Hoje é o primeiro dia de escola da minha filha. Da vida toda. Depois de quase três anos de mimo de mãe e de brincadeira ininterrupta e de liberdade. "A nossa filha é uma boa selvagem, vai ser institucionalizada, coitada", diz o pai, lembrando-se da reacção ainda hoje meio adversa do mais velho à escola.
Mas hoje eles vão começar a ir juntos para a escola, presumo que de mão dada e presumo que com promessas de "se alguém te bater eu defendo-te", "vou apresentar-te aos meus amigos todos" e coisas queridas do estilo, que o mais velho é como todos os irmãos mais velhos intrinsecamente querido. Mesmo que às vezes a arrelie ou que lhe dê um sopapo.
E ter um irmão mais velho na escola - e, no caso, primas muito amigas também - faz toda a diferença. Eu, que graças a Deus não sou filha única, adorei o meu primeiro dia de aulas e todos os outros que se lhe seguiram. Ia a correr para a escola atrás dos meus irmãos mais velhos, quis aprender tudo num instante e ler os livros todos que pude. Ainda hoje sou um bocado compulsiva nas leituras.
Ontem tivemos um dia extra de mimo. Fizemos as compras todas de que precisávamos para a escola, canetas de feltro, lápis de cera, borrachas, tesouras, essas coisas. As mochilas foram eles que escolheram, o homem aranha cobiçado há três anos para o mais velho e uns bonecos cor-de-laranja e verdes para a mais pequena que ainda não foi picada pelo marketing, apesar de me avisar para os tais aviões da "pulicidade".
Quando há tempo para mimo, há conversas mais fixes. "Olha o presidente da Junta", digo eu para despertar a consciência cívica dos meus filhos, "é o Zé Sócrates?", pergunta o meu filho com aquele ar "estás a ver mãe como eu percebo de política?"
Ah, e será o primeiro dia de escola, se a miúda não tiver nenhuma descarga, porque anteontem surripiou aí umas 15 ameixas secas - sei que devem ter sido +/- 15 por vários relatos dos avós, meu e dos primos e irmãos. Os meus filhos são doidos por frutos secos.
08/09/09
04/09/09
Raquel
Não era giro que aprendessemos as duas a falar italiano? Hoje, enquanto estava a tomar banho, tive um pensamento estranho: "nunca vou aprender a falar italiano". Já sei porque foi, porque o champoo que está pendurado na torneira começa pelo italiano, com palavras que devem soar tão bem como surgem escritas: risciaquare, sole, solo, dopo, e por aí fora. E aí percebi que, como o Brad Pitt no fantástico Sacanas sem lei que vi ontem à noite, nunca saberei falar italiano. Por isso era giro que fossemos as duas aprender. O que achas?
03/09/09
Passeios de bicicleta
Já sei de que é que vou ter mais saudades quando voltarmos a casa para a semana que vem. É dos nossos passeios de bicicleta pelo meio dos pinheiros. Mesmo que, invariavelmente, seja eu a puxar o riquexó - que os miúdos transformaram em rique-choque, assim tipo carrinho-de-choque só que sem moeda.
E do espaço. Vamos todos ter saudades do espaço.
E do espaço. Vamos todos ter saudades do espaço.
30/08/09
... e as feiras
O meu filho comprou ontem com o seu próprio dinheiro uma espada de madeira na feira de Grândola. Para ser mãe é preciso respirar fundo e pensar baixinho três vezes "não vai acontecer nada de mal". E, por isto, quero dizer que ninguém vai ficar com nenhum olho vazado, que nenhum primo vai ficar sem braço ou que a irmã mais nova não vai ficar sem qualquer coisa. Ser mãe, às vezes, é ignorar perigos tão básicos que nem gosto de pensar nisso.
Proíbi-o de bater na irmã e nos primos e, há bocado, encontrei-o a bater numa árvore. Especifiquei que não se bate em coisas vivas - "mas as árvores não são coisas vivas, são filho, são super vivas, são muito importantes para nós, e por aí fora...". Depois encontrei-o a desafiar para a luta uma parede (gulp!!). Tive de especificar que também não se pode bater na casa. O tio diz que "assim não sobra nada", "sobra, sobra", digo eu, mas não sei o quê, vou buscar uns jornais e durante cinco minutos, o tempo de duração da minha paciência, entretemo-nos a trespassar folhas de jornal abertas. Depois designo-o cavaleiro da corte de Dom Segismundo e rezo a todos os santinhos que, por hoje, a sua masculinidade esteja satisfeita de sangue. A seguir ao banho estivemos na mimalhada na minha cama, por isso, mantém o interior carinhoso.
... e a feira de Grândola é hiper racing. Nunca imaginei uma feira assim. Em grande. E hoje de manhã estivemos a ver golfinhos em Setúbal. Lindo
Proíbi-o de bater na irmã e nos primos e, há bocado, encontrei-o a bater numa árvore. Especifiquei que não se bate em coisas vivas - "mas as árvores não são coisas vivas, são filho, são super vivas, são muito importantes para nós, e por aí fora...". Depois encontrei-o a desafiar para a luta uma parede (gulp!!). Tive de especificar que também não se pode bater na casa. O tio diz que "assim não sobra nada", "sobra, sobra", digo eu, mas não sei o quê, vou buscar uns jornais e durante cinco minutos, o tempo de duração da minha paciência, entretemo-nos a trespassar folhas de jornal abertas. Depois designo-o cavaleiro da corte de Dom Segismundo e rezo a todos os santinhos que, por hoje, a sua masculinidade esteja satisfeita de sangue. A seguir ao banho estivemos na mimalhada na minha cama, por isso, mantém o interior carinhoso.
