Sobrou-me um frango inteiro do jantar de ontem - um jantar bom, em que seis miúdos brincaram hiper-pacatamente uns com os outros.
Nos meus sonhos podia desfiá-lo inteiro e fazer uma magnífica salada com rúcula, tomate-cereja, queijo azul, ananás, maçã e pinhões ou nozes ou ambos e temperada com vinagre de framboesa e azeite. Podíamos beber um vinho branco fresco a acompanhar.
Amanhã ainda podia fazer uns wraps com ricotta, um salpico de redução de vinagre balsâmico, alface, tomate em cubinhos e chutney de manga. Os miúdos iam lamber os dedos, porque adoram wraps e tudo o que seja assim diferente. Eu também adoro. Especialmente os jantares em que dispomos tudo na mesa, os wraps ou as tortilhas que vão ao forno dentro de uma taça e ficam com essa forma, o frango desfiado, a maçã ralada, os molhos e temperos - ketchup, maionese, ricotta, mel - e outras delícias - frutos secos, fruta cortada, gambas cozidas, o que for.
Enfim, tudo o que houver no frigorífico ou na despensa. Nunca fizemos uma festa destas em que não tenha desaparecido tudo.
Mas hoje não vou desfiar frango nenhum. Estou cheia de trabalho e a caramela ainda teve um niquinho de febre ontem e tosse, por isso, se calhar ainda tenho de ir com ela ao pediatra. Mas não me apetece nada. Preferia ter tempo para desfiar o tal frango.
30/09/09
28/09/09
Quickie
Só uma rapidinha para me lembrar, no Sábado tive o almoço de dez anos de curso. Foi muito engraçado rever tantas caras. Tive de me vir embora mais cedo porque a mais pequena estava com febre. Gostei muito.
26/09/09
Já sei
Trabalhar com ideias é muito divertido. Primeiro uma, depois outra, às vezes nada, o vazio. Outras vezes às centenas, todas encarrileiradas como se não houvesse outra maneira de as ideias nascerem. Muitas vezes soltas, sem qualquer ligação entre elas.
Às vezes o telefone. Outras a porta. Quase todas os miúdos, outras ideias novas. Ideias interrompidas. Difícil retomar o fio. Pode ser que mais tarde... Quem sabe...
À noite, cheia de sono, com as mãos e os braços sem força para mais, bailam à frente dos meus olhos, pondo-me os dedos nervosos por não terem onde fazer a sua ginástica mental e puxam-me para fora da cama.
Às vezes quando converso com as pessoas, o que me permite criar palavras novas ou parecer só tolinha. Lá dentro, em diálogo. O dia todo. O que fiz, o que farei, o que alguém fez ou não fará, que resposta dar, que pergunta fazer. Onde pôr, onde arrumar, porquê comprar, quando ir dormir...
Hoje consegui fazer uma coisa que queria fazer há muito tempo - agradecer a um professor por ter sido muito carinhoso comigo na faculdade numa altura tramada da minha vida. Sei que ficou sensibilizado. Não precisei de dizer muito, só que penso muitas vezes nele, recordando-me das suas aulas, mesmo sem fazer ideia do que é que se passava lá. Sei que os seu olhar era sempre de compreensão. Foi um professor que me ajudou. Ainda bem que lhe agradeci.
À chegada a casa, sete pequenos ajudantes fizeram e devoraram duas doses de scones, mesmo acabadinhos de sair do forno, com a manteiga a borbulhar de tão quente. E todos diziam que não se estavam a queimar. Os miúdos são uma coisa fixe.
Às vezes o telefone. Outras a porta. Quase todas os miúdos, outras ideias novas. Ideias interrompidas. Difícil retomar o fio. Pode ser que mais tarde... Quem sabe...
À noite, cheia de sono, com as mãos e os braços sem força para mais, bailam à frente dos meus olhos, pondo-me os dedos nervosos por não terem onde fazer a sua ginástica mental e puxam-me para fora da cama.
Às vezes quando converso com as pessoas, o que me permite criar palavras novas ou parecer só tolinha. Lá dentro, em diálogo. O dia todo. O que fiz, o que farei, o que alguém fez ou não fará, que resposta dar, que pergunta fazer. Onde pôr, onde arrumar, porquê comprar, quando ir dormir...
Hoje consegui fazer uma coisa que queria fazer há muito tempo - agradecer a um professor por ter sido muito carinhoso comigo na faculdade numa altura tramada da minha vida. Sei que ficou sensibilizado. Não precisei de dizer muito, só que penso muitas vezes nele, recordando-me das suas aulas, mesmo sem fazer ideia do que é que se passava lá. Sei que os seu olhar era sempre de compreensão. Foi um professor que me ajudou. Ainda bem que lhe agradeci.
À chegada a casa, sete pequenos ajudantes fizeram e devoraram duas doses de scones, mesmo acabadinhos de sair do forno, com a manteiga a borbulhar de tão quente. E todos diziam que não se estavam a queimar. Os miúdos são uma coisa fixe.
24/09/09
Como?
Como explicar à rapariga que trabalha cá em casa que não se deve estar ao telefone o tempo todo que se está a trabalhar?
Não é só pelo receio altruísta de que se queime a passar a ferro. Não é só pelo receio egoísta de que queime alguma camisa. Não é só pelo receio de que o chão fique mal aspirado ou lavado. Não é só por ser cusca e por não perceber nada do que diz no seu dialecto secreto. Até nem é pelo receio de que vá à miséria quando chegar a conta do telemóvel antes mesmo que eu lhe pague o primeiro mês.
É só porque acho que é foleiro.
