31/01/11

Festas de putos

Acabou-se a saison das festas de miúdos cá em casa.
Para o ano há mais.

Contemplação

Hoje, depois do almoço, apercebo-me de que não preciso de nada para me entregar à contemplação. De nada nem de ninguém. Basta-me ficar. Olhar. Pensar.
Tiro uma hora para não fazer nada, para não pesquisar nada, para não adiantar nada, para não ler nada, para nada. Um luxo.

29/01/11

No Jardim da Estrela

Hoje estou a desenhar de dedos enregelados no Jardim da Estrela. Ciclicamente, passa por nós um homem na sua bicicleta adornada com enfeites do Benfica, levando um rádio aos altos berros com músicas românticas. Olha para nós, um bando de gente de pincel em punho e caderninho aberto a registar estranhas sombras das árvores e da Basílica, e está orgulhoso da tarefa que se auto deu: dar música a quem passeia por aqui.
Não há pássaros, devem estar escondidos do frio nos ninhos.

28/01/11

O relógio

O meu filho que hoje faz sete anos recebeu, logo pela manhã, o primeiro relógio da sua vida. Foi ele que pediu e os avós escolheram um lindo, azul.
"Cinco horas são 300 minutos", disparou, enquanto tentávamos dar-lhe um crash course em ver as horas em relógios analógicos.
E se multiplicarmos os 12 que aí tens por cinco?
"60 minutos - uma hora".

26/01/11

E, de repente,

no meio de tudo isto,
de tanta coisa para fazer,
tanta coisa para arrumar,
tanto trabalho para acabar,
pequenos vislumbres deliciosos
de passeios pela rua,
de bocados de sol,
de banhos no mar,
de roupas novas,
de lençóis suaves,
de coisas giras que já fiz e vou fazer.

24/01/11

21/01/11

Como é que é?

Como é que vamos recordar as coisas que etiquetamos "inesquecíveis" hoje daqui a muitos anos?
Os sorrisos de máxima felicidade dos miúdos, os dias em que reparamos que cresceram imenso durante a noite, os bons momentos, as conversas boas de ter, o tamanho das mãozinhas deles, as típicas mãozinhas peganhentas...
Agora são coisas que valorizamos. E daqui a uns anos?
Quando era miúda pensava nas coisas de que queria lembrar-me. E, raios, não é que não me lembro de uma única dessas coisas "fundamentais"?
Bom fim-de-semana

E depois vou para os 80

Barrigada

Admito. Sou como uma criança quando se fala de doces. Acho que há sempre lugar para mais um. Ou dois. Ou este com uma forma esquisita que ainda não provei. E que é meio verde e roxo. E aquele, que é tão fofinho.
E depois fico sempre levemente enjoada.
Lembro-me de há uns anos, quando as Amoreiras ainda cheiravam a tinta acabada de pintar, ter entregue a uma amiga que lá ia com a mãe uma nota de cinco contos que tinha ganho no Natal para ela me comprar gomas na Jerónimo Martins, que agora se chama Hussel. Cinco contos são mais ou menos 25 euros. E se agora ainda parece muito, imaginem há 23 anos, que é quando isto deve ter acontecido... Uma fortuna.
Agora, acho que acabei de comer aí uns 25 rebuçados minis do Pappabubble, a loja deliciosa de rebuçados da Rua da Conceição, na Baixa. Comprei a dose mista e, lamentavelmente, gostei de todos, como gosto sempre.
A primeira vez que vi este conceito foi em Amsterdão e fiquei aí uma meia hora a olhar para o senhor que, de luvas de mecânico, espremia e esfregava pedaços gigantes de pasta de açúcar, corava umas partes e depois tecia o enredo, consoante o sabor do rebuçado, até fazer pequenas pérolas com mini-morangos, mini-cerejas, mini-melancias, mini-kiwis, mini-maracujás e por aí fora. Há vidas docinhas.

18/01/11

A música

Tenho esta imagem na minha cabeça: a minha casa estava sempre cheia de música.
Agora que penso nisso, só tínhamos um gira-discos na sala que tocava muito raramente e os meus irmãos mais velhos tinham cada um uma aparelhagem, portanto também podia haver música nos quartos. No das miúdas havia o Oceano Pacífico e podíamos adormecer com as músicas mais melosas do momento. E a minha mãe cantava (o dia todo. Depois, muito aos poucos, voltou a cantar).
A minha casa estava sempre cheia de música. Tenho essa imagem na minha cabeça.
E isso é super positivo.