A paz para mim vem agora sobre a forma de uma noite bem dormida ou de uma manhã a ler calmamente numa esplanada com o Sol a brilhar e os putos a andarem vagamente ao longe mas à vista de bicicleta ou "tónete". Sem implicarem um com o outro. Not going to happen.
Acho que a "implicatividade" faz totalmente parte de se ser irmão. E faz parte de crescer. Os meus filhos (lindos mas implicativos) passam uma grande parte do dia a implicarem um com o outro. Adoram-se mas implicam. E puxam-se ou empurram-se e chamam-se estúpido e parvo e, suprema ofensa, o meu filho diz à pequenita que está feia. Ela é super vaidosa e fica muito desconsolada. E vem perguntar-me se é verdade. "Não é querida, não acredites em ninguém que valorize o aspecto e que te chame nomes". Mas adoram-se. Se a miúda faz birras no meio da rua - maravilhosa novidade da semana passada - e eu finjo que me vou embora à mesma ele fica super preocupado (quase que o vejo a torcer as mãos como os adultos preocupados) e pede-me para a ir buscar ou então vai ele. Ainda bem que gostam um do outro.
Já houve alturas em que a paz era a rua cheia de gente, em que o que era bom era uma tarde inteira de conversa no bar da faculdade cheio de tabaco e de barulho. Os tempos mudam, a paz também. Hoje preciso de paz.
12/03/09
10/03/09
Decisões estranhas
Há anos que acho que como açúcar a mais. Desde sempre que adorei bolachas e bolos, bombons e rebuçados, chupa-chupas e doces. Tudo com açúcar. Sei que basta o açúcar da fruta e dos alimentos para nos dar energia e que o açúcar branco só nos faz mal. Anima-nos temporariamente, mas é só isso. Portanto, ontem decidi que ia mesmo parar de comer açúcar, fazer uma "desintoxicação" do organismo...
Hoje de manhã, enquanto metia uma mão cheia de smarties coloridos na boca, pensava se devia comer mais uma ou duas. Até que tive o meu "ups moment". Que parvinha. Mas estou nesta batalha. O açúcar faz mal.
Hoje de manhã, enquanto metia uma mão cheia de smarties coloridos na boca, pensava se devia comer mais uma ou duas. Até que tive o meu "ups moment". Que parvinha. Mas estou nesta batalha. O açúcar faz mal.
09/03/09
Miminhos
Ontem estivemos a trabalhar até tarde. No fimzinho do serão preparei uma mini surpresa para o meu filho, que adora surpresas e coisas estranhas, situações obtusas e coisas fora do seu sítio normal, como a dentadura/pinça de gelo que tenho desde que tinha 12 anos ou conversas sobre xixis e cocós e bufas.
Então, peguei numa bola pequenina com que costuma brincar e desenhei olhos, nariz e uma boca sorridente, depois cabelo e, por fim, escrevi o nome dele.
Hoje de manhã, enquanto tentávamos recuperar da noite [muito] mal dormida, o miúdo entrou no quarto de rompante, com a maior felicidade na cara e alertou-nos para a novidade:
- Mãe, olha o que aconteceu!!
(quem acredita no Pai Natal e na fada dos dentes [graças a Deus] também acredita em coisas a acontecerem sem ninguém ser responsável por elas, como se duendes fantásticos ou formigas com muita força andassem por aí a fazer coisas nas nossas costas)
E apontava orgulhoso para a bola com a sua cara e o seu nome desenhados. Nós ríamo-nos.
- Quem foi que fez isto?
(a credulidade não dura sempre, eu sei, até que ouvi...)
- Quem é que faz coisas giras dessas cá em casa?
Foi o melhor elogio que fizeste - não és muito de elogios, mas este foi querido.
Então, peguei numa bola pequenina com que costuma brincar e desenhei olhos, nariz e uma boca sorridente, depois cabelo e, por fim, escrevi o nome dele.
Hoje de manhã, enquanto tentávamos recuperar da noite [muito] mal dormida, o miúdo entrou no quarto de rompante, com a maior felicidade na cara e alertou-nos para a novidade:
- Mãe, olha o que aconteceu!!
(quem acredita no Pai Natal e na fada dos dentes [graças a Deus] também acredita em coisas a acontecerem sem ninguém ser responsável por elas, como se duendes fantásticos ou formigas com muita força andassem por aí a fazer coisas nas nossas costas)
E apontava orgulhoso para a bola com a sua cara e o seu nome desenhados. Nós ríamo-nos.
- Quem foi que fez isto?
(a credulidade não dura sempre, eu sei, até que ouvi...)
- Quem é que faz coisas giras dessas cá em casa?
Foi o melhor elogio que fizeste - não és muito de elogios, mas este foi querido.
