15/07/10

49'

Para ser do tamanho apropriado para a distância do sofá, a televisão cá de casa devia ter 49 polegadas (não sei se isso existe) em vez das actuais 16 polegadas... Já sei porque é que estou a ficar pitosga...

Tento

Tento pensar enquanto os senhores das obras interrompem por segundos o seu esforço de deitar paredes abaixo. Tento pensar enquanto está fresco por aqui. Tento pensar enquanto o sono da festa de ontem não me ataca. Tento pensar enquanto me esqueço das milhares de coisas que tenho de fazer. Tento. Mas está difícil.

14/07/10

Proprietária

Sou, desde esta manhã, a feliz proprietária dum sobrinho novo. O primeiro do meu irmão mais novo e cunhada homónima - sim, que nós queremos e eles prometem mais - e o segundo sobrinho rapaz - ficamos portanto equilibrados de sobrinhos, com duas raparigas e dois rapazes.
Correu tudo bem com o parto, a mãe portou-se à altura e está com óptima cara, o miúdo pesa os seus 3,250 kgs e é muito bonito mesmo.
Hoje podem chamar-me tia babada. Aos meus filhos, primos histéricos de felicidade - acordaram os dois aos pulos na cama a berrar pelo bebé. Promete.

13/07/10

A minha amiga artista

Tenho uma amiga que é artista. Recupera coisas lindas, como igrejas e palácios e pinturas. Ela não se vê como eu a vejo, com a "inveja" de quem gostava de saber fazer com as tintas metade das coisas que ela sabe. Tenho a sensação que ela se vê mais como uma técnica, mais como uma executante, do que propriamente como uma artista.
Mas eu acho que o que ela faz tem tanto de arte e de interpretação como pintar de novo. Isso sei que ela não gosta de fazer. Não gosta de telas em branco. Tem uma cópia dum Almada com umas cores lindas - que eu cobiço loucamente porque sou indecisa sobre o que gostava de ter nas minhas paredes mas sei que aquilo era uma coisa que eu gostava de ter - que deixou a meio por insatisfação.
Hoje, levou-me a visitar uma igreja que terminou há pouco tempo. A própria da igreja é muito gira, uma igreja muito antiga no meio duma aldeia às portas de Lisboa. As cores restauradas do interior, o azul anil, o dourado, os marmoreados, tudo coisas de que eu gosto. Também gostei do cheiro da sacristia, o cheiro típico das caves das casas antigas, uma mistura de humidade com muitos anos, e umas escadas que não subi para o primeiro andar.
A igreja no meio da aldeia, com uma estrada que diminui ao passar por trás do altar, foi um cenário para umas imagens mentais giras. A igreja tinha as potentes luzes acesas no interior, para que um fotógrafo russo tirasse fotografias ao trabalho de restauro com um nível de bolha acoplado à máquina. Ao mesmo tempo que fotografava o tecto azul, ria-se dos nossos disparates.
Obrigada, artista. Gostei.

12/07/10

Porque ainda há príncipes

Não interessa a miúda ter ficado atrapalhada ou até por causa disso, o Iker Casillas a dar um mega beijo à namorada Sara é a imagem que encerra o Mundial para mim.

Foi super genuíno. A excitação que sentem os miúdos quando ganham coisas. O "madre mia" dela, a jornalista isenta de quem no jogo com a Suíça foi dito que tinha prejudicado a concentração da equipa, também foi bom.

A linguagem corporal destes dois é gira, ele parece um puto aos saltinhos, inclinam os dois a cabeça um para o outro, ela emociona-se quando ele se emociona ao falar dos pais e do irmão, e depois "toma lá disto que eu quero comemorar contigo". Giro.

