17/04/09

Eu sei que é para pôr tudo bonito...

... mas que barulho é este? Tenho montes de trabalho para fazer e nem me consigo ouvir a pensar, quanto mais escrever belos textos divertidos e apelativos para os leitores, ao mesmo tempo com um toque de urbanidade e modernidade.

Remember

Às vezes tenho pequenos flashes de memórias que não valem um caracol mas que me fazem sorrir. Os exercícios dos GNR em treino de condução de mota e de jipe, que passavam à porta de casa dos meus pais, subindo, primeiro, uma rua por alcatroar, e depois uma rua enorme, linda e alcatroada que via aí dois três carros por dia e onde depois passaram a passar os autocarros brancos e verdes. E onde hoje passam carros sem fim e autocarros enormes.

Hoje, lá vinham os GNR nas suas motas brancas/laranjas e possantes, talvez um nadinha demasiado plastificadas. Quando passavam há uns anos, os miúdos aqui da rua paravam o que estivessem a fazer só para os verem nas manobras. Hoje acho que ninguém dá por eles... talvez só os miúdos.

15/04/09

Orgulho

Lembro-me que quando o meu filho nasceu saía à rua com a maior felicidade do mundo. Parece que nem chegava a tocar com os pés no chão, pairava, tal era o orgulho. Olhava para os outros e só me apetecia perguntar: "sabem o que eu fiz? Tenho o filho mais lindo do mundo". Quando nasceu a mais pequena sentia o mesmo, mas a dobrar: "tenho dois filhos lindos, são meus". O orgulho é uma coisa linda, quando é bem aplicado. Se for orgulho de não dar o braço a torcer então não gosto. Mas o orgulho de um pai pelo filho é delicioso.

Ontem, um rapaz atravessou a rua em sentido contrário ao meu a empurrar um carrinho de bebé com o ar mais feliz e mais orgulhoso possível. Nem precisei de olhar para dentro do carrinho para confirmar que lá ía um bebé. O rapaz não tocava com os pés no chão. "Bebé novo, felicidades", disse-lhe. Fez-me o maior sorriso confirmativo do mundo e cada um seguiu para seu lado. Que bebé feliz.

14/04/09

...


... ah e estou a trabalhar muito contente e tenho a boca cheia de pastilhas elásticas coloridas Gorila... que saudades de não chegar ao topo da bancada do café mesmo com o braço estendido e uma moeda ou (com sorte) uma nota de 20 paus esticada e os senhores fingirem que não me viam. "Quero cinco pastilhas vermelhas" ou (com sorte) "um pacote de Super Gorila de banana" e quero passar os dias a brincar na rua e a explorar tudo, o monte grande e o monte pequeno, ir aos carrinhos de choque uma vez por ano e estar outra vez com os meus amigos. E ter festas daquelas em que dançamos agarradinhos e comemos pães-de-leite em miniatura e fazer declarações de amizade eterna. E fazer paragens do jogo do mata piolho ou dos polícias e ladrões só para poder ir comprar as tais pastilhas e ficar com a cara toda lambuzada e o cabelo cheio de resíduos dos balões gigantes. E tudo sem pensar em dentista.

[achei a imagem amorosa, tirei do site www.esanda.com, que não sei a quem pertence]

Organizar

Quando me deito a organizar coisas, especialmente festas e eventos variados ou um trabalho novo, começo a entrar num ciclo de noites mal dormidas e irrequietas. Custa-me a adormecer, só de pensar nas variáveis todas e, se acordo por alguma razão (com os miúdos a digerirem a excitação do dia anterior), não consigo adormecer antes de rever todas as ideias. Ontem foi assim, tive de ficar na sala um bocado a acalmar depois de um grito da mais pequena. Irrita-me acordar assim, a meio da noite, sem ninguém para conversar (ao meu lado há quem me pergunte "estás a dormir?" quando acorda por qualquer razão), sem nada para fazer (ou melhor, sem poder começar a essa hora nada de especial, senão a "leve espertina" passa a "acordada para o dia") e sem objectivo nenhum.

Há quem coma quando acorda a meio da noite, eu não gosto. Só de pensar em ter de ir lavar os dentes outra vez e no chão frio da cozinha sem chinelos de entremeio passa-me qualquer leve apetite que tenha.

Há quem veja televisão. É de todas as actividades que podemos fazer sozinhos, a meio da noite e quando queremos dormir a melhor, excepto se estiver a dar um série ou um filme interessantes.

Há quem leia, eu não gosto. Gosto é de dormir. Geralmente durmo sempre bem. É o que me vale.

11/04/09

Senilidade

É oficial, estou a ficar senil. Hoje, às 00h00 em ponto, verificadas no relógio à saída do cinema no Campo Pequeno, abraçei-me ao meu irmão mais novo e dei-lhe os parabéns. Ele ficou com um ar genuinamente contente. Os outros dois ficaram igualmente embuídos do espírito. Espera lá... O meu irmão só faz anos amanhã, upsi...

