Comecei finalmente a ir ao ginásio com o que espero seja ritmo e, pela primeira vez na vida, estou a gostar. A gostar do ginásio em si, a gostar das pessoas que por lá encontro e a gostar das aulas. Ainda não me queixei a ninguém das dores paralelas, o que me parece um bom sinal.
No ginásio, continuamos a ir para sítios diferentes, eu vou para a esquerda quando o resto da turma vai para a direita, eu vou para a direita quando eles vão para a esquerda, eu vou para a frente quando eles vão para trás e vice-versa. E isso é quando estou coordenada. O pior é quando faço coisas que mais ninguém está a fazer ou quando congelo porque já não me consigo mexer.
A propos, saiu hoje no NYTimes um artigo fantástico que diz que o exercício faz as pessoas ficarem mais novas. Quer dizer, conclui isso, dizendo que os ratos que fazem exercício têm menos cabelos brancos e têm maiores testículos e ovários. Não sei em relação aos testículos propriamente ditos, mas já gostava de não ter tantos cabelos brancos. [O que eu não gosto mesmo é quando amigos de infância ou primos me dizem "eh, estás cheia de cabelos brancos..." como quem diz "eh, conheci-te quando eras pequena e agora estás velha como o raio..."]
Haverá melhor comparação que a de ratos e a de desporto de ginásio? Não há. Portanto, estou à espera de voltar a ter a cabeleira colorida. Só de uma cor. Que não seja branca.
03/03/11
02/03/11
Homens
Acabo de me aperceber que tenho muito mais facilidade em criar personagens homens do que mulheres. Por que será?
O Carnaval
Sempre adorei o Carnaval. Não aquela coisa pirosa do Carnaval brasileiro, que parece que estão todos a levar choques eléctricos nas partes íntimas, mas o Carnaval meio aldrabado a que brincávamos lá em casa.
Éramos nós que arranjávamos qualquer coisa para vestir e só isso era 90 por cento do gozo. Quatro crianças a correr pela casa a tentar construir personagens credíveis a partir de muito pouco era de morrer.
Em casa dos meus pais havia: o fato de minhota da minha mãe, um pedaço enorme de cetim verde água, o vestido da comunhão solene da minha mãe, a colecção de gravatas do meu pai e algumas jóias de pechisbeque e lenços.
Em casa dos meus avós, ao lado da nossa, a coisa mudava de figura: um kimono, tailleurs do nosso tamanho (não percebo porquê, que a minha avó sempre foi alta), chapéus de coco, chapéus de senhora, chapéus de rede, estolas, vestidos variados, lenços e brocados, até o raio das camisas de noite da minha avó eram de sonho. E os laços da casaca e as luvas dos fatos de cerimónia e os xailes e arcas cheias de coisas deliciosas.
Por tudo isto, safámo-nos sempre bem nas máscaras. E nem sequer percebíamos que "aquilo" não eram disfarces perfeitos.
A primeira vez que percebi que havia um outro nível de disfarces foi quando vi o karate kid. Lembro-me de ter babado quando o miúdo se vestiu de chuveiro para uma festa e lembro-me de ter babado também quando vi uma fotografia de uma rapariga mascarada de cabine telefónica, daquelas vermelhinhas.
Não gosto muito dos fatos já perfeitos, brilhantes, de cetim e mega baratos que vêm da China. Por isso, este ano decidi fazer eu, comprando os tecidos, incluindo feltro para fazer uma capa para a princesa...
E o raio do Carnaval é já na sexta, que é também o deadline de um projecto muito importante que estou a fazer.
Por isso, se tiverem boas vibrações enviem-nas para cá, que eu estou a precisar.
Éramos nós que arranjávamos qualquer coisa para vestir e só isso era 90 por cento do gozo. Quatro crianças a correr pela casa a tentar construir personagens credíveis a partir de muito pouco era de morrer.
