantil novo, ir lanchar ao Palace Hotel ali ao lado, ir almoçar ao Palace Hotel do Bussaco (assim com dois ss, à antiga), ouvir as histórias dos reis e princesas que por lá passaram e que "estão quase a chegar"...
Ver o mundo pelos vossos olhos. É isso que é bom.
Pena a amigdalite e serem só três dias. Havemos de ir a termas a sério, 15 dias, estacionar o carro ou, melhor ainda, ir de comboio, e não sair daquele bosque encantado durante todo o tempo, como faziam os nossos bisavós.
05/12/08
Caller ID
Fartei-me de rir ontem ao ler num site qualquer qualquer coisa que começava com isto (depois incluí mais uma série de coisas):
As coisas que perdemos com o caller ID:
- a curiosidade de saber quem está a telefonar quando o telefone toca;
- a satisfação de ouvir uma voz que não estávamos à espera de ouvir;
- a possibilidade de fazermos uma surpresa a alguém;
- a impossibilidade de evitarmos atender pessoas chatas;
- a impossibilidade de pregar partidas ("É de casa do Sr. Leitão? Sim... É para dizer que foi promovido a porco" e coisas do estilo, inofensivas e muito divertidas - os miúdos têm de passar o tempo, não é verdade?)
- ...
As coisas que perdemos com o caller ID:
- a curiosidade de saber quem está a telefonar quando o telefone toca;
- a satisfação de ouvir uma voz que não estávamos à espera de ouvir;
- a possibilidade de fazermos uma surpresa a alguém;
- a impossibilidade de evitarmos atender pessoas chatas;
- a impossibilidade de pregar partidas ("É de casa do Sr. Leitão? Sim... É para dizer que foi promovido a porco" e coisas do estilo, inofensivas e muito divertidas - os miúdos têm de passar o tempo, não é verdade?)
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Viva a chuva
Sei que é a primeira vez que digo isto em "voz alta". Sei que nunca falei com ninguém sobre isto. Para quê? É uma palermice:
ADORO A CHUVA!!!
Adoro a chuva e casacos impermeáveis, adoro a lama e as poças gigantes com água para saltar. E, por isso, adoro galochas e calças por dentro delas. Adoro ver os meus filhos de galochas a saltar por cima de tudo, quais tanques invencíveis.
Lembro-me de ter um dia, quando era mais pequena, faltado a uma aula para saltar numa poça. Quando dei por mim já tinha dado o segundo toque e ainda por cima estava ensopada. Voltei para casa. Adoro a chuva!
ADORO A CHUVA!!!
Adoro a chuva e casacos impermeáveis, adoro a lama e as poças gigantes com água para saltar. E, por isso, adoro galochas e calças por dentro delas. Adoro ver os meus filhos de galochas a saltar por cima de tudo, quais tanques invencíveis.
Lembro-me de ter um dia, quando era mais pequena, faltado a uma aula para saltar numa poça. Quando dei por mim já tinha dado o segundo toque e ainda por cima estava ensopada. Voltei para casa. Adoro a chuva!
04/12/08
Anos 80
Sempre adorei música mas nunca soube nada sobre música. Deve ter qualquer coisa a ver com o facto de o disco mais recente que havia em casa dos meus pais ter sido durante muito tempo dos anos 60. The Beatles e Janis Joplin fazem, e ainda bem, parte da música que eu conheço, mas depois disso nunca fui muito definida.
Até posso ter bom ouvido e apanhar facilmente as letras das músicas mas nunca consigo decorar os nomes dos cantores ou das bandas. E, por isso, passo muito tempo sem ouvir músicas de que gosto, simplesmente porque não sei como procurá-las.
No entanto, agora ando com sorte. Com os anos 80 em full fashion, posso ouvir de novo músicas de que sempre gostei e que deixei de ouvir porque não sabia os seus nomes e porque deixaram de estar na moda. Li algures que quando se dá uma festa, devemos seleccionar músicas dos anos em que a maior parte dos convidados andava na faculdade - e funciona mesmo.