(Para os curiosos, "Ele não está assim tão interessado", gostei muito. Chick flick à antiga, mesmo como eu gosto, borboletas no estômago e tudo.)

09/04/09

Coisas de mãe

Mães sábias fazem sempre uma laracha sobre idas e vindas. "Onde vais? Vou para a fééésta!!!... Donde vens? Venho da fesssssta...." primeiro com ar animado e entusiasmado e depois com ar abatido e gasto. Oscilo entre um e outro sentimentos, depois de ter acabado de chegar de umas voltas muito fixes pelo Algarve e Zambujeira do Mar e de um almoço sobre o porto de abrigo. A viagem foi qualquer coisa de lancinante - putos zangados um com o outro, connosco, putos histéricos de felicidade, putos com sono, putos com fome, dormir 12 horas, praia, creme solar e fatos-de-banho. O saldo é positivo, e a melhor imagem que posso retirar destes dias é esta:
"Mãeeeeeeee, o mano bateu-me. Muito. Miúdo, vais de castigo, não podes chatear a mana". Encaminho-o para o local designado. Deixo-o lá, para pensar na vida. Passado dois segundos, a miúda está sentada ao lado dele, ofendida comigo por o ter posto de castigo.

04/04/09

Sapatilhas de ballet

Nunca quis ser bailarina, especialmente se descontarmos a vez em que fui ao São Carlos com os meus pais assistir ao Quebra Nozes. Aí, o deslumbre foi grande, devia ter aí uns oito ou nove anos, e lembro-me de ter andado em pontas desde o intervalo e nos três dias que se seguiram.
Fora isso, nunca quis ser bailarina e até julgo que é por causa do livro "Anita no ballet" que tenho um fascínio pela envolvência. Tenho um tutu verde que levo a festas e que adoro.
Como calculam, também aconteceu isso com a "Anita na cozinha" e a "Anita dona de casa". Eram livro fixes.
Adoro ver as minhas sobrinhas no ballet e já pré-inscrevi a minha filha nessas aulas. Só pelo gozo de as ver de tutu e sapatilhas. Vou comprar umas sapatilhas de ballet para andar por casa.

03/04/09

Dias cósmicos

Tenho uma teoria, em que penso muitas vezes, sobre os dias complicados. Sabes? Aqueles dias em que o telefone geralmente silencioso toca sem parar, em que toda a gente quer saber de nós, em que chegam encomendas, em que as máquinas se avariam, em que os carros chocam, em que se resolvem assuntos pendentes há muito? Chamo a esses dias os dias cósmicos. Dá-me uma certa satisfação pensar que há algo exterior a mim que pode ser responsável pelos desfechos em catadupa como os que sucedem nesses dias.

- não, não é a religião kicking in, é mesmo a certeza de que só pode ser o acaso, que é o mesmo que o fado, só que sem estar definido em lado nenhum. Até podia ser a religião, que era o mesmo que delegar em Deus a responsabilidade de gerir as coisas meaningless das nossas vidas, como máquinas que se avariam. Até podia ser, especialmente hoje em que estive a fazer de católica, rezando e dizendo salmos na missa, por respeito e grande amizade com duas primas já velhinhas e muito católicas, uma das quais morreu ontem, depois de um ano de grande sofrimento. Mas a religião não é isto. A religião é uma conversa com Deus, não é gerir o dia-a-dia.

Esta semana foi uma semana dessas, cósmicas. Lá em casa andámos desencontrados, todos os dias tivemos de jogar com horários e calendários, programas e baby-sitters. Eu chegava tarde, tu saías cedo. Oscilavámos entre o teu "deixa-me dormir" nocturno e o meu "deixa-me dormir" matinal. Estou cheia de saudades tuas. Ainda bem que hoje ficamos de férias.

01/04/09

Amor

Esta noite, enquanto vos via a mexerem-se pela sala da festa, um em cada ponto diferente, tive de repente uma ideia. Há qualquer coisa entre estes dois. Nunca os tinha visto juntos antes, conhecia-os, mas separadamente, sabia que trabalhavam na mesma empresa, mas nada mais.

Meses antes, ele deu-me um dia por engano o seu e-mail num papel que não era para mim e que no verso tinha um rabisco de uma declaração de amor. Achei piada ao desenho, numa altura em que as pessoas parece que já só comunicam electronicamente, em e-mails e sms cheios de erros, em vez de em papelinhos amorosos.

Na festa, gravitam em torno um do outro, apesar de estarem em pontos opostos, numa "dança" não ensaiada a que se chama amor. Encontram-se e finalmente percebo que é facto aquilo que pressenti.