Ok, também tem um bocadinho a ver com receio de ela passar do telemóvel que usa com auricular - conseguindo, por isso, passar a ferro - para o meu telefone fixo - deixa de conseguir passar a ferro, fazer as camas, aspirar e lavar o chão, enfim, fazer aquilo para que lhe pago. Tem a ver com um cadeado miniatura que os meus pais tiveram de instalar no telefone em casa deles há muitos anos - tantos que a roupa que se usava então está outra vez na moda. Os telefones agora não permitem essas tecnologias. Acho eu.
Não é só pelo receio altruísta de que se queime a passar a ferro. Não é só pelo receio egoísta de que queime alguma camisa. Não é só pelo receio de que o chão fique mal aspirado ou lavado. Não é só por ser cusca e por não perceber nada do que diz no seu dialecto secreto. Até nem é pelo receio de que vá à miséria quando chegar a conta do telemóvel antes mesmo que eu lhe pague o primeiro mês.
É só porque acho que é foleiro.
Ok, também tem um bocadinho a ver com receio de ela passar do telemóvel que usa com auricular - conseguindo, por isso, passar a ferro - para o meu telefone fixo - deixa de conseguir passar a ferro, fazer as camas, aspirar e lavar o chão, enfim, fazer aquilo para que lhe pago. Tem a ver com um cadeado miniatura que os meus pais tiveram de instalar no telefone em casa deles há muitos anos - tantos que a roupa que se usava então está outra vez na moda. Os telefones agora não permitem essas tecnologias. Acho eu.
23/09/09
22/09/09
Se...
Se há dias em que as coisas correm bem, há dias em que nem por isso. Acho que é esse o sentido da vida.
Ontem as coisas correram bem.
Hoje:
É o miúdo a chorar na entrada da escola agarrado a mim como se o mundo fosse acabar, a rebolar-se com dores de barriga - às quais cedi na primeira vez em três anos de escola, apesar de as saber imaginárias e de o confirmar meia hora depois quando lhe ofereci uma taça gigante de gelatina, antes-ronha-do-que-doer-te-mesmo-a-barriga, ok?... Assim aproveito para fazer uma breve palestra sobre a história do Pedro e do Lobo, sabes qual é?
É ter uma reunião de trabalho enquanto descolo mini autocolantes do spiderman com um ar muito concentrado;
É o camião gigante espanhol que se atira para cima de mim na auto-estrada, ignorando as silenciosas buzinadelas que lhe disparo;
É o autocarro da carreira que vem a 200 na minha direcção, apesar de eu estar na passadeira com dois miúdos e outros tantos sacos;
É ter de estar sempre a carregar sacos pesadíssimos, equilibrando o bem que a fruta nos faz com as dores de costas com que fico;
É a miúda ter dormido uma sesta mini e, por isso, estar rabuja.
É o irmão que já percebeu que ela está assim e que, por isso, a está a provocar.
É a oftalmologista antipática que me cobra 90 euros por uma consulta à dita mini apesar de me dizer que como ela está a ser seguida por outro colega eticamente não a pode tratar - já agora podia ser ético não cobrar guito a quem não se vai tratar;
É querer trazer a minha secretária de casa dos meus pais e não conseguir, por causa dos tais miúdos que trago comigo a atravessar a passadeira...
Mas tenho um espelho novo pendurado na parede. Está lindo.
Ontem as coisas correram bem.
Hoje:
É o miúdo a chorar na entrada da escola agarrado a mim como se o mundo fosse acabar, a rebolar-se com dores de barriga - às quais cedi na primeira vez em três anos de escola, apesar de as saber imaginárias e de o confirmar meia hora depois quando lhe ofereci uma taça gigante de gelatina, antes-ronha-do-que-doer-te-mesmo-a-barriga, ok?... Assim aproveito para fazer uma breve palestra sobre a história do Pedro e do Lobo, sabes qual é?
É ter uma reunião de trabalho enquanto descolo mini autocolantes do spiderman com um ar muito concentrado;
É o camião gigante espanhol que se atira para cima de mim na auto-estrada, ignorando as silenciosas buzinadelas que lhe disparo;
É o autocarro da carreira que vem a 200 na minha direcção, apesar de eu estar na passadeira com dois miúdos e outros tantos sacos;
É ter de estar sempre a carregar sacos pesadíssimos, equilibrando o bem que a fruta nos faz com as dores de costas com que fico;
É a miúda ter dormido uma sesta mini e, por isso, estar rabuja.
É o irmão que já percebeu que ela está assim e que, por isso, a está a provocar.
É a oftalmologista antipática que me cobra 90 euros por uma consulta à dita mini apesar de me dizer que como ela está a ser seguida por outro colega eticamente não a pode tratar - já agora podia ser ético não cobrar guito a quem não se vai tratar;
É querer trazer a minha secretária de casa dos meus pais e não conseguir, por causa dos tais miúdos que trago comigo a atravessar a passadeira...
Mas tenho um espelho novo pendurado na parede. Está lindo.
17/09/09
16/09/09
15/09/09
Fragmentos
Hoje está um dia lindo.
Os miúdos ficaram felizes na escola.
Encontrei imensa gente quando fui à rua.
Bebi um sumo de laranja em óptima companhia.
Tive pesadelos a noite toda.
É difícil ultrapassar sozinha algumas dúvidas profissionais.
Há dois dias vi o "Marley e eu" e chorei no fim.
Daqui a dois dias tenho um casamento.
Estou cheia de calor.
Apetece-me uma bolacha.
Estas flores foram os meus filhos que me deram.
São lindas.
Adorava saber costurar à máquina.
Quando tentava aprender na Singer velhinha da minha mãe tinha suores frios a pensar que ia espetar a agulha nas unhas.
Os meus avós ofereceram a máquina quando a minha mãe tinha 14 anos.
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