06/03/09
Shampoo
Qual é o shampoo e, eventualmente, creme amaciador que cheira muito bem (durante e depois do duche), faz muita espuma (só durante o duche), deixa o cabelo ficar macio e sedoso e ainda o protege da humidade? Já não posso confiar nos anúncios em relação a isso. Prefiro o mouth-to-mouth.
Quando era mais pequena, lembro-me que usava um qualquer e ficava sempre fixe. Agora, se calhar, uso uns caros e sofisticados demais. Lembro-me dum, que cheirava deliciosamente, que se chamava parfum, não me lembro da marca. E tinha aquela capacidade de, se chovia e o cabelo se molhava, libertar o perfume novamente. Quem me dera que "editassem" outra vez esse shampoo.
E, já agora, podem parar de inventar coisas estranhas para pôr no cabelo, como máscaras e cremes hidratantes e coisas do estilo, que só servem para me baralhar mais?
Quando era mais pequena, lembro-me que usava um qualquer e ficava sempre fixe. Agora, se calhar, uso uns caros e sofisticados demais. Lembro-me dum, que cheirava deliciosamente, que se chamava parfum, não me lembro da marca. E tinha aquela capacidade de, se chovia e o cabelo se molhava, libertar o perfume novamente. Quem me dera que "editassem" outra vez esse shampoo.
E, já agora, podem parar de inventar coisas estranhas para pôr no cabelo, como máscaras e cremes hidratantes e coisas do estilo, que só servem para me baralhar mais?
Energia
As coisas que me dão mais energia:
- ficar acordada a conversar;
- organizar festas e jantares e almoços e lanches e pequenos-almoços para os amigos;
- um elogio, dito ou sentido;
- dormir mais meia hora de manhã;
- vestidos novos;
- livros de cozinha novos com muitas fotografias;
- jantares de adultos :);
- almoços de miúdos na praia;
- a primeira praia do ano;
- ajudar os outros (deixar passar os carros à frente, apanhar coisas que caíram, pequenas gentilezas);
- que me ajudem;
- comer muita fruta em vez de chocolates e gomas;
- tempo para ler um bom livro;
- uma boa ideia!
- ficar acordada a conversar;
- organizar festas e jantares e almoços e lanches e pequenos-almoços para os amigos;
- um elogio, dito ou sentido;
- dormir mais meia hora de manhã;
- vestidos novos;
- livros de cozinha novos com muitas fotografias;
- jantares de adultos :);
- almoços de miúdos na praia;
- a primeira praia do ano;
- ajudar os outros (deixar passar os carros à frente, apanhar coisas que caíram, pequenas gentilezas);
- que me ajudem;
- comer muita fruta em vez de chocolates e gomas;
- tempo para ler um bom livro;
- uma boa ideia!
04/03/09
E depois de Woody? (2)
Depois de Woody vem agora mais Woody. Ainda bem, graças a Deus ou a quem calhar, é já em Abril que estreia em Nova Iorque o novo filme. É provável que toda a gente já soubesse dele e isto não é novidade, mas não é o tipo de novidades que costumo acompanhar. Diz-me o Público que se chamará "Whatever works", qualquer coisa como "O que quer que funcione". Vou gostar de certeza:
- É rodado em Nova Iorque - a cidade que não consigo tirar da memória visual muito também por sua culpa, com os filmes que adoro "Manhattan", "Annie Hall" e "Hannah e as suas irmãs";
- Tem actores novos (Larry David, um dos tipos mais cómicos e divertidos do mundo, que é um dos cérebros por trás do Seinfeld) e Evan Rachel Wood (que só tem aquele problemazinho de namorar com o Marilyn Mason, mas tirando isso é gira);
- É uma comédia negra.
O que é que pode ser mais perfeito que isto? Eu vou ver.
- É rodado em Nova Iorque - a cidade que não consigo tirar da memória visual muito também por sua culpa, com os filmes que adoro "Manhattan", "Annie Hall" e "Hannah e as suas irmãs";
- Tem actores novos (Larry David, um dos tipos mais cómicos e divertidos do mundo, que é um dos cérebros por trás do Seinfeld) e Evan Rachel Wood (que só tem aquele problemazinho de namorar com o Marilyn Mason, mas tirando isso é gira);
- É uma comédia negra.
O que é que pode ser mais perfeito que isto? Eu vou ver.
03/03/09
Música com comida
À procura de música com comida dentro (se alguém tiver ideias diga), voltei a tropeçar neste clip divertido. Deve ser fixe receber dinheiro para fazer assim patetices.
