O meu filho comprou ontem com o seu próprio dinheiro uma espada de madeira na feira de Grândola. Para ser mãe é preciso respirar fundo e pensar baixinho três vezes "não vai acontecer nada de mal". E, por isto, quero dizer que ninguém vai ficar com nenhum olho vazado, que nenhum primo vai ficar sem braço ou que a irmã mais nova não vai ficar sem qualquer coisa. Ser mãe, às vezes, é ignorar perigos tão básicos que nem gosto de pensar nisso.
Proíbi-o de bater na irmã e nos primos e, há bocado, encontrei-o a bater numa árvore. Especifiquei que não se bate em coisas vivas - "mas as árvores não são coisas vivas, são filho, são super vivas, são muito importantes para nós, e por aí fora...". Depois encontrei-o a desafiar para a luta uma parede (gulp!!). Tive de especificar que também não se pode bater na casa. O tio diz que "assim não sobra nada", "sobra, sobra", digo eu, mas não sei o quê, vou buscar uns jornais e durante cinco minutos, o tempo de duração da minha paciência, entretemo-nos a trespassar folhas de jornal abertas. Depois designo-o cavaleiro da corte de Dom Segismundo e rezo a todos os santinhos que, por hoje, a sua masculinidade esteja satisfeita de sangue. A seguir ao banho estivemos na mimalhada na minha cama, por isso, mantém o interior carinhoso.
... e a feira de Grândola é hiper racing. Nunca imaginei uma feira assim. Em grande. E hoje de manhã estivemos a ver golfinhos em Setúbal. Lindo
30/08/09
Sempre gostei
Sempre gostei de roupa a secar ao ar livre, mesmo nos prédios e no meio da cidade. Sempre gostei de ver as roupas coloridas ou - sendo esse o caso - das máquinas inteirinhas de roupa branca a ondular suave ou ferozmente consoante o vento. Sempre adorei as imagens das cordas de roupa no campo, sem protecções ou varandins arquitectónicos que escondam a roupa dos olhares dos outros. Sempre adorei ver lavar roupa na ribeira e trazer para os olhos de toda a gente que a roupa é lavada, seca e depois ainda tem de ser passada antes de ir para a gaveta (sempre odiei passar a ferro mas isso é outra conversa).Acima de tudo, sempre gostei do cheirinho a vento e a sol que a roupa traz quando é apanhada da corda. Adoro abraçar a roupa quando a apanho do estendal e adoro poder fazê-lo aqui. Nem me importo de apanhar e de pendurar a roupa de toda a gente.
Por tudo isso, sempre desgostei um pouco da máquina de secar - mas com miúdos e no Inverno tem de ser. Agora com a ecologia na moda, pode ser que as cordas da roupa deixem de ser tabú outra vez. Este estendal da marca italiana casamania pode ser uma boa ideia. É bonito. Mas os básicos também são.
26/08/09
"Olhá pulicidade"
Eu sei que é publicidade, à qual sou tendencialmente imune. Considero-me apenas curiosa e, por isso, gosto de experimentar as coisas que vejo nos bons anúncios. Adoro um bom anúncio. E este está muito bom. Delicioso.
"... the years are flashing by,
but deep inside we're still the same..."
"... the years are flashing by,
but deep inside we're still the same..."
25/08/09
Já
Já voltámos. De umas férias deliciosas, compridas como as férias devem ser, com descanso e aventura e emoções várias. Com a água do mar a 25 graus e o sol a condizer com Agosto, tivemos os miúdos só para nós, uma casa só para nós, praia só para nós e mar o dia todo.
E, mesmo no fim, também tivemos uns dias só para nós. À vela percorremos o Algarve, entre Lagos e a Culatra perto de Faro, onde dormimos no paraíso, com um mar de espelho e um pôr-de-sol perfeito. Mergulhámos juntos e amigos sozinhos na praia mais perfeita do mundo.
As férias foram recheadas de miúdos contentes a gritar "mamã, olha a pulicidade" quando os aviões mais típicos dos anos 80 do que de 2009, mas agora sem páraquedistas de brincar, sobrevoavam a praia e de gelados "posso comer mais um?" e deram direito a encontrar muitos amigos. No fim, regresso a casa mortos de saudades dos primos, tios e avós. Perfeitas como as férias devem ser.
15/08/09
... férias...
... de férias no Algarve, está tudo parado, os dias são perfeitos, os miúdos estão felizes da vida, nós também. (descobri hoje de manhã que o mais crescido tem um dentão enorme a nascer, um molar de cima, que além de ser um molar ainda tem mais uma prega, portanto cinco furos em vez dos quatro habituais. Tal como o pai tem dentes pré-históricos. Por isso, ontem andou meio refilão. Assim já não fico sem perceber algumas reacções, geralmente com a mana).
... O meu filho quer que a mana o trate por mano, que acho a coisa mais deliciosa do mundo...