11/07/10

Lua cheia

Tento imaginar-te, enquanto embalas a tua filha durante a noite. Sentado, no chão do quarto, com a janela entreaberta, respiras o seu cheiro que te faz ter um sentido. Através do cortinado translúcido espreitas a lua. Pensas em, pelo menos, dois assuntos chatos que tens de resolver no dia depois de amanhã.
São quatro, horas de dormir, mas os dentes moem. Ou o calor. Mas ela finalmente adormece, cansada de brincar com os teus caracóis, cansada de estar acordada e não ter nada para fazer, a não ser ouvir as tuas músicas inventadas e olhar para ti.
A lua assiste enquanto sem grande agitação te/vos levantas e te diriges para o berço da bebé. Olhas para a tua cama, meia vazia, deitas a miúda, dás-lhe um último beijinho, de pescoço esticado para chegares ao fundo do berço, e já não tens sono.
Dás outro beijinho à tua mulher, vais para a sala. Lês um bocado da revista que andas a gastar, passas os olhos pela televisão. Nada de entusiasmante. Óptimo. Voltas à cama. Tens duas hipóteses: perdeste uma hora de sono ou ganhaste uma hora com a tua filha ao colo a dar-te miminhos. Como é que queres ver a tua vida?

09/07/10

Octopus

Anda toda a gente maluca com o polvo adivinhador. E isso fez-me lembrar duma história, que não é minha mas que acho linda.
Certo dia, andava um rapaz de 11 ou 12 anos a fazer mergulho em apneia em Porto Covo ou no Algarve (não sei bem) com o objectivo de apanhar o jantar. Às tantas, o pai começou a ficar aflito, porque o miúdo nunca mais aparecia.
Ao fim dum bocado lá apareceu, com o ar mais satisfeito do mundo. Trazia numa mão um arpão com um polvo a esbracejar e na outra uma nota de 500 paus. O que é que se passara?
Ao ver um polvo no fundo do mar, o tal caçador foi na sua direcção, devagarinho e sem agitar as águas que é a única maneira de não fazer o polvo fugir e abrir aqueles braços assustadores em todas as direcções. Antes de lá chegar e depois ao espetar-lhe o arpão deve ter sentido aquele sentimento primário que o faz gostar também de rajadas e desportos radicais - o instinto primário do caçador, o perigo, a adrenalina.
Com o polvo no arpão, começou a subida para a tona da água. A meio caminho viu que debaixo do sítio onde estava o polvo estava uma pedrinha sobre qualquer coisa. Voltou atrás, sem ter recuperado o ar na superfície, e levantou a pedra. O espanto maior foi quando debaixo da pedra viu a tal nota de 50o escudos dobradinha em quatro. Para quem já não se lembra, 500 paus há vinte e tal anos era muito dinheiro. Eram notas que eu via muito pouco, nos anos ou no Natal.
Donde se conclui que, além de espertos, os polvos também sabem ser poupadinhos. Que é mais do que se pode dizer de algumas pessoas.

08/07/10

Recompensa

Como os esforços devem ser recompensados e eu quero que os meus filhos sintam que o "trabalho" deles é valorizado cá em casa, demos ao mais velho o jogo dos "macacos acrobatas", que já estreámos esta manhã, e a mais pequena vai receber uma boneca polly pocket, aquelas mini que ocupam as miúdas durante horas e que são caras como o raio por isso só comprámos um conjunto pequenino. O que conta é a intenção.

Totô

Este post foi derrapando até que quase me esqueci dele, mas quero contar esta história. A tartaruga totô deixou-nos há coisa de duas ou três semanas. Os miúdos não deram pela falta dela até que eu puxei pelo assunto. Mostraram-se indignados até que eu lhes disse que a tartaruga já tinha mudado de casa há imenso tempo. E lhes expliquei que se tivesse estado cá este tempo todo sem que eles se preocupassem em dar-lhe comida, lavar o aquário, ver se está ao sol, ver se está viva e bem disposta, já tinha morrido. Encolheram os ombros e concordaram com a minha decisão.
Ontem e hoje fui à escola receber as avaliações dos miúdos. Gosto imenso de falar com as educadoras e de saber as coisas que os meus filhos fazem quando não estou com eles.

07/07/10

Terapia

Isto é um pouco de terapia, não é?

Note to self - a sala de manhã é mais suportável. À tarde é insuportável. Não consigo trabalhar, nem pensar. Que saudades do meu escritório no quarto ao lado do meu, onde está fresco e vejo as árvores...