25/03/11

Dúvida daquelas

Já várias vezes pensei a que é que cheirará a minha casa. Não para mim, que não devo notar cheiro nenhum porque vivo cá, mas a quem vem de fora.
Isto porque me lembro muitas vezes da casa de uns vizinhos, no prédio dos meus pais, que cheirava sempre a tangerinas, quer fosse Inverno, altura delas, quer fosse Verão. E isto foi no tempo em que a fruta era a da época e não havia cá esquisitices com frutas a virem do outro lado do mundo, em contraciclo com as nossas estações. De longe vinham as raras bananas e já era uma grande sorte. Por isso, desconfio que não havia lá tangerinas o ano todo e que aquilo devia ser algum aroma que punham, tipo detergente ou qualquer coisa.
Só falo do cheiro dessa casa porque foi um cheiro de que nunca gostei. Os primeiros momentos em casa desses vizinhos, devo dizer, metiam-me um bocadinho de nojo, porque era um cheiro que entrava pelas narinas adentro e não havia como fugir-lhe.
Por isso é que penso, a que é que cheirará a minha casa?

Live colorfully by Kate Spade

A Kate Spade consegue sempre encantar-me com qualquer coisa que faça, seja uma clutch em forma de livro, seja uma écharpe, seja um site ou um anúncio. Não tenho nada dela, com grande pena minha, mas, neste caso, os preços impedem a consumação da paixão.
Ontem o anúncio a carteiras, colorido a azul, rosa, laranja e amarelo, saltou de uma revista que comprei na loja do aeroporto (onde adoro ir por ter tantas e tão boas, mas onde vou pouco) e ficou a dizer-me enquanto lia os artigos sobre o que se vai usar na Primavera/Verão:
Live colorfully.
Live colorfully.
Amei. E foi a inspiração para o novo cabeçalho. Não está lindo, bem sei, mas tem o feel que queria que tivesse.
Tenham um bom dia, cheio de cor (ou estão todos no trânsito? Hoje já estive, por pura burrice. Quem me dera estar na praia em vez de estar aqui a fazer o que estou a fazer, não isto do blogue, mas o trabalho irritante que estou a fazer ao mesmo tempo).

23/03/11

La petite bureaucrate

Amo de paixão preencher questionários. A "petite bureaucrate" que habita dentro de mim goza de antecipação a possibilidade de ter longos questionários para preencher. Quantas mais perguntas tiver, melhor. (Também adoro o resultado mágico da agregação hercúlea de dados - somos 10.003.007, vivemos nas cidades, a maior parte das pessoas já tem esgotos em casa e por aí fora).
Acho sempre que podiam perguntar mais coisas - e deixo aqui uma lista para os senhores pensarem para daqui a dez anos:
- gosta de ler?
- é feliz?
- tem televisão?
- gosta do seu trabalho?
- como ocupa os tempos livres?
- a que é que brinca com os seus filhos?
- tem pediatra?
- público ou privado?
- os seus filhos estão no ensino público ou oficial?
- e depois destas duas últimas, como é que consegue ter dinheiro para viver?
- como é que gosta de passar as sextas-feiras à noite?
- o que é para si um dia bem passado?
- como é a sua relação com os seus vizinhos?
E isto tudo com respostas múltiplas, certamente haverá alguém para pensar em muitas perguntas que permitissem, de facto, recolhidos os dados, que se soubesse quem somos e o que fazemos.
Apesar de gostar de preencher estas coisas, por outro lado, a pequena desconfiada que há em mim pensa sempre "será que estes dados que tão alegremente partilho irão, algum dia, virar-se contra mim?", ao mesmo tempo que escrevo ou dedilho dados e dados sem fim. Alguns sei-os de cor, é mais fácil preencher, outros tenho de puxar papéis, recuperar informação.
Amo. Se alguém quiser ajuda para preencher os seus Censos 2011, eu dou.

O catálogo dos sonhos

Insistes e voltas a insistir:
"Mas com que é que tu sonhas?"
E eu, que como já te disse, acho que a noite é para dormir, digo-te,
De noite durmo. Prefiro sonhar de dia. E passo o dia a sonhar, nas coisas que hei-de fazer, nas que fiz, nas que gostava de ver, nas que gostava de fazer, onde gostava de ir...
Insistes, pressionas. Contas os teus sonhos, claros como água, alguns querem dizer coisas concretas, outros são misteriosos. Pressionas mais um pouco, lá puxo pela cabeça, o problema é que não me lembro do que sonhei quando acordo,
Sabes? Eu acho que tenho o sono muito pesado, sonho também de noite, mas geralmente só me lembro de sonhos perturbadores e, graças a Deus, esses sonhos agora são raros.
"Mas como?"
sei lá...
Olha, a última vez que me lembro de ter tido um sonho foi na noite em que fomos ver o Cisne negro. E aí sonhei. Passei a noite a sonhar, um sonho peganhento, que não se foi embora depois de acordar, por muito que eu o sacudisse e que, ainda hoje, salta nos meus olhos. Um sonho pesadelo, que ainda não digeri completamente. Começa com a sequência mais angustiante do filme, em que a bailarina rodopia sem parar, mesmo no final, não sei quem está a dançar, acho que não sou eu, é alguém em sofrimento, com uma intensidade frenética e arrepiante. Aterrador. E ao fim de um bom bocado de rodas alucinantes - em que sinto a dor que deve estar no arco do pé, nos tendões castigados pela vaidade, do ego esmagado e recuperado, já não é a bailarina que dança. É a imagem dos braços abertos do meu primo igual ao meu irmão. E acordo mal-disposta e esmagada, mais uma vez, pela constatação de que ele não está cá.
Falamos mais um pouco, tu adormeces.
Eu vou para a sala, fico sem dormir até às duas ou às três.
Pressionada, hoje sonhei que estava outra vez a preparar a festa do nosso casamento. Andava num autocarro maluco, que seguia a 200 à hora, passando por estradas totalmente esburacadas. Tinha um condutor e um assistente, sentado duas filas atrás, que ia dando instruções:
"Estás a ver aquele buraco? Acelera como fazemos nos carros." E passo, de uma terra para outra, à procura de um bonito palácio - estão todos arruinados, mas têm aquela beleza que sabes que encontro nas casas antigas-, do edifício de um tribunal que agora é a fachada de um centro comercial, de uma clareira passo para a outra, a discutir talheres, toalhas e pratos.
Depois acordei. Se perceberes o que é, diz. Eu acho que quer dizer que eu gosto de festas... Enjoy.