... E doem-me os dedos com a necessidade de teclar qualquer coisa, rio-me sozinha com as ideias patetas que tenho e que não consigo transferir para aqui porque não tenho computador. Hoje tenho, por uns minutos, antes de ir pôr a mesa.
Espero que as férias continuem assim tranquilas.
... O meu filho quer que a mana o trate por mano, que acho a coisa mais deliciosa do mundo...
... E doem-me os dedos com a necessidade de teclar qualquer coisa, rio-me sozinha com as ideias patetas que tenho e que não consigo transferir para aqui porque não tenho computador. Hoje tenho, por uns minutos, antes de ir pôr a mesa.
Espero que as férias continuem assim tranquilas.
01/08/09
Um
Caiu o primeiro dente ao meu filho. Está tão orgulhoso que não cabe nele. Hoje ouvimos passos a correr a subir a escada, com os dois primos mais crescidos a atropelarem-se para dar a novidade. A minha sobrinha mais velha está tão orgulhosa como o primo. Entraram de rompante pelo quarto e deram-nos a informação como se de um boletim noticioso se tratasse. Depois, com um ar grave, acrescentaram que talvez o dente tivesse sido engolido.
Disse-lhes para o procurarem melhor na cama. Lá o encontraram, um dentinho pequenino e branquinho. Na boca, o espaço para o próximo.
Na vida é sempre assim, temos de deixar sair o velho para entrar o novo. Temos de criar espaços para o que lá vem. Temos de abrir os braços para as novidades.
Disse-lhes para o procurarem melhor na cama. Lá o encontraram, um dentinho pequenino e branquinho. Na boca, o espaço para o próximo.
Na vida é sempre assim, temos de deixar sair o velho para entrar o novo. Temos de criar espaços para o que lá vem. Temos de abrir os braços para as novidades.
31/07/09
Que doçura
Uma das partes preferidas das minhas rotinas nocturnas é ir ver se os miúdos estão tapados antes de me ir deitar. Adoro vê-los com os cabelos espalhados pela almofada ou pela cama, com o ar pacífico que não deixa adivinhar as diabruras do dia, as almofadas enroladas no corpo, quando estão virados do avesso com a cabeça no sítio dos pés... Adoro dar-lhes beijinhos e dizer que os adoro em surdina, sem mais ninguém ouvir, só os cérebros pequeninos que registam tudo, até o bater de asas de uma mosca de Verão.
Hoje, depois de ter desenleado a minha filhota, de ter tapado os pés da sobrinha mais velha e de ter ouvido o ressonar tranquilo da sobrinha mais pequena, depois de ter espreitado para a cama de grades do meu sobrinho e vê-lo a dormir com o ar pândego que tem durante o dia, cheguei à cama do meu filho. Eles dormem numa camarata, onde há lugar físico para sete, e todas as noites antes de adormecerem é uma galhofa, eu ralho, mas rio-me a lembrar-me das minhas galhofas com irmãos e com primos. O meu filho estava enrolado num edredão que, como com o fato de surf dentro de água, lhe dá uma sensação de segurança enorme (comigo também era assim, enrolava-me muito bem nos lençóis e puxava os cobertores para cima, deixava só o nariz de fora para poder respirar e fechava os olhos com força para não ver os monstros que havia debaixo da cama e eles não me verem ou se me vissem para me devorarem de uma só vez sem eu me aperceber).
Puxo o edredão para trás e na obscuridade do quarto vejo que tem as pernas cruzadas e os chinelos novos que o pai lhe trouxe calçados. É tão bom ter presentes.
Hoje, depois de ter desenleado a minha filhota, de ter tapado os pés da sobrinha mais velha e de ter ouvido o ressonar tranquilo da sobrinha mais pequena, depois de ter espreitado para a cama de grades do meu sobrinho e vê-lo a dormir com o ar pândego que tem durante o dia, cheguei à cama do meu filho. Eles dormem numa camarata, onde há lugar físico para sete, e todas as noites antes de adormecerem é uma galhofa, eu ralho, mas rio-me a lembrar-me das minhas galhofas com irmãos e com primos. O meu filho estava enrolado num edredão que, como com o fato de surf dentro de água, lhe dá uma sensação de segurança enorme (comigo também era assim, enrolava-me muito bem nos lençóis e puxava os cobertores para cima, deixava só o nariz de fora para poder respirar e fechava os olhos com força para não ver os monstros que havia debaixo da cama e eles não me verem ou se me vissem para me devorarem de uma só vez sem eu me aperceber).
Puxo o edredão para trás e na obscuridade do quarto vejo que tem as pernas cruzadas e os chinelos novos que o pai lhe trouxe calçados. É tão bom ter presentes.
A reflama
... e, porque me esqueci ontem, o meu filho mais velho pergunta com os olhos muito abertos "quando é que o pai se reflama?". Não percebo imediatamente o que quer dizer a pergunta e ele explica melhor "quando é que o pai se reflama, assim como os avós?".