... e a feira de Grândola é hiper racing. Nunca imaginei uma feira assim. Em grande. E hoje de manhã estivemos a ver golfinhos em Setúbal. Lindo
Sempre gostei
Sempre gostei de roupa a secar ao ar livre, mesmo nos prédios e no meio da cidade. Sempre gostei de ver as roupas coloridas ou - sendo esse o caso - das máquinas inteirinhas de roupa branca a ondular suave ou ferozmente consoante o vento. Sempre adorei as imagens das cordas de roupa no campo, sem protecções ou varandins arquitectónicos que escondam a roupa dos olhares dos outros. Sempre adorei ver lavar roupa na ribeira e trazer para os olhos de toda a gente que a roupa é lavada, seca e depois ainda tem de ser passada antes de ir para a gaveta (sempre odiei passar a ferro mas isso é outra conversa).Acima de tudo, sempre gostei do cheirinho a vento e a sol que a roupa traz quando é apanhada da corda. Adoro abraçar a roupa quando a apanho do estendal e adoro poder fazê-lo aqui. Nem me importo de apanhar e de pendurar a roupa de toda a gente.
Por tudo isso, sempre desgostei um pouco da máquina de secar - mas com miúdos e no Inverno tem de ser. Agora com a ecologia na moda, pode ser que as cordas da roupa deixem de ser tabú outra vez. Este estendal da marca italiana casamania pode ser uma boa ideia. É bonito. Mas os básicos também são.
26/08/09
"Olhá pulicidade"
Eu sei que é publicidade, à qual sou tendencialmente imune. Considero-me apenas curiosa e, por isso, gosto de experimentar as coisas que vejo nos bons anúncios. Adoro um bom anúncio. E este está muito bom. Delicioso.
"... the years are flashing by,
but deep inside we're still the same..."
"... the years are flashing by,
but deep inside we're still the same..."
25/08/09
Já
Já voltámos. De umas férias deliciosas, compridas como as férias devem ser, com descanso e aventura e emoções várias. Com a água do mar a 25 graus e o sol a condizer com Agosto, tivemos os miúdos só para nós, uma casa só para nós, praia só para nós e mar o dia todo.
E, mesmo no fim, também tivemos uns dias só para nós. À vela percorremos o Algarve, entre Lagos e a Culatra perto de Faro, onde dormimos no paraíso, com um mar de espelho e um pôr-de-sol perfeito. Mergulhámos juntos e amigos sozinhos na praia mais perfeita do mundo.
As férias foram recheadas de miúdos contentes a gritar "mamã, olha a pulicidade" quando os aviões mais típicos dos anos 80 do que de 2009, mas agora sem páraquedistas de brincar, sobrevoavam a praia e de gelados "posso comer mais um?" e deram direito a encontrar muitos amigos. No fim, regresso a casa mortos de saudades dos primos, tios e avós. Perfeitas como as férias devem ser.
15/08/09
... férias...
... de férias no Algarve, está tudo parado, os dias são perfeitos, os miúdos estão felizes da vida, nós também. (descobri hoje de manhã que o mais crescido tem um dentão enorme a nascer, um molar de cima, que além de ser um molar ainda tem mais uma prega, portanto cinco furos em vez dos quatro habituais. Tal como o pai tem dentes pré-históricos. Por isso, ontem andou meio refilão. Assim já não fico sem perceber algumas reacções, geralmente com a mana).
... O meu filho quer que a mana o trate por mano, que acho a coisa mais deliciosa do mundo...
... E doem-me os dedos com a necessidade de teclar qualquer coisa, rio-me sozinha com as ideias patetas que tenho e que não consigo transferir para aqui porque não tenho computador. Hoje tenho, por uns minutos, antes de ir pôr a mesa.
Espero que as férias continuem assim tranquilas.
... O meu filho quer que a mana o trate por mano, que acho a coisa mais deliciosa do mundo...
... E doem-me os dedos com a necessidade de teclar qualquer coisa, rio-me sozinha com as ideias patetas que tenho e que não consigo transferir para aqui porque não tenho computador. Hoje tenho, por uns minutos, antes de ir pôr a mesa.
Espero que as férias continuem assim tranquilas.
01/08/09
Um
Caiu o primeiro dente ao meu filho. Está tão orgulhoso que não cabe nele. Hoje ouvimos passos a correr a subir a escada, com os dois primos mais crescidos a atropelarem-se para dar a novidade. A minha sobrinha mais velha está tão orgulhosa como o primo. Entraram de rompante pelo quarto e deram-nos a informação como se de um boletim noticioso se tratasse. Depois, com um ar grave, acrescentaram que talvez o dente tivesse sido engolido.
Disse-lhes para o procurarem melhor na cama. Lá o encontraram, um dentinho pequenino e branquinho. Na boca, o espaço para o próximo.
Na vida é sempre assim, temos de deixar sair o velho para entrar o novo. Temos de criar espaços para o que lá vem. Temos de abrir os braços para as novidades.
Disse-lhes para o procurarem melhor na cama. Lá o encontraram, um dentinho pequenino e branquinho. Na boca, o espaço para o próximo.
Na vida é sempre assim, temos de deixar sair o velho para entrar o novo. Temos de criar espaços para o que lá vem. Temos de abrir os braços para as novidades.
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