25/12/10
24/12/10
O Natal das caixinhas
Já não é deste ano. Aliás, tornou-se mesmo uma das tradições natalícias por excelência. Por estes dias, toda a gente leva, pelo menos, uma caixinha branca para casa. Os com menos tempo ou paciência levam tudo em caixinhas ou caixas grandes, empilhadas umas em cima das outras, os mais tradicionais levam menos.
A tradição agora é começar a experimentar as iguarias nas várias pastelarias, logo no início de Dezembro, para ir vendo quais são as melhores. Quem andar mais distraído já sabe que, ao chegar a véspera de Natal, por norma, as maiores filas indicam onde é que os doces são melhores. E é só entrar e comprar.
Este ano ainda só comi uma filhó, que toda a gente chama coscorão, mas que cá em casa são filhós. E estava boa. E é das coisas que vale a pena comprar feito porque nos dispensa da seca de estar a fritar coisas horas sem fim.
Lembro-me de passar horas a fazer filhós com a minha avó, a misturar os ingredientes todos, a deixar a massa repousar debaixo dos cobertores de papa, a imitar a avó enquanto fazia as rezas mágicas para a massa crescer - sem acreditar muito nessa possibilidade - e depois vê-la, no fim do tempo, enorme, uma bola redonda e luxuosa de massa, que tendíamos fininha e cortávamos com a ferramenta canelada para fazer as melhores filhós que já comi em toda a minha vida. A avó fritava-as, pacientemente, e eu ía comendo o que saía. Uma delícia.
Ontem, fizemos cento e muitas broas de Abrantes, com nozes e mel, a única indulgência típica do Natal que fazemos todos os anos. Estivemos também umas boas horas a fazê-las - a minha mãe mais tempo porque ficou a tirá-las do forno - e ficaram maravilhosas.
Hoje esqueci-me de ir buscar uma caixinha branca pequena de filhós para o jantar. Por isso, a consoada em casa dos meus pais não tem fritos. Nem um. O que até é bom, convenhamos.
A tradição agora é começar a experimentar as iguarias nas várias pastelarias, logo no início de Dezembro, para ir vendo quais são as melhores. Quem andar mais distraído já sabe que, ao chegar a véspera de Natal, por norma, as maiores filas indicam onde é que os doces são melhores. E é só entrar e comprar.
Este ano ainda só comi uma filhó, que toda a gente chama coscorão, mas que cá em casa são filhós. E estava boa. E é das coisas que vale a pena comprar feito porque nos dispensa da seca de estar a fritar coisas horas sem fim.
Lembro-me de passar horas a fazer filhós com a minha avó, a misturar os ingredientes todos, a deixar a massa repousar debaixo dos cobertores de papa, a imitar a avó enquanto fazia as rezas mágicas para a massa crescer - sem acreditar muito nessa possibilidade - e depois vê-la, no fim do tempo, enorme, uma bola redonda e luxuosa de massa, que tendíamos fininha e cortávamos com a ferramenta canelada para fazer as melhores filhós que já comi em toda a minha vida. A avó fritava-as, pacientemente, e eu ía comendo o que saía. Uma delícia.
Ontem, fizemos cento e muitas broas de Abrantes, com nozes e mel, a única indulgência típica do Natal que fazemos todos os anos. Estivemos também umas boas horas a fazê-las - a minha mãe mais tempo porque ficou a tirá-las do forno - e ficaram maravilhosas.
Hoje esqueci-me de ir buscar uma caixinha branca pequena de filhós para o jantar. Por isso, a consoada em casa dos meus pais não tem fritos. Nem um. O que até é bom, convenhamos.
21/12/10
A todo o vapor
Sempre detestei secar o cabelo em casa. A um terço do fim do processo já penso que vou ficar sem o braço que está a segurar no secador e começo a pensar que já está com óptimo aspecto. Por isso, geralmente estico bem as duas partes da frente. Isto porque divido o cabelo em partes. Há uma, de trás, onde nem sequer chego. Depois há três de cada lado da cara, duas mais atrás, duas no meio e mais duas à frente. Nas da frente, se estou com paciência, aplico-me verdadeiramente. Nas de trás, nem por isso. Devo referir que tenho um secador profissional e um ferro de alisar e que são os dois óptimos, não são daquelas manhosices de secadores de viagem com 350 watts. Eu é que não tenho paciência.
