Ponto de partida: Eu até gosto de andar de transportes.
Gostava de ter o metro de Londres à porta de casa. Não me importava de apanhar o funicular da Nazaré todos os dias. Não me importava, calculo, porque nunca lá estive, de apanhar o elevador para o Cristo Rei da Bahia. Gostava de andar de riquexó em Xangai, onde também nunca estive - mas um riquexó não é propriamente um transporte público...
O que eu não gosto é de estar à espera montes de tempo numa paragem onde o máximo que posso ganhar é pó e poluição. Snob? Honesta.
Aqui passam dois, três, cinco, 10 autocarros para os mais variados sítios e nenhum me levará a casa. Levantam-me a saia com um vento quente e peganhento e passam até à paragem seguinte. O relógio marca 10, 20, 30 minutos de espera, de tempo que já passou, de tempo que não estive com os meus filhos a comemorar o fim da escola.
Uma ambulância chega para socorrer uma senhora que se sentiu mal, terá tido uma quebra de tensão? Levava a filha ao colo, quando entrou no autocarro. A pequenita chora agora ao colo de uma rapariga que nunca mais vai ver. Ela bem tenta animá-la, mas ver a mãe envolta em bombeiros também me assustaria a mim e julgo que também berraria e esticaria os braços para tirar a distância entre nós, o vidro do autocarro que nos separa.
Finalmente aparece o 7, cheio de gente, vou de pé ao lado de uma bebé quase recém nascida. Tenho fome. Estou farta do dia.
01/07/11
30/06/11
Os tios velhotes
Anteontem morreu mais um tio avô velhote, irmão do tio que faleceu há 15 dias.
Um tio reservado, muito privado, mas muito afectuoso e que sempre me recebeu de braços abertos na sua casa do jardim.
A senhora que tomou conta dele nos últimos 20 anos contou-me de olhos rasos de lágrimas que os biscoitos de que eu mais gostava quando lá ía eram os esquecidos, os preferidos do tio que ela fazia todas as semanas. É uma boa recordação, a que tenho da sua casa das escadas enormes até ao primeiro andar.
Ficaram duas manas tristes de uma equipa que já foi de oito irmãos.
É, mais uma vez, a parte triste de ter uma família grande.
Um tio reservado, muito privado, mas muito afectuoso e que sempre me recebeu de braços abertos na sua casa do jardim.
A senhora que tomou conta dele nos últimos 20 anos contou-me de olhos rasos de lágrimas que os biscoitos de que eu mais gostava quando lá ía eram os esquecidos, os preferidos do tio que ela fazia todas as semanas. É uma boa recordação, a que tenho da sua casa das escadas enormes até ao primeiro andar.
Ficaram duas manas tristes de uma equipa que já foi de oito irmãos.
É, mais uma vez, a parte triste de ter uma família grande.
22/06/11
Ora bolas
Hoje tive 20 minutos livres para ir às compras/ver montras. Vi imensas coisas de que gostei mas não tive coragem de comprar nenhuma - sintoma da porcaria da crise? Até consegui resistir a uma pulseira com aspecto de rebuçado às riscas vermelhas e brancas, que era baratinha
Preciso de muitas coisas...
Preciso de muitas coisas...
Viva a nova presidente
Eu não sou feminista, mas gostei muito de saber que o novo presidente da Assembleia da República é a nova presidente.
Assunção Esteves, além de ser muito inteligente, é muito divertida. Jantámos uma vez, há muito tempo atrás, com um amigo comum, e ri-me a noite toda. Foi uma diversão. Está seguramente preparada para a galhofa do Parlamento.
Boa sorte.
Assunção Esteves, além de ser muito inteligente, é muito divertida. Jantámos uma vez, há muito tempo atrás, com um amigo comum, e ri-me a noite toda. Foi uma diversão. Está seguramente preparada para a galhofa do Parlamento.
Boa sorte.
A bola
Correm, cansam-se, correm mais um pouco, zangam-se, fazem as pazes, caem, levantam-se, caem outra vez, gritam palavras de ordem. "Aqui, estou sozinho. Chuta. Golo"
Os rapazes unificam-se em torno de uma bola com uma facilidade que sempre me surpreende. Amigos para sempre.
E o nome? Como se chama o teu amigo? Pergunto.
"Não sei", encolhe os ombros, enquanto volta apressado para o jogo. E no fim revemos juntos as melhores jogadas, eu a pensar o que há-de ser o jantar, o que vou fazer à noite quando estiverem a dormir, ele a sonhar com os passes, as fintas, os golos, a bola.
