Quando era pequena adorava dar saltos em cima das camas. No meu quarto era perfeito, porque a minha cama estava paralela à da minha irmã e dava para dar bons saltos. Em casa dos meus avôs há uma sala em que os móveis e sofás estavam dispostos de maneira a fazer uma espécie dum corredor, perfeito para os torneios de saltos que fazíamos entre primos. Parti uma vez o tampo de uma mesa dessa sala. Parti uma vez o estrado da cama de uma outra prima.
Agora passo os dias a dizer aos meus filhos para não saltarem nas camas. Que incongruência.
10/02/09
Perda
Nunca gostei de perder nada. Nunca fui de perder nada. Às vezes tenho de pensar muito tempo nalguma coisa para voltar a revê-la, porque não gosto de perder coisas. Corro a casa toda à procura de um livro ou de uma revista, de uma t-shirt ou de umas cuecas, só porque não quero perder nada. Faz-me impressão a facilidade diária com que certas pessoas perdem tudo, desde as chaves de casa, à carteira ou mesmo a um blazer que vale mais do que a casa e a carteira juntas :)
Comigo não é propriamente não gostar de perder ao jogo, por exemplo. Em relação a isso não me faz grande impressão. Não posso dizer que seja muito competitiva. Agora perder coisas, isso já não gosto.
Este fim-de-semana, cortaram uma árvore enorme que fazia parte do meu percurso diário há mais de 15 anos. Bem sei que a árvore é daquelas de crescimento quase instântaneo que tanto maravilharam as câmaras há uns anos e que provocam alergias infindáveis com os seus rolinhos primaveris. Mas é uma perda, de qualquer maneira.
Arrepios
Não me importo com a febre, sei que é um processo normal de cura do organismo ou mesmo um sinal de que há algo a precisar de tratamento. O que não gosto nada e me dá vontade de sair contigo nos braços a correr para ir para os braços da minha mãe é a febre rápida, que sobe dos 37º para os 39º num instante e que te faz tremer muito e dizer baixinho "tenho fio mamã, tenho fio". Abençoado o ben u ron que te põe, passados 15 minutos, a correr pela cozinha. Adoro-te pequenita.
09/02/09
Viagens repetitivas
Não gosto de viagens repetitivas. Perco a atenção aos detalhes, perco a pachorra para o que passa, passo a procurar o que está diferente. Vejo através de uma montra um senhor com uma marreca enorme, que afinal só estava a coçar as costas. Conseguiu roubar-me um sorriso, este senhor que trabalha com certeza na cozinha de um restaurante onde jantámos uma vez só com um amigo que temos pena de não encontrar muito mais vezes.
Vejo duas raparigas com um ar muito saudável e arranjadinho. Passo por lojas e por supermercados. Passo por estradas com pouca luz, por candeeiros enormes (que às vezes se apagam quando eu passo) e por passadeiras com avós de mãos dadas com miúdos ensonados que só agora regressam a casa, ou se calhar ainda só a casa dos avós, de mãos dadas aos irmãos, poucos, que agora as famílias são pequenas.
Curiosamente, encontro amigos que têm muitos filhos, pelo menos três, que é onde se desenha a linha das maiores complexidades de ter muitos filhos. A partir dos três tudo muda. A casa tem de ficar maior, o carro tem de ficar muito maior, passa a haver muito mais espaço na carteira, muito menos nas prateleiras e nos armários...
Deixa-me concentrar que senão ainda bato em algum lado...
Vejo duas raparigas com um ar muito saudável e arranjadinho. Passo por lojas e por supermercados. Passo por estradas com pouca luz, por candeeiros enormes (que às vezes se apagam quando eu passo) e por passadeiras com avós de mãos dadas com miúdos ensonados que só agora regressam a casa, ou se calhar ainda só a casa dos avós, de mãos dadas aos irmãos, poucos, que agora as famílias são pequenas.
Curiosamente, encontro amigos que têm muitos filhos, pelo menos três, que é onde se desenha a linha das maiores complexidades de ter muitos filhos. A partir dos três tudo muda. A casa tem de ficar maior, o carro tem de ficar muito maior, passa a haver muito mais espaço na carteira, muito menos nas prateleiras e nos armários...
Deixa-me concentrar que senão ainda bato em algum lado...
08/02/09
E depois de woody?
Ontem, quando o carro acelerava pela auto-estrada abaixo, atingiu-me de repente que mais dia menos dia os filmes de Woody Allen vão acabar. Depois de ver o Vicky Cristina Barcelona que adorei como todos os filmes de Woody Allen, tive antecipadamente nostalgia daquilo que poderei vir a perder. É tramado pensar assim, mas às vezes acontece.
O melhor neste, como nos últimos, é que Allen já não está fisicamente presente mas está em tudo o que faz o filme. Está nas mãos das personagens, nos seus complicados dilemas existenciais e está até na cor magnífica do filme, que não é a cor real da vida, mas é aquele amarelo com que toda a gente fica mais sensual. E as letras do final, iguais desde sempre.
O que farei eu sem a garantia de que no próximo ano vou ter outra vez Woody Allen? É como um livro de que estamos a gostar muito e que lemos num sufoco, entre querer conhecer-lhe o fim e não querer deixar de o ler. Quem é que vai herdar o seu estilo?
O melhor neste, como nos últimos, é que Allen já não está fisicamente presente mas está em tudo o que faz o filme. Está nas mãos das personagens, nos seus complicados dilemas existenciais e está até na cor magnífica do filme, que não é a cor real da vida, mas é aquele amarelo com que toda a gente fica mais sensual. E as letras do final, iguais desde sempre.