Agora, de cada vez que tenho de secar o cabelo aspiro por ter um equipamento como os secadores de mão nucleares que experimentei pela primeira vez no aeroporto de Gatwick e dos quais fiquei fã.
Sabem o que é que isto quer dizer, não sabem? Está na altura de cortar outra vez o cabelo.
Agora, de cada vez que tenho de secar o cabelo aspiro por ter um equipamento como os secadores de mão nucleares que experimentei pela primeira vez no aeroporto de Gatwick e dos quais fiquei fã.
Sabem o que é que isto quer dizer, não sabem? Está na altura de cortar outra vez o cabelo.
18/12/10
Incoerência
Da janela da sala vejo o meu carro a brilhar. Veio ontem da oficina, onde esteve quatro dias para se pôr bom das mazelas provocadas por um grandalhão que não me viu há uns tempos atrás. O meu carro é conhecido por aqui por ter uma certa patine, um je ne sais quoi, e estar, como é que hei-de dizer a descascar. Da janela da sala só vejo o lado que foi pintado. E, esse, está a brilhar.
17/12/10
Antes da vida digital
Nos anos 80, quando não havia facebook, nem linkedin, nem telemóveis, nem quase sequer telefones com memória para os números de telefone, a popularidade de uma pessoa media-se pelo número de cartõezinhos do "Sempre em festa" que tínhamos.
Para quem não se lembra, estes cartões eram pequenos rectângulos de cartão às cores de um dos lados e com um desenho a ilustrar e eram brancos do outro lado. Serviam para partilhar os contactos, tipo os cartões de visita dos adultos, para deixar recados, para escrever dedicatórias, para pedir em namoro e até para marcar território, como etiquetas para mochilas e dossiers. Os cartões vendiam-se em pacotes de 70 ou 80, no "Sempre em festa", que era uma loja super beta nas Amoreiras, que tinha coisas muito cobiçadas.
A minha irmã descobriu em casa dos meus pais uma caixa recheada de pequenos tesouros, que incluía esta colecção de cartões. Tenho a ideia que me faltam imensos, porque lembro-me que tinha muitos azuis e também cor-de-rosa. Um pormenor engraçado era que tanto as raparigas como os rapazes aderiram à moda, que deve ter desaparecido por volta de 1990 ou 91.
Lembro-me que nos entretinhamos a ordenar os cartões e que quase toda a gente tinha um molhinho seu para distribuir. Dos meus, não tenho nenhum.
16/12/10
Pai Natal antecipado
O meu filho mais velho nem queria acreditar quando lhe pedi para abrir o correio e saiu de lá de dentro um envelope castanho em seu nome, que trazia um livro do João Pastel. O tal que ele pediu ao Pai Natal - em quem não acredita - numa carta que lhe tinha escrito.
A história é linda - os senhores da editora Booksmile, que edita o João Pastel, leram aqui a carta, tentaram descobri-lo e decidiram fazer-lhe uma surpresa. Foram uns queridos. E deixaram-no baralhado mais um tempinho.
Por cá, eu vou sempre repetindo "não importa em que é que acreditas. O que é importante no Natal é a magia".
A história é linda - os senhores da editora Booksmile, que edita o João Pastel, leram aqui a carta, tentaram descobri-lo e decidiram fazer-lhe uma surpresa. Foram uns queridos. E deixaram-no baralhado mais um tempinho.
Por cá, eu vou sempre repetindo "não importa em que é que acreditas. O que é importante no Natal é a magia".
15/12/10
A evolução da espécie

Adorei este poster dos Beatles (que encontrei no blogue A cup of Jo). À venda por 59,99$ no site do autor, Max Dalton, é uma bela prenda de Natal ou de anos para um fã dos fab four. Lá há montes de outros posters divertidos, ideais para decorar o quarto ou o loft (não o meu, que eu não tenho um).