"Viste o golo que eu marquei?" Vi, claro, as mães vêm tudo.
Se há miúdas, elas tentam agarrar a bola com as mãos, eles exasperam. São os genes, mais uma vez. Eu não, eu gosto de chutar a bola, gosto de correr atrás dela, gosto de jogar com ele à bola. Não tenho pachorra é para regras. "Agora é à parede, agora eu sou primeiro e depois tu..."
Ontem fizemos um mega piquenique para comemorar a chegada do Verão. Dez putos a correr no jardim. Tivemos direito a formigas e tudo. Foi muito divertido.
Os rapazes unificam-se em torno de uma bola com uma facilidade que sempre me surpreende. Amigos para sempre.
E o nome? Como se chama o teu amigo? Pergunto.
"Não sei", encolhe os ombros, enquanto volta apressado para o jogo. E no fim revemos juntos as melhores jogadas, eu a pensar o que há-de ser o jantar, o que vou fazer à noite quando estiverem a dormir, ele a sonhar com os passes, as fintas, os golos, a bola.
"Viste o golo que eu marquei?" Vi, claro, as mães vêm tudo.
Se há miúdas, elas tentam agarrar a bola com as mãos, eles exasperam. São os genes, mais uma vez. Eu não, eu gosto de chutar a bola, gosto de correr atrás dela, gosto de jogar com ele à bola. Não tenho pachorra é para regras. "Agora é à parede, agora eu sou primeiro e depois tu..."
Ontem fizemos um mega piquenique para comemorar a chegada do Verão. Dez putos a correr no jardim. Tivemos direito a formigas e tudo. Foi muito divertido.
20/06/11
Na sala de espera
Miúda, estamos à espera que voltes do bloco operatório, onde foste tratar o teu olhinho. É tramada esta espera, 45 minutos a uma hora e meia.
Entraste sentadinha na maca, pacífica e satisfeita, não tens medo, não choras, não gritas, não te deitas no chão a espernear - era o que eu faria. Primeiro ainda fizeste uma resistência inicial a vestires o "vestido de noite" e a tirares os sapatos, mas depois passou, quando abriste os presentes que trouxemos.
Podes, ou não, ficar com uns tubinhos transparentes no olho, durante uns meses. Hoje e amanhã ficas com o olho tapado. Podes fazer gelo, vais adorar isso.
O papá está ali fora à tua espera, à espera de notícias. Tenho uma revista aberta no colo, mas não sei o que lá se passa. Estas esperas são chatas. Tenho um nó no estômago.
És a coisa mais querida do mundo.
(já acabou, correu tudo bem. Acordas zangada, danada mesmo com o penso do olho, que sairá amanhã, mas não me ralo. O papá já "autoriza" brincos. Boa.)
Entraste sentadinha na maca, pacífica e satisfeita, não tens medo, não choras, não gritas, não te deitas no chão a espernear - era o que eu faria. Primeiro ainda fizeste uma resistência inicial a vestires o "vestido de noite" e a tirares os sapatos, mas depois passou, quando abriste os presentes que trouxemos.
Podes, ou não, ficar com uns tubinhos transparentes no olho, durante uns meses. Hoje e amanhã ficas com o olho tapado. Podes fazer gelo, vais adorar isso.
O papá está ali fora à tua espera, à espera de notícias. Tenho uma revista aberta no colo, mas não sei o que lá se passa. Estas esperas são chatas. Tenho um nó no estômago.
És a coisa mais querida do mundo.
(já acabou, correu tudo bem. Acordas zangada, danada mesmo com o penso do olho, que sairá amanhã, mas não me ralo. O papá já "autoriza" brincos. Boa.)
19/06/11
Sensibilidade e bom senso
Olha, já vai ser na segunda.
"E ela está bem?"
Ela nem sonha.
"Mas como é que tu te sentes?"
"E ela está bem?"
Ela nem sonha.
"Mas como é que tu te sentes?"
16/06/11
Um pincel?
"Quanto ao resto, toalheiros e espelho, tudo bem, mas um pincel para a casa de banho, filha? Não digas a ninguém que foi o tio que to deu."
Adoro quando ficamos com bocadinhos bons das pessoas que partem. Ficou o bom humor. Ficou a abrangência: gente que gosta do tio dos zero aos quase cem anos.
Adoro quando ficamos com bocadinhos bons das pessoas que partem. Ficou o bom humor. Ficou a abrangência: gente que gosta do tio dos zero aos quase cem anos.
15/06/11
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