Em casa dos meus pais havia: o fato de minhota da minha mãe, um pedaço enorme de cetim verde água, o vestido da comunhão solene da minha mãe, a colecção de gravatas do meu pai e algumas jóias de pechisbeque e lenços.
Em casa dos meus avós, ao lado da nossa, a coisa mudava de figura: um kimono, tailleurs do nosso tamanho (não percebo porquê, que a minha avó sempre foi alta), chapéus de coco, chapéus de senhora, chapéus de rede, estolas, vestidos variados, lenços e brocados, até o raio das camisas de noite da minha avó eram de sonho. E os laços da casaca e as luvas dos fatos de cerimónia e os xailes e arcas cheias de coisas deliciosas.
Por tudo isto, safámo-nos sempre bem nas máscaras. E nem sequer percebíamos que "aquilo" não eram disfarces perfeitos.
A primeira vez que percebi que havia um outro nível de disfarces foi quando vi o karate kid. Lembro-me de ter babado quando o miúdo se vestiu de chuveiro para uma festa e lembro-me de ter babado também quando vi uma fotografia de uma rapariga mascarada de cabine telefónica, daquelas vermelhinhas.
Não gosto muito dos fatos já perfeitos, brilhantes, de cetim e mega baratos que vêm da China. Por isso, este ano decidi fazer eu, comprando os tecidos, incluindo feltro para fazer uma capa para a princesa...
E o raio do Carnaval é já na sexta, que é também o deadline de um projecto muito importante que estou a fazer.
Por isso, se tiverem boas vibrações enviem-nas para cá, que eu estou a precisar.
01/03/11
Correr na areia

Sábado tivemos praia. E Sol. Um senhor a fazer de gaivota, equilibrado nas rochas da praia. E água do mar a trepar por nós acima, sem pedir autorização, como se não se importasse de nos ter ali, mas como se não quisesse que partíssemos sem uma recordação. O Guincho é uma praia assim. Nos raros dias em que parece dócil, continua a ser um bicho maluco e temos de ter muito cuidado com ele.
Portanto, o fim-de-semana foi muito bom, entre o Sol de Sábado e o Sol de Domingo, a fazer tempo numa esplanada do Jardim Zoológico, à espera que os miúdos saíssem de uma festa.
Os ténis estão a secar há dois dias à janela. Hoje tenho frio e estou a trabalhar enrolada numa manta.
Ontem morreu o pai de uma amiga e as fotografias dos netos ao colo do avô postas à entrada do velório partiram-me o coração.
25/02/11
I wish
O meu filho corre atrás de mim até ao Multibanco. Ele sabe que preciso de levantar dinheiro para pagar uma visita de estudo, um cinto novo do judo porque passou de nível e também para saldar uma dívida, porque no dia anterior me tinha emprestado dez euros para pagar as quotas dos bombeiros.
E então pergunta:
"mamã, quanto é que vais imprimir?"
E então pergunta:
"mamã, quanto é que vais imprimir?"
Chocolate
Andava há dias a mastigar nesta ideia - pannacotta de chocolate.
Pannacotta, que não quer dizer mais do que natas cozidas (em italiano) e que também não leva quase mais nada do que natas, é uma das sobremesas que faço quando estou sem paciência para nada mais elaborado.
É uma receita super (e quando digo super quero mesmo dizer super) fácil e rápida de fazer e tem uma lista mínima de ingredientes. No final, é uma sobremesa luxuosa, para consumir com moderação porque, afinal de contas, natas são natas.
E então, comecei a pensar em variações e fiz uma bela
Pannacotta de chocolate
1 litro de natas
6 folhas de gelatina transparentes
100 gramas de açúcar
meia tablete de chocolate preto (+ de 70% cacau)
1. Num tacho, levar ao lume as natas e deixar fervilhar durante 5 minutos;
2. Àparte, demolhar as folhas de gelatina em água fria;
3. Passar a forma para a pannacotta por água fria (para ser mais fácil soltar quando for servir);
4. Tirar as natas do lume, misturar bem o açúcar, as folhas de gelatina escorridas e o chocolate partido em pedaços;
5. Deitar na forma e levar ao frigorífico até prender (+/- 6 horas);
6. Desenformar e servir com doce de ginga ou framboesa (de compra, que se liquidifica no micro-ondas ou num tacho sobre o lume).