Já sei, queres o papá sempre de férias, a ir para a praia e sempre ao pé de nós.
Já sei, queres o papá sempre de férias, a ir para a praia e sempre ao pé de nós.
Uma rapidinha
A correr, só para não dizer que não venho cá:
- a + pequena já sabe andar de bicicleta com rodinhas (a 200 kms por hora) e atravessa a piscina toda a nadar à cão (com braçadeiras);
- o + crescido já não tem medo das ondas e gosta que o chamemos de "o surfista";
- às vezes é "enrobolado" pelas ondas mas não se queixa;
- a sobrinha mais pequena canta pela casa toda "olha a bola chouriço a merenda" a imitar o homem das bolas de berlim;
- o + pequeno vai ser beijoqueiro;
- a + velha gosta de organizar o pessoal;
- os miúdos todos abriram um negócio (Tartaruga dos cinco), incentivado pelas mães, que assim os vêem entretidos e a trabalhar em conjunto. Vendem enfeites, brincos, pulseiras, colares e porta-chaves. Já estão a facturar super orgulhosos de si mesmos;
- os dias de praia têm estado geniais.
- a + pequena já sabe andar de bicicleta com rodinhas (a 200 kms por hora) e atravessa a piscina toda a nadar à cão (com braçadeiras);
- o + crescido já não tem medo das ondas e gosta que o chamemos de "o surfista";
- às vezes é "enrobolado" pelas ondas mas não se queixa;
- a sobrinha mais pequena canta pela casa toda "olha a bola chouriço a merenda" a imitar o homem das bolas de berlim;
- o + pequeno vai ser beijoqueiro;
- a + velha gosta de organizar o pessoal;
- os miúdos todos abriram um negócio (Tartaruga dos cinco), incentivado pelas mães, que assim os vêem entretidos e a trabalhar em conjunto. Vendem enfeites, brincos, pulseiras, colares e porta-chaves. Já estão a facturar super orgulhosos de si mesmos;
- os dias de praia têm estado geniais.
26/07/09
Zzzz
Há dois dias consegui, pela primeira vez num mês de férias com os miúdos, estar 15 minutinhos deitada na minha toalha azul. Deitei-me e fechei os olhos como gosto de fazer desde sempre. O fechar de olhos que permite aguçar os sentidos, que faz com que sinta melhor o que está à volta. Gosto do cheiro do mar, gosto do cheiro da areia, gosto dos barulhos da praia, do ronronar das ondas, dos gritos das crianças, dos pregões dos vendedores de bolas de berlim e gelados...
Todos os dias penso que me apetece comer uma bola de berlim com creme, mas não como. Comer bolos na praia não é grande ideia.
Ouço tudo. Gosto da proximidade da areia, do contacto com a leve ondulação da areia sob a toalha. Do toque da toalha, super macia. Abro os olhos, repostos que estão todos os sentidos. Acima o ceú, lindo, de Verão, com umas leves nuvens. Mas ao fim de um bocado, não sou eu que olho para cima para o ceú, estando afinal debruçada de cima a olhar para as nuvens que estão lá em baixo, no fim da imensidão de azul. Gosto de sentir e de provocar estas mudanças de ponto de vista. São fundamentais para aceitar coisas diferentes.
Os 15 minutos passaram a correr, como passa sempre o tempo em paz. E voltou a agitação, vamos jogar à bola, vamos fazer surf, vamos vestir o fato, vamos tirar o fato, embrulha-me na toalha, quero tirar o fato de banho, vamos tomar banho, tenho fome, tenho sede, quero fazer xixi, não quero ir embora, não quero ficar. Cinco cabeças com ideias tontas.
Todos os dias penso que me apetece comer uma bola de berlim com creme, mas não como. Comer bolos na praia não é grande ideia.
Ouço tudo. Gosto da proximidade da areia, do contacto com a leve ondulação da areia sob a toalha. Do toque da toalha, super macia. Abro os olhos, repostos que estão todos os sentidos. Acima o ceú, lindo, de Verão, com umas leves nuvens. Mas ao fim de um bocado, não sou eu que olho para cima para o ceú, estando afinal debruçada de cima a olhar para as nuvens que estão lá em baixo, no fim da imensidão de azul. Gosto de sentir e de provocar estas mudanças de ponto de vista. São fundamentais para aceitar coisas diferentes.
Os 15 minutos passaram a correr, como passa sempre o tempo em paz. E voltou a agitação, vamos jogar à bola, vamos fazer surf, vamos vestir o fato, vamos tirar o fato, embrulha-me na toalha, quero tirar o fato de banho, vamos tomar banho, tenho fome, tenho sede, quero fazer xixi, não quero ir embora, não quero ficar. Cinco cabeças com ideias tontas.
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