Nota final: eu não quero, só achei giro, ok?
A magia do Natal
Esta é a sala de jantar dos ursinhos. Tem retratos de família, uma casa de bonecas, cortinas, um repasto em cima da mesa e um ar vitoriano chique. É uma das montras do Hamley's, a enorme e famosa loja de brinquedos de Londres. Muitas montras de Londres são assim na altura do Natal, um sonho.
Fazem-me regressar ao Chiado de que falo muito e às montras do Grandella e dos Armazéns do Chiado, há muitos muitos anos, de mão dada com os meus pais e irmãos. Lembro-me facilmente do tempo que passávamos de narizes colados aos enormes vidros, a ver todos os pormenores da cidade dos brinquedos, dos comboios que andavam a circular pela cidade, as bonecas que eu queria ter no sapatinho, se me portasse muito bem o menino Jesus havia de mas trazer.
Nesses armazéns só comprei uma vez uma Barbie, com dinheiro que juntei, já nem sei como, mas deve ter sido do Natal dos meus avós ou de semanadas, custou mil e novecentos escudos. Lembro-me como se fosse hoje e já deve ter sido há 27 anos. Acho que é por isso que o Natal só começa verdadeiramente para mim quando vamos todos ao Chiado ver as montras.
A Hamley's propriamente dita faz-me lembrar da primeira vez que fui a Londres, também com os meus pais e os meus irmãos todos, e em que ficámos encantados com os senhores que anunciavam "self-tying shoelaces" e outras maravilhas do momento na loja. Desta vez, deixámo-nos inebriar com um disco voador mágico, que andamos a aprender a controlar só com a força da mente (eu não, guardo as minhas forças para outras coisas).
Desta vez, as montras do Harrod's ainda eram mais de sonho, já falei delas, com a história do Peter Pan, mas esqueci-me de as fotografar. Nem sequer levei máquina, como quase sempre faço, por achar que vai ser um peso.
Por Lisboa, o que se usa por estes dias são as montras minimalistas - isto é, dispõe-se quase nada, o que é uma tristeza. A Bershka tem umas montras giras este Natal, a recuperar a imagem vintage, tão na moda. Uma outra loja em Campo de Ourique também me surpreendeu, mas não sei o nome, apesar de termos comprado umas coisas bem giras lá.
Tenho pena de não ter fotografado também as montras da Fortnum & Mason, com espectaculares quadros dos mestres a três dimensões, que pareciam saltar na nossa direcção, assim, sem óculos dos men in black nem nada.
Quem sabe de lojas que estejam giras para eu ir ver para a semana com os miúdos quando eles estiverem de férias? (Por enquanto, estou cheia de coragem, já comprei os bilhetes para o autocarro para irmos passear para Lisboa, um dia ao Chiado, um à Avenida de Roma, um à Baixa, um a Campo de Ourique, um, se calhar, ao circo da Feira Popular e ainda hei-de pensar em mais. Claro, aceito sugestões e combinações).
14/12/10
Os perigos de saber ler
Eu a achar que agora tinha de arrumar nas prateleiras mais altas alguns livros eventualmente mais chocantes para escaparem aos olhos de leitor devorador do meu filho e que isso era o suficiente para o proteger das palavras maléficas. Afinal não é assim tão simples.
Numa festa de anos no Fun Center do Colombo, chegámos quando já quase todos estavam sentados na mini montanha-russa, preparados para arrancar na aventura. Pois. Mesmo ao lado das escadas que dão acesso aos carrinhos há umas caixas de luz que têm esta bela inscrição a vermelho "Perigo de morte". Tão certo como 2 mais 2 serem 4, como ele já ensinou à mana, "nem pensem que eu vou andar nisso". E não andou.
Uns amigos, pais de uma colega dele, queixam-se, no mesmo estilo, da carrinha com dizeres de uma sex shop que está quase sempre parada à porta de casa deles. "Mãe, o que é que quer dizer...?"
O mundo pode ser mau... E quem se trama são os pais. Mais uma vez, claro.
