28/01/09

Cinco anos

Nasceste há cinco anos, deixando-me perplexa com a novidade. Eu sabia que tu vinhas lá, obviamente. Via-te a crescer no meu corpo e todos os meses nas ecografias desde o princípio, primeiro o inevitável feijão, depois uma "coisa", depois uma forma humana, depois uma pilinha, depois um nariz, uma cara e uns olhos, agitavas os dedos no ar, com gestos de agitador de massas. 

Depois apareceste tu, um bebé lindo e maravilhoso, tinhas e tens um cheiro só teu, como temos todos, uns olhos enormes, um corpo macio e perfeito. Foi uma surpresa. Não sabia o que havia de fazer-te, apesar de ter aprendido todos os truques da puericultura nos milhares de revistas, livros e sites sobre a especialidade que li. Penso que não era tanto ansiedade de mãe inexperiente, mas sim curiosidade em conhecer-te. A minha irmã tem muita curiosidade em conhecer as caras dos bebés. Eu acho que tenho de tudo.

És um miúdo lindo, meiguinho e reguila ao mesmo tempo, adoro-te e zango-me contigo ao mesmo tempo, como fazes com a tua irmã (que nasceu sem que eu sequer tenha olhado para os tais livros, revistas e sites da especialidade, a quem não marco os marcos de crescimento, senão os do vosso pediatra). És brincalhão e tranquilo, animado e pacífico, guerreiro e rapaz. É isso mesmo. És rapaz. Desejo-te que tenhas uma vida muito feliz.

Cores

Continuo maravilhada com cores, como sempre desde que me lembro. O azul do céu que anda meio desaparecido, o verde da relva fofinho, o cor-de-rosa das minhas princesas, a escolha de cores que o meu filho faz todos os dias quando se veste. E as escolhas da minha filha que, apesar de ser muito pequenina, escolhe todos os dias a roupa que quer vestir. 

Geralmente não lhes mudo as escolhas, a não ser que a roupa tenha nódoas que não sairam na lavagem ou buracos nos joelhos (mais comum) ou em qualquer outro local. Acho que a criação do gosto deve ser livre (a minha irmã acha que eu não acho isto mas eu acho). Lembro-me do vexame que senti uma manhã em que achava que estava linda e provoquei o riso geral ao aparecer com meias cor-de-rosa pelo joelho, uma saia amarela e uma camisola cor-de-rosa. Fiquei mesmo triste, mas admito que estava um horror.

Será que as sensações que atribuímos às cores nos foram ensinadas ou são intuitivas? São culturais, isso sem dúvida, o nosso luto de preto é branco para os indianos (muito mais libertador), o nosso vermelho é paixão, o nosso amarelo é luxo. Ando encantada com o dourado. Sempre adorei dourado. Lembro-me de há muitos anos ter lido um artigo da revista Máxima em que se falava do supremo luxo, no dourado (vestidos dourados lindoslindos que nunca poderei vestir porque sou morena e ficamos todos da mesma cor, eu e o vestido) e em estolas também douradas e alguém falava no supremo luxo como sendo uma gabardine forrada a vison. Esta é uma daquelas informações parvas de que não me consigo esquecer. Não serve para nada, nunca a usei em nenhuma conversa, mas aqui posso usar, pode ser que esvazie esse pedacinho de memória. 
 

25/01/09

Envergonhadamente


... Envergonhadamente e sem jeito, coloco aqui um prémio que me enviou a Annie Hall do Outsider, que me convenceu a perder a vergonha com a sua teoria de que ler um blog é como conversar com quem o escreve. É uma atenção muito querida. Mas fico sem jeito. Obrigada. 

22/01/09

Liberdade


Há sensação de maior liberdade do que andar com a cabeça fora do carro? É super perigoso, mas sabe tão bem, especialmente se estiver sol. Hoje obviamente não...

Há dias...

... em que me apetece ouvir alguém perguntar: queres que te vá buscar o carro para não ires pela chuva com os miúdos?...

14/01/09

Parem por favor

Eu sei que anda aí uma crise tramada, sinto-a diariamente, ouço-a nas conversas de café, até os miúdos falam sobre isso (os meus não, graças a Deus, ainda são muito pequenos), anda toda a gente meio deprimida com isto. Eu sei que as empresas estão a passar dificuldades, que a coisa anda difícil.

No entanto, será que poderiam pedir, por favor, se não fosse muito o trabalho, aos senhores das lavandarias, cabeleireiros, ginásios e salões de estética que parem de pendurar panfletos nos carros das pessoas? Ninguém quer saber, os papéis vão directamente da janela para o lixo, nalguns casos directamente para o chão e não servem para nada. Irritam-me especialmente nos dias de chuva, porque ficam colados ao pára-brisas e ao vidro (fazem ideia do preço de um limpa pára-brisas novo?) e porque tenho o carro cheio de papéis de que não preciso e que me irritam. Podem parar, por favor?

13/01/09

Uma casa perfeita

Para ser sincera, gosto tanto de uma das divisões como gosto da outra. Há que pensar nas casas em que vivemos a fundo...

Fútil

...
ok, sinto-me muito fútil a falar de eye-liners e ranho quando há coisas muito mais importantes a acontecer no mundo, como Gaza ou a crise económica. Mas eu não percebo nada de Gaza, nem de Israel, nem dos fanatismos religiosos, nem do terrorismo, nem da capacidade de matar. E também não sou capaz de alterar o curso das coisas com as minhas palavras. Mas posso alegrar o dia de alguém com as minhas palavras. Posso fazer alguém reconhecer-se naquilo que conto. É pouco, mas é o que faço.
...

12/01/09

Prefiro o pingo no nariz

Não há nada pior para mim do que ter de me assoar em público. Isto é ridículo, bem sei, mas sempre odiei assoar-me. Talvez porque nunca precisei de me assoar. Quando era pequenina acho que estive muito poucas vezes doente e não era daqueles miúdos que passam o ano inteiro constipados (thank God), por isso nunca aprendi. Nem tinha lenços de tecido daqueles com os nomes bordados.
Tinha uma prima que andava sempre com um lençinho dentro da manga do casaco para se assoar milhares de vezes ao longo do dia. Gostava muito dela, mas achava isso nojento. Percebi noutro dia que a minha filha aprendeu, não sei onde, a guardar um lenço no bolso...
Quanto a mim, quando tenho de me assoar ao pé de outras pessoas, tenho a sensação que interrompem as suas rotinas só para prestar atenção à actividade nojenta que estou a fazer. E para ouvirem e verem o produto daí resultante. É a loucura... 
Certa vez, na faculdade, acabei um teste de inglês uma hora e um quarto antes da hora devida, só porque estava a fungar, não tinha lenço, nem queria passar pela vergonha de me assoar numa sala silenciosa de frequências. Assim, entreguei o teste com um pingo no nariz a querer cair para cima do teste. (Respondi às perguntas todas, só que em versão acelerada, mas continuei a ter muito boa nota)