17/12/10

Antes da vida digital


Nos anos 80, quando não havia facebook, nem linkedin, nem telemóveis, nem quase sequer telefones com memória para os números de telefone, a popularidade de uma pessoa media-se pelo número de cartõezinhos do "Sempre em festa" que tínhamos.
Para quem não se lembra, estes cartões eram pequenos rectângulos de cartão às cores de um dos lados e com um desenho a ilustrar e eram brancos do outro lado. Serviam para partilhar os contactos, tipo os cartões de visita dos adultos, para deixar recados, para escrever dedicatórias, para pedir em namoro e até para marcar território, como etiquetas para mochilas e dossiers. Os cartões vendiam-se em pacotes de 70 ou 80, no "Sempre em festa", que era uma loja super beta nas Amoreiras, que tinha coisas muito cobiçadas.
A minha irmã descobriu em casa dos meus pais uma caixa recheada de pequenos tesouros, que incluía esta colecção de cartões. Tenho a ideia que me faltam imensos, porque lembro-me que tinha muitos azuis e também cor-de-rosa. Um pormenor engraçado era que tanto as raparigas como os rapazes aderiram à moda, que deve ter desaparecido por volta de 1990 ou 91.
Lembro-me que nos entretinhamos a ordenar os cartões e que quase toda a gente tinha um molhinho seu para distribuir. Dos meus, não tenho nenhum.

16/12/10

Pai Natal antecipado

O meu filho mais velho nem queria acreditar quando lhe pedi para abrir o correio e saiu de lá de dentro um envelope castanho em seu nome, que trazia um livro do João Pastel. O tal que ele pediu ao Pai Natal - em quem não acredita - numa carta que lhe tinha escrito.
A história é linda - os senhores da editora Booksmile, que edita o João Pastel, leram aqui a carta, tentaram descobri-lo e decidiram fazer-lhe uma surpresa. Foram uns queridos. E deixaram-no baralhado mais um tempinho.
Por cá, eu vou sempre repetindo "não importa em que é que acreditas. O que é importante no Natal é a magia".

15/12/10

A evolução da espécie


Adorei este poster dos Beatles (que encontrei no blogue A cup of Jo). À venda por 59,99$ no site do autor, Max Dalton, é uma bela prenda de Natal ou de anos para um fã dos fab four. Lá há montes de outros posters divertidos, ideais para decorar o quarto ou o loft (não o meu, que eu não tenho um).
Nota final: eu não quero, só achei giro, ok?

A magia do Natal


Esta é a sala de jantar dos ursinhos. Tem retratos de família, uma casa de bonecas, cortinas, um repasto em cima da mesa e um ar vitoriano chique. É uma das montras do Hamley's, a enorme e famosa loja de brinquedos de Londres. Muitas montras de Londres são assim na altura do Natal, um sonho.
Fazem-me regressar ao Chiado de que falo muito e às montras do Grandella e dos Armazéns do Chiado, há muitos muitos anos, de mão dada com os meus pais e irmãos. Lembro-me facilmente do tempo que passávamos de narizes colados aos enormes vidros, a ver todos os pormenores da cidade dos brinquedos, dos comboios que andavam a circular pela cidade, as bonecas que eu queria ter no sapatinho, se me portasse muito bem o menino Jesus havia de mas trazer.
Nesses armazéns só comprei uma vez uma Barbie, com dinheiro que juntei, já nem sei como, mas deve ter sido do Natal dos meus avós ou de semanadas, custou mil e novecentos escudos. Lembro-me como se fosse hoje e já deve ter sido há 27 anos. Acho que é por isso que o Natal só começa verdadeiramente para mim quando vamos todos ao Chiado ver as montras.
A Hamley's propriamente dita faz-me lembrar da primeira vez que fui a Londres, também com os meus pais e os meus irmãos todos, e em que ficámos encantados com os senhores que anunciavam "self-tying shoelaces" e outras maravilhas do momento na loja. Desta vez, deixámo-nos inebriar com um disco voador mágico, que andamos a aprender a controlar só com a força da mente (eu não, guardo as minhas forças para outras coisas).
Desta vez, as montras do Harrod's ainda eram mais de sonho, já falei delas, com a história do Peter Pan, mas esqueci-me de as fotografar. Nem sequer levei máquina, como quase sempre faço, por achar que vai ser um peso.
Por Lisboa, o que se usa por estes dias são as montras minimalistas - isto é, dispõe-se quase nada, o que é uma tristeza. A Bershka tem umas montras giras este Natal, a recuperar a imagem vintage, tão na moda. Uma outra loja em Campo de Ourique também me surpreendeu, mas não sei o nome, apesar de termos comprado umas coisas bem giras lá.
Tenho pena de não ter fotografado também as montras da Fortnum & Mason, com espectaculares quadros dos mestres a três dimensões, que pareciam saltar na nossa direcção, assim, sem óculos dos men in black nem nada.
Quem sabe de lojas que estejam giras para eu ir ver para a semana com os miúdos quando eles estiverem de férias? (Por enquanto, estou cheia de coragem, já comprei os bilhetes para o autocarro para irmos passear para Lisboa, um dia ao Chiado, um à Avenida de Roma, um à Baixa, um a Campo de Ourique, um, se calhar, ao circo da Feira Popular e ainda hei-de pensar em mais. Claro, aceito sugestões e combinações).