Fiz a primeira vez para os anos do meu filhote, mas pus só 50 gramas de açúcar e ficou pouco doce. Por isso, decidi dobrar a receita e fica uma delícia. Fica bonito em copinhos individuais para comer com colher de chá.
Aliás, a receita da pannacotta presta-se a muitas variações que congemino, nomeadamente pannacotta com legumes (que é para compensar das calorias monstras que terá). Parece-me um bom side dish. Quando fizer logo partilho os resultados.
[Curiosamente, enquanto estava a escrever este post, recebi um mail de um amigo a pedir que enviasse a receita mais fácil que conheço, a que sei de cor, para uma pessoa - foi fácil, bastou-me fazer copy+paste e depois enviar o pedido de nova receita para 20 amigos. É suposto receber 36 receitas, espero que ninguém falhe.]
Pannacotta, que não quer dizer mais do que natas cozidas (em italiano) e que também não leva quase mais nada do que natas, é uma das sobremesas que faço quando estou sem paciência para nada mais elaborado.
É uma receita super (e quando digo super quero mesmo dizer super) fácil e rápida de fazer e tem uma lista mínima de ingredientes. No final, é uma sobremesa luxuosa, para consumir com moderação porque, afinal de contas, natas são natas.
E então, comecei a pensar em variações e fiz uma bela
Pannacotta de chocolate
1 litro de natas
6 folhas de gelatina transparentes
100 gramas de açúcar
meia tablete de chocolate preto (+ de 70% cacau)
1. Num tacho, levar ao lume as natas e deixar fervilhar durante 5 minutos;
2. Àparte, demolhar as folhas de gelatina em água fria;
3. Passar a forma para a pannacotta por água fria (para ser mais fácil soltar quando for servir);
4. Tirar as natas do lume, misturar bem o açúcar, as folhas de gelatina escorridas e o chocolate partido em pedaços;
5. Deitar na forma e levar ao frigorífico até prender (+/- 6 horas);
6. Desenformar e servir com doce de ginga ou framboesa (de compra, que se liquidifica no micro-ondas ou num tacho sobre o lume).
Fiz a primeira vez para os anos do meu filhote, mas pus só 50 gramas de açúcar e ficou pouco doce. Por isso, decidi dobrar a receita e fica uma delícia. Fica bonito em copinhos individuais para comer com colher de chá.
Aliás, a receita da pannacotta presta-se a muitas variações que congemino, nomeadamente pannacotta com legumes (que é para compensar das calorias monstras que terá). Parece-me um bom side dish. Quando fizer logo partilho os resultados.
[Curiosamente, enquanto estava a escrever este post, recebi um mail de um amigo a pedir que enviasse a receita mais fácil que conheço, a que sei de cor, para uma pessoa - foi fácil, bastou-me fazer copy+paste e depois enviar o pedido de nova receita para 20 amigos. É suposto receber 36 receitas, espero que ninguém falhe.]
22/02/11
21/02/11
Da minha janela
Assim que chego ao trabalho ponho logo os phones nos ouvidos. Consigo reduzir em muito as tentativas de contacto, porque quem se aproxima percebe logo a mensagem. Ainda posso piorar um pouco a coisa fingindo não ouvir quando me chamam.
Precisava de ter mais duas pessoas só para conseguir gerir tudo o que tenho que fazer e, ainda por cima, estou sempre a ser interrompido. O cúmulo? Não tenho pachorra nenhuma para as miúdas que entram aqui com dúvidas parvas "o meu computador encravou, o que é que devo fazer?" ou pior "Aquela coisa ficou toda azul e perdi o meu trabalho todo".