Numa festa de anos no Fun Center do Colombo, chegámos quando já quase todos estavam sentados na mini montanha-russa, preparados para arrancar na aventura. Pois. Mesmo ao lado das escadas que dão acesso aos carrinhos há umas caixas de luz que têm esta bela inscrição a vermelho "Perigo de morte". Tão certo como 2 mais 2 serem 4, como ele já ensinou à mana, "nem pensem que eu vou andar nisso". E não andou.
Uns amigos, pais de uma colega dele, queixam-se, no mesmo estilo, da carrinha com dizeres de uma sex shop que está quase sempre parada à porta de casa deles. "Mãe, o que é que quer dizer...?"
O mundo pode ser mau... E quem se trama são os pais. Mais uma vez, claro.
11/12/10
A entrar em auto-combustão
O meu cérebro quase que explode nesta altura do ano, tal é a vontade de fazer coisas. Tenho as superfícies todas da casa cobertas de tecidos, tesouras, fitas, galões, botões e muitas outras coisas variadas para fazer presentes.
Hoje fiquei brutalmente frustrada quando foi, literalmente, por água abaixo aquilo que eu considerava o início de uma brilhante carreira a criar os globos de neve mais bonitos do mundo, românticos e naif ao mesmo tempo, recheados de magia e beleza.
Tinha os ingredientes todos, já tinha forrado a tampa do frasco com tecido de xadrez, já tinha colocado um bambi, um pai Natal e um pinheiro sobre o chão de neve, já tinha feito a mistela de glicerina líquida e água, com uns pozinhos de perlimpimpim para parecer neve, já tinha fechado o frasco e estava tudo lindo e perfeito e romântico e naif ao mesmo tempo e ia ser uma prenda mesmo linda e eu olhava embevecida para a minha criação a imaginar a satisfação que os meus sobrinhos iam retirar daquele pedaço de magia, até que...
... a porcaria do frasco não vedava como deve ser e o líquido saiu quase todo do frasco. Fiquei tão irritada que nem sequer tentei recuperar nada.
Lixo.
Próximo.

Orgulho, orgulho, nas três almofadas iguais a esta que "eu fiz". Na realidade, eu só escolhi o tecido, cortei e cosi, com um belo e aprumado ponto atrás, à mão. Houve então um pequeno problema: quando virei o tecido do avesso, os pontos não eram suficientemente fortes para o uso que iriam ter. Lá tive de ir pedir à minha mãe que fizesse verdadeiramente as almofadas. Ficaram lindas, obrigada, mãe.
Hoje fiquei brutalmente frustrada quando foi, literalmente, por água abaixo aquilo que eu considerava o início de uma brilhante carreira a criar os globos de neve mais bonitos do mundo, românticos e naif ao mesmo tempo, recheados de magia e beleza.
Tinha os ingredientes todos, já tinha forrado a tampa do frasco com tecido de xadrez, já tinha colocado um bambi, um pai Natal e um pinheiro sobre o chão de neve, já tinha feito a mistela de glicerina líquida e água, com uns pozinhos de perlimpimpim para parecer neve, já tinha fechado o frasco e estava tudo lindo e perfeito e romântico e naif ao mesmo tempo e ia ser uma prenda mesmo linda e eu olhava embevecida para a minha criação a imaginar a satisfação que os meus sobrinhos iam retirar daquele pedaço de magia, até que...
... a porcaria do frasco não vedava como deve ser e o líquido saiu quase todo do frasco. Fiquei tão irritada que nem sequer tentei recuperar nada.
Lixo.
Próximo.

Orgulho, orgulho, nas três almofadas iguais a esta que "eu fiz". Na realidade, eu só escolhi o tecido, cortei e cosi, com um belo e aprumado ponto atrás, à mão. Houve então um pequeno problema: quando virei o tecido do avesso, os pontos não eram suficientemente fortes para o uso que iriam ter. Lá tive de ir pedir à minha mãe que fizesse verdadeiramente as almofadas. Ficaram lindas, obrigada, mãe.
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