Como se fazem os gémeos
Proibido proibir
Li há tempos um artigo espectacular sobre a nova moda em matéria de parques infantis, que é conceber e criar espaços tipo selvagem. Adorei o artigo e fez-me pensar na maneira simples como ocupávamos o nosso tempo quando erámos miúdos. Como tínhamos os montes mesmo à frente de casa (o monte pequeno e o monte grande), havia muito espaço por onde correr, escavar, inventar aventuras (um crime incluído com polícia e tudo que espiámos da janela deitados no chão), criar esconderijos, partilhar segredos e inconfidências, saltar, rebolar e cair, cortar dedos e esfolar pernas e joelhos. Era o dia todo! Tínhamos milhares de amigos. De vez em quando, muito de vez em quando, passava um carro. Um dia até passou um carro só com um farol aceso e a galhofa foi geral, com toda a gente a dizer que estava a fingir que era mota.
Brincávamos à noite na rua. Enterrávamos os nossos animais no monte, dentro de caixas de fósforos, e marcávamos o lugar com cruzes feitas de galhos, como víamos fazer nos filmes. Inventávamos brincadeiras o dia todo e ao sábado e ao domingo de manhã aprendíamos mais a ver o Tom Sawyer e os três duques. Os nossos pais de vez em quando iam à janela ver se a prole estava toda intacta, os mais velhos tomavam conta dos mais novos e vice-versa. A hora de recolha era ao jantar. No Verão ainda voltávamos depois.
Irrita-me ir ao parque e ver os miúdos a seguir os circuitos que criaram para eles. Os baloiços (isso continua a ser fixe), os cavalinhos, os escorregas (que, de acordo com algumas velhotas, só se podem descer - porquê se quando éramos pequenos os subíamos?). Não podem criar mais nada, está tudo feito. Eu sei que eles gostam e que adoram ir aos vários parques infantis para onde os levamos. Eu sei que é melhor do que não ter nada, mas daí ter gostado tanto do artigo que li sobre parques. Os espaços em branco são como as folhas em branco, abrem a imaginação de quem a tem. Quem não tem odeia folhas em branco.
[Estou enjoada do verniz vermelho que pus nas unhas. É decadente ao fim de poucos dias (2), começam a notar-se todas as pequenas falhas e riscos. Odeio o cheiro do tira-verniz.]
Brincávamos à noite na rua. Enterrávamos os nossos animais no monte, dentro de caixas de fósforos, e marcávamos o lugar com cruzes feitas de galhos, como víamos fazer nos filmes. Inventávamos brincadeiras o dia todo e ao sábado e ao domingo de manhã aprendíamos mais a ver o Tom Sawyer e os três duques. Os nossos pais de vez em quando iam à janela ver se a prole estava toda intacta, os mais velhos tomavam conta dos mais novos e vice-versa. A hora de recolha era ao jantar. No Verão ainda voltávamos depois.
Irrita-me ir ao parque e ver os miúdos a seguir os circuitos que criaram para eles. Os baloiços (isso continua a ser fixe), os cavalinhos, os escorregas (que, de acordo com algumas velhotas, só se podem descer - porquê se quando éramos pequenos os subíamos?). Não podem criar mais nada, está tudo feito. Eu sei que eles gostam e que adoram ir aos vários parques infantis para onde os levamos. Eu sei que é melhor do que não ter nada, mas daí ter gostado tanto do artigo que li sobre parques. Os espaços em branco são como as folhas em branco, abrem a imaginação de quem a tem. Quem não tem odeia folhas em branco.
[Estou enjoada do verniz vermelho que pus nas unhas. É decadente ao fim de poucos dias (2), começam a notar-se todas as pequenas falhas e riscos. Odeio o cheiro do tira-verniz.]
01/03/09
A arte da aprendizagem
Adoro ver ou ouvir os miúdos a aprender. Adoro as caras concentradas que põem quando estão a ver qualquer coisa pela primeira vez, os olhos em alvo quando são coisas surpreendentes. Adoro, depois, pô-los à prova. Sou muito tagarela com os meus filhos, vou sempre a contar coisas ou a perguntar coisas, ou a cantar, sempre. Guardo os silêncios interiores para mim. Para a noite, quando eles dormem, ou para a manhã, quando consigo fingir dormir.
Hoje, ao regressar pela deliciosa marginal duma deliciosa tosta mista, perguntei-lhes se sabiam o nome do rio que estava ao lado. O mais velho, orgulhoso da sua sapiência, respondeu muito depressa: "é o rio sérgio".
[Ontem, foi dia de festa e de porco no espeto. Uma maravilha de ver, de comer e de cheirar. Comi tanto que dá para a semana toda.]
Hoje, ao regressar pela deliciosa marginal duma deliciosa tosta mista, perguntei-lhes se sabiam o nome do rio que estava ao lado. O mais velho, orgulhoso da sua sapiência, respondeu muito depressa: "é o rio sérgio".
[Ontem, foi dia de festa e de porco no espeto. Uma maravilha de ver, de comer e de cheirar. Comi tanto que dá para a semana toda.]
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