Mas ontem, enquanto ía no carro para a escola, tocou uma música genial dos anos 80, que foi a escola primária e a preparatória. Na primária, a professora pedia a um aluno que tinha uma costela inglesa para nos entreter, cantando as músicas em inglês da moda. Às vezes era o hino nacional (!!), que cantávamos todos. Tenho saudades da professora e ontem também fiquei com saudades desse colega.
Até posso ter bom ouvido e apanhar facilmente as letras das músicas mas nunca consigo decorar os nomes dos cantores ou das bandas. E, por isso, passo muito tempo sem ouvir músicas de que gosto, simplesmente porque não sei como procurá-las.
No entanto, agora ando com sorte. Com os anos 80 em full fashion, posso ouvir de novo músicas de que sempre gostei e que deixei de ouvir porque não sabia os seus nomes e porque deixaram de estar na moda. Li algures que quando se dá uma festa, devemos seleccionar músicas dos anos em que a maior parte dos convidados andava na faculdade - e funciona mesmo.
Mas ontem, enquanto ía no carro para a escola, tocou uma música genial dos anos 80, que foi a escola primária e a preparatória. Na primária, a professora pedia a um aluno que tinha uma costela inglesa para nos entreter, cantando as músicas em inglês da moda. Às vezes era o hino nacional (!!), que cantávamos todos. Tenho saudades da professora e ontem também fiquei com saudades desse colega.
03/12/08
Isto hoje foi duro
O dia de hoje foi pesado, vela de manhã, rajadas de 22 nós, vento e chuva e mau tempo, abençoados os dois casacos, as calças impermeáveis, as meias duplas e o gorro e o capuz, de tarde trabalho a abrir e mais chuva e mais dois casacos, desta vez os dos miúdos. Chuva, carro, casa, a correr outra vez para a escola, trânsito parado quase à porta de casa, chuva, polícia trombudo a dizer "por aqui não pode passar", mas "eu só quero estacionar lá à frente, não vou perturbar os manda-chuvas que estão aqui", "não" trombudo. Que chatice.
Porquê?
Porque é que quando chove as paragens ficam cheias de gente? Mesmo as que não têm protecção para a chuva?
02/12/08
E a neve
Que fim-de-semana fantástico, apesar da chuva, apesar do frio, apesar dos quilómetros... Junte-se tudo e temos... neve. Os miúdos deliraram, pareciam aparvalhados a olhar para aquela chuva branca e fofinha que se prendia aos cabelos e aos casacos, a fazer bolas de neve e a atirá-las com um ar primeiro "posso? De certeza?" e depois "vou dar cabo de ti! E da mãe também!". Sestas dormidas em viagem, com uns minutos para descansar das perguntas constantes do mais velho e da luta da manta e dos casacos. "A manta é minha", "não, é minha".
E o pequeno-almoço, como nós gostamos, sentadinhos à mesa, a lareira a aquecer o ambiente. Ficámos no lindíssimo Mosteiro de São Cristóvão de Lafões, recuperado como se nada se tivesse passado e como se a chuva e a intempérie e os anos e os ladrões não tivessem andado por lá a partir paredes e a roubar azulejos.
Os donos falam da sua casa como de um filho e têm quartos suficientes para os 11 netos e para ainda receberem uma série de hóspedes, casa cheia o fim-de-semana, ou pelo menos assim me pareceu. E uma visita guiada com os pormenores todos sobre a casa no meio da floresta.
Adorei.
E o pequeno-almoço, como nós gostamos, sentadinhos à mesa, a lareira a aquecer o ambiente. Ficámos no lindíssimo Mosteiro de São Cristóvão de Lafões, recuperado como se nada se tivesse passado e como se a chuva e a intempérie e os anos e os ladrões não tivessem andado por lá a partir paredes e a roubar azulejos.
Os donos falam da sua casa como de um filho e têm quartos suficientes para os 11 netos e para ainda receberem uma série de hóspedes, casa cheia o fim-de-semana, ou pelo menos assim me pareceu. E uma visita guiada com os pormenores todos sobre a casa no meio da floresta.
Adorei.
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