14/12/10

Os perigos de saber ler

Eu a achar que agora tinha de arrumar nas prateleiras mais altas alguns livros eventualmente mais chocantes para escaparem aos olhos de leitor devorador do meu filho e que isso era o suficiente para o proteger das palavras maléficas. Afinal não é assim tão simples.
Numa festa de anos no Fun Center do Colombo, chegámos quando já quase todos estavam sentados na mini montanha-russa, preparados para arrancar na aventura. Pois. Mesmo ao lado das escadas que dão acesso aos carrinhos há umas caixas de luz que têm esta bela inscrição a vermelho "Perigo de morte". Tão certo como 2 mais 2 serem 4, como ele já ensinou à mana, "nem pensem que eu vou andar nisso". E não andou.
Uns amigos, pais de uma colega dele, queixam-se, no mesmo estilo, da carrinha com dizeres de uma sex shop que está quase sempre parada à porta de casa deles. "Mãe, o que é que quer dizer...?"
O mundo pode ser mau... E quem se trama são os pais. Mais uma vez, claro.

11/12/10

A entrar em auto-combustão

O meu cérebro quase que explode nesta altura do ano, tal é a vontade de fazer coisas. Tenho as superfícies todas da casa cobertas de tecidos, tesouras, fitas, galões, botões e muitas outras coisas variadas para fazer presentes.
Hoje fiquei brutalmente frustrada quando foi, literalmente, por água abaixo aquilo que eu considerava o início de uma brilhante carreira a criar os globos de neve mais bonitos do mundo, românticos e naif ao mesmo tempo, recheados de magia e beleza.
Tinha os ingredientes todos, já tinha forrado a tampa do frasco com tecido de xadrez, já tinha colocado um bambi, um pai Natal e um pinheiro sobre o chão de neve, já tinha feito a mistela de glicerina líquida e água, com uns pozinhos de perlimpimpim para parecer neve, já tinha fechado o frasco e estava tudo lindo e perfeito e romântico e naif ao mesmo tempo e ia ser uma prenda mesmo linda e eu olhava embevecida para a minha criação a imaginar a satisfação que os meus sobrinhos iam retirar daquele pedaço de magia, até que...
... a porcaria do frasco não vedava como deve ser e o líquido saiu quase todo do frasco. Fiquei tão irritada que nem sequer tentei recuperar nada.
Lixo.
Próximo.

Orgulho, orgulho, nas três almofadas iguais a esta que "eu fiz". Na realidade, eu só escolhi o tecido, cortei e cosi, com um belo e aprumado ponto atrás, à mão. Houve então um pequeno problema: quando virei o tecido do avesso, os pontos não eram suficientemente fortes para o uso que iriam ter. Lá tive de ir pedir à minha mãe que fizesse verdadeiramente as almofadas. Ficaram lindas, obrigada, mãe.

09/12/10

Lego ou Meccano para o Natal

Keep it simple. Se quando éramos miúdos adorávamos brincar com Lego e com Meccano, é provável que os nossos filhos também gostem. O meu pai brincava com Meccano quando era miúdo - não sei se foi o meu pai que mo disse se fui eu que supus, tal era a animação com que brincava connosco a estes jogos. Estes e o óbvio comboio, no qual não podíamos tocar. Podíamos ver, mas tocar é que não. Descobri mais tarde que quase todos os meus amigos tinham passado pelo mesmo.
Por isso, este ano vamos investir ou num Meccano ou num Lego para o mais velho.

Orgulho

Saiu um artigo lindo sobre o meu avô no Jornal do Fundão. Que orgulho.

07/12/10

Que bela conjugação

A história e as tradições sempre me maravilharam. Sempre adorei entrar em ambientes antigos que se modernizaram, que fazem parte dos dias de hoje, sem terem perdido a sua alma. No mesmo estilo, fazem-me pena os sítios que, tendo sido glamorosos, perderam a sua modernidade, deixaram passar o comboio e apresentam-se assim, meio perdidos, como a casa de uma tia velhota onde nos entristece ir por ter perdido o glamour que lhe atribuíramos na infância.
A pastelaria Aloma, em Campo de Ourique, onde pequeno-almoçei hoje com a minha mãe e a minha irmã, é um desses sítios que soube conjugar o passado com o presente. É antiga, de 1943, mas está cool, mantém o mosaico hidráulico no chão, mantém os armários antigos na parede, mas há ali uma aura de modernidade que gostei de ver. Até a miúda do balcão é hip.
Não sei qual é a história deles, nem se o senhor que está ao balcão é o dono original, nem se foi o (eventual) neto, que está ao seu lado, que o levou a estas alterações, mas já consegui pensar nisso um bocado e inventar um romance...
Aliado à boa onda do espaço, os bolos são uma delícia. Provámos o bolo-Rei e um palmier, delicioso e a parecer caseiro - não há melhor.


(A fotografia é daqui)

Oh, meu Deus

Estou há três minutos a fazer isto e era capaz de continuar por mais uns 15. Esperem só até os meus filhos verem...