21/03/11

Dia de "eu"

Hoje acordei com 34 anos. Tranquilo, é igual aos 33. Os miúdos acordaram em grande excitação, aos pulos "parabéns mamã". Que bem que me sabe fazer anos na vossa língua. Ainda foram para a escola a comemorar o acontecimento, depois de me terem dado uma prenda, que estrearam mesmo antes de sair de casa.
Eu não suspeitava o que seria - o miúdo mais velho só descreveu aí umas 50 vezes o que ia ser a prenda, onde tinham comprado, tinham ido ver o preço cá mas tinham comprado na net, porque "cá era muito mais caro", como iria chegar cá a casa, "cá a casa não, ao escritório do pai, que é para não seres tu a receber a prenda, sabias que isso era possível mãe?" e, finalmente, deixado escapar concretamente o que seria a prenda, aí mais umas 30 vezes, repetindo depois baixinho "mas quando abrires finge que não sabes o que é, ok?"
E assim fiz.
Deixei-os na escola, mesmo a tempo de uma amiga me oferecer um café e um bocadinho de conversa comemorativos do dia. Almoço no Largo, no Chiado, com um clássico debaixo do braço, oferecido pelo maridinho querido. O jantar com os meus pais foi em casa da minha irmã, com direito a um concerto dado pelas primas mais pequenas, com os mais crescidos a dançar na orla da sala. Prendas muito queridas e iguais às que eu escolheria para mim. Genial.
O telefone tocou e voltou a tocar, o que é sempre bom e me faz sentir especial e contente e feliz - é assim com toda a gente? -, mas o facebook tem estado imparável. Diferentes maneiras de celebrar.
E se há coisa de que eu gosto é de fazer anos. Pois é. Obrigada a quem ligou, apareceu, smsou ou congratulou. Adorei.

19/03/11

Estar atenta

Hoje dois candeeiros públicos, um na Baixa outro em Santos, estiveram entretidos a brincar comigo, acende apaga acende apaga, para se certificarem de que eu os via. Vejo. Vejo tudo.

A lua

Vamos de mão dada buscar um filme depois do jantar.
Olha, já viste a lua? Está tão grande!
"pois está, mamã. Quem foi que encheu?

17/03/11

Feliz/triste

Dizes, com o maior sorriso do mundo,
"Bom dia, senhor..."
E fazes um senhor o mais feliz do mundo. E depois acrescentas:
"... senhor velhote".

16/03/11

Handyperson

Cá por casa a handyperson sou eu. Desculpa amigo, mas é verdade. Eu dizer-te que as paredes estão a cair aos bocados ou que está Sol é-te igual. Tenho uma lista de coisas para arranjar, algumas que não me aventuro a fazer, mas aproveito os minutos mortos enquanto espero por aprovações de trabalho para arranjar algumas coisinhas cá em casa.
Hoje pus silicone nas juntas da bancada da cozinha e na banheira da nossa casa de banho e parecia uma profissional, usando o dedo molhado para alisar o silicone e tudo - é claro que tive um panic moment quando vi que tinha as mãos todas brancas do silicone e li na embalagem que aquilo era irritante para a pele. Acabou por sair, mas só depois de ter lavado as mãos com água quase a ferver e detergente "dá para mais de 700 lavagens" e de ter esfregado com uma toalha de cozinha.
Na sena arranjadeira, arranjei também a máquina de café, com a preciosa ajuda de um rapaz muito simpático da Nespresso. Não era nada de grave, mas estava a emperrar e coisas que emperram irritam-me. Me likey coisas arranjadas.

Brio

E o que eu amo os senhores do Brio? Além de terem aberto um mega supermercado lindão ao pé de mim, foram tão queridos com os meus filhos na semana passada, mas tão queridos, que ganharam aqui uma fiel amiga.
Não é só pelos produtos. Porque eu adoro o que lá vendem, desde a carne, a fruta e os legumes, adoro as gingas congeladas, adoro os frutos secos, os queijos, as bolachas e os chocolates. Adoro os detergentes ecológicos, que deixam a roupa suave suave.
Com o Brio por aqui, deixei de ter de atravessar toda a 2ª circular até Figo Maduro para ter produtos biológicos de qualidade.
E ao serem pacientes e queridos com miúdos a fazerem disparates só ganham. Porque o bom serviço ao cliente está nestas pequenas coisas.
Só é pena não terem pães com nomes esquisitos.