O que farei eu sem a garantia de que no próximo ano vou ter outra vez Woody Allen? É como um livro de que estamos a gostar muito e que lemos num sufoco, entre querer conhecer-lhe o fim e não querer deixar de o ler. Quem é que vai herdar o seu estilo?
04/02/09
A vida como ela é
Ontem tivemos uma borla e fomos ao cinema. Ver o Austrália. Gostei muito, fala de amores e de perda, de ritos e de um período da história de que gosto muito, na II Grande Guerra. Vale a pena ver, especialmente pelos weepy eyes como eu. É um tear jerker. Isso é um facto, mas é conciliador, não há perdas substanciais a reportar no núcleo dos heróis. A fotografia é linda, a Austrália um assombro.
Nos dez minutos que tivemos antes do filme arrancar fomos jantar. Eu, conscenciosa do meu vestido vermelho, comi uma salada com atum e ovo e bebi um sumo de maçã. O homem cá da casa, conscencioso do raio da crise (e há que dias com uma vontade enorme de comer carne), comeu um hamburger do McDonald's. Eu paguei 6,50 pelo meu menu. Ele pagou 1 euro.
É injusto.
Nos dez minutos que tivemos antes do filme arrancar fomos jantar. Eu, conscenciosa do meu vestido vermelho, comi uma salada com atum e ovo e bebi um sumo de maçã. O homem cá da casa, conscencioso do raio da crise (e há que dias com uma vontade enorme de comer carne), comeu um hamburger do McDonald's. Eu paguei 6,50 pelo meu menu. Ele pagou 1 euro.
É injusto.
Ok, já passou
Ok, ok, já passou. Prima nova e ler o jornal. Já estou bem disposta outra vez. Não me apetece estar aqui à mesma, mas isso logo passa.
Truques
Qual é a melhor solução para lidar com uma crise de irritação? Para mim, pode passar por martelar furiosa e rapidamente no teclado, como agora estou a fazer, aguentando com os olhares reprovadores/desconfiados dos meus colegas, que não percebem o que se está a passar. Pode passar por ir passear, geralmente sozinha, ir ver o mundo (pertinho de casa), mudar de ares, ou ir às compras, legumes e fruta também serve, ir lanchar e beber qualquer coisa quentinha, ir para a galhofa com amigos...
Hoje nada está a funcionar. Sinto uma irritação profunda, daquelas em que apetece berrar ou gritar muito alto, até tudo voltar à normalidade e se acabar esta sensação horrível. Estou sem paciência, sem vontade de estar aqui enfiada quatro horas a ouvir falar sobre coisas desinteressantes (?).
À entrada da escola, visão perfeita, um saco de boxe. Também serve para relaxar, mas está guardada pelo segurança. Vou ter de descobrir outra maneira.
Hoje nada está a funcionar. Sinto uma irritação profunda, daquelas em que apetece berrar ou gritar muito alto, até tudo voltar à normalidade e se acabar esta sensação horrível. Estou sem paciência, sem vontade de estar aqui enfiada quatro horas a ouvir falar sobre coisas desinteressantes (?).
À entrada da escola, visão perfeita, um saco de boxe. Também serve para relaxar, mas está guardada pelo segurança. Vou ter de descobrir outra maneira.
03/02/09
Cinco anos (2)
"Mãe, quantas festas é que eu vou ter este ano?"
Com a família assim grande que temos e com os amigos da escola mais os amigos-filhos-dos-amigos-dos-pais é provável que tenha de fazer aí umas três. Espera, mais o bolo na escola - uma das coisas de que mais gostava quando era pequena - quatro? A do bolo da escola foi no dia, estavas muito orgulhoso, a nossa dos quatro foi à noite, com medo do fogo do japonês perigoso a atirar facas ao ar. E depois? Mais duas festas? Acabei por fundir tudo na mesma festa, convidei os 26 miúdos da escola - vieram 20 - e mais 16 filhos e sobrinhos e filhos dos nossos amigos. A festa foi na sala de condomínio da minha irmã e fui eu que fiz quase tudo, desde a decoração à animação, com algumas ajudas pontuais.
36 putos.
Por isso é que tenho andado sem genica para escrever.
Com a família assim grande que temos e com os amigos da escola mais os amigos-filhos-dos-amigos-dos-pais é provável que tenha de fazer aí umas três. Espera, mais o bolo na escola - uma das coisas de que mais gostava quando era pequena - quatro? A do bolo da escola foi no dia, estavas muito orgulhoso, a nossa dos quatro foi à noite, com medo do fogo do japonês perigoso a atirar facas ao ar. E depois? Mais duas festas? Acabei por fundir tudo na mesma festa, convidei os 26 miúdos da escola - vieram 20 - e mais 16 filhos e sobrinhos e filhos dos nossos amigos. A festa foi na sala de condomínio da minha irmã e fui eu que fiz quase tudo, desde a decoração à animação, com algumas ajudas pontuais.
36 putos.
Por isso é que tenho andado sem genica para escrever.
02/02/09
Tempestades
Chuva, frio, tempestade, frio... mãos frias, casacos quentes, nariz frio, pés frios... Gosto da chuva, mas já estou farta do frio. Odeio casacos compridos, odeio collants, odeio pés frios e odeio camisolas, fazem-me espirrar e andar com os olhos irritados... Que saudades da Primavera.
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