Ctrl+Alt+Del
Reinicia o computador
Para a próxima, grava. Há uma função automática para o fazer.
Sempre as mesmas respostas para as mesmas perguntas. Devem ser parvinhas. "Ah, é verdade, tinha-me esquecido disso." E lá vão, pelo corredor fora, convencidas de que encontraram a solução para a paz no mundo. Há uma que até é gira, a quem não me chateia aturar. Passo por vezes pela sua secretária, dou-lhe dicas para melhorar a visualização do ecrã, alguns shortcuts para o word, que vai enchendo com os seus textos sobre optimização fiscal. Está em forma e vejo-a pela janela a regressar do ginásio depois da hora do almoço, com o cabelo molhado e a rir com as colegas.
Quando volto para casa, faço o mesmo com os phones quando vou no comboio. Vou na minha. Hoje entrou a seguir a mim no elevador do meu prédio a miúda do word. Tive um ataque de riso nervoso e fiz logo o filme todo na minha cabeça, a subida vagarosa e tensa do elevador até minha casa, a aproximação dos corpos, os dois a entrarmos de rompante em minha casa, bolas ficou toda desarrumada de manhã, mas isso não interessa, entramos a chocar contra as paredes, num frenesim de beijos e abraços com que ando a sonhar há meses, desde que a vi regressar do ginásio de cabelo molhado e a rir pela primeira vez. Enfio finalmente as minhas mãos no cabelo dela, quero comunicar, estou a libertar-me finalmente, vou dizer-lhe que gosto dela há meses, é agora,
"Então moras aqui?"
Sim, balbucio, sem querer interromper o sonho que estava a ter.
Que coincidência, o meu namorado também. Para que andar vais?"
Precisava de ter mais duas pessoas só para conseguir gerir tudo o que tenho que fazer e, ainda por cima, estou sempre a ser interrompido. O cúmulo? Não tenho pachorra nenhuma para as miúdas que entram aqui com dúvidas parvas "o meu computador encravou, o que é que devo fazer?" ou pior "Aquela coisa ficou toda azul e perdi o meu trabalho todo".
Ctrl+Alt+Del
Reinicia o computador
Para a próxima, grava. Há uma função automática para o fazer.
Sempre as mesmas respostas para as mesmas perguntas. Devem ser parvinhas. "Ah, é verdade, tinha-me esquecido disso." E lá vão, pelo corredor fora, convencidas de que encontraram a solução para a paz no mundo. Há uma que até é gira, a quem não me chateia aturar. Passo por vezes pela sua secretária, dou-lhe dicas para melhorar a visualização do ecrã, alguns shortcuts para o word, que vai enchendo com os seus textos sobre optimização fiscal. Está em forma e vejo-a pela janela a regressar do ginásio depois da hora do almoço, com o cabelo molhado e a rir com as colegas.
Quando volto para casa, faço o mesmo com os phones quando vou no comboio. Vou na minha. Hoje entrou a seguir a mim no elevador do meu prédio a miúda do word. Tive um ataque de riso nervoso e fiz logo o filme todo na minha cabeça, a subida vagarosa e tensa do elevador até minha casa, a aproximação dos corpos, os dois a entrarmos de rompante em minha casa, bolas ficou toda desarrumada de manhã, mas isso não interessa, entramos a chocar contra as paredes, num frenesim de beijos e abraços com que ando a sonhar há meses, desde que a vi regressar do ginásio de cabelo molhado e a rir pela primeira vez. Enfio finalmente as minhas mãos no cabelo dela, quero comunicar, estou a libertar-me finalmente, vou dizer-lhe que gosto dela há meses, é agora,
"Então moras aqui?"
Sim, balbucio, sem querer interromper o sonho que estava a ter.
Que coincidência, o meu namorado também. Para que andar vais?"
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