Já tive tempo para pensar o que é que é que faz com que sinta tanta emoção por saber que partiste, além da óbvia questão de seres estupidamente novo para isso. Já remoí as vezes todas que nos encontrámos, desde que nos conhecemos em Nova Iorque há dez anos, e eramos sete ou oito enfiados na traseira de uma limusine à saída do aeroporto a rir o caminho todo. Lembrei-me do resto desses dias em que andámos a passear por essa cidade estrondosa e de todos os outros em que te encontrámos depois, fosse na rua a comprar prendas para alguém ou com hora marcada para a conversa. Desde uma monumental celebração prévia de um cargo que fizemos a quatro no Casanostra, para comemorar algo que depois não se efectivou, a mais um jantar muito divertido de onde saímos com dores na barriga de tanto rir.
E o que fica e que penso justificar o choque que sentimos quando soubemos que morreste é o sentido de humor, a inteligência e a intensidade que punhas em tudo.
Temos saudades.
08/07/11
07/07/11
Pequenas mentiras entre amigos
Brutal! Há meses que não vinhamos ao cinema e hoje tivemos uma borla, o que é super raro, e está a ser bom demais!
News of the world
A Inglaterra e o resto do mundo são apanhados de surpresa com o súbito anúncio do encerramento do tablóide inglês News of the world.
As nojentas escutas a particulares envolvidos em crimes violentos ou qualquer outro motivo foram só o passar de mais uma linha. Aliás, é muito isso que muitos jornais e revistas fazem cada vez mais todos os dias em maior ou menor escala. Expor o drama, suor, sangue e lágrimas de famosos e, cada vez mais, foi esse o caso do News of the world, também de particulares.
Com a medida de encerrar já o jornal, Murdoch, que não fica livre da investigação policial, eleva, contudo, a barra que andava a baixar demais.
As nojentas escutas a particulares envolvidos em crimes violentos ou qualquer outro motivo foram só o passar de mais uma linha. Aliás, é muito isso que muitos jornais e revistas fazem cada vez mais todos os dias em maior ou menor escala. Expor o drama, suor, sangue e lágrimas de famosos e, cada vez mais, foi esse o caso do News of the world, também de particulares.
Com a medida de encerrar já o jornal, Murdoch, que não fica livre da investigação policial, eleva, contudo, a barra que andava a baixar demais.
06/07/11
Lixo?
E se largassem o osso, ó imbecis das agências? Nós somos cumpridores, estamos a tentar levantar esta porcaria, trabalhando mais e pagando mais impostos, parece que nem prendas no Natal vamos comprar (disclaimer: eu não tenho subsídio de Natal). Dá para irem chagar o Obama?
05/07/11
Veneno
04/07/11
Compulsiva
Há coisas em que acho que sou um bocadinho compulsiva. Ler livros bons é uma delas, mas não tenho pachorra para ler o que dizem os críticos. Gosto mais do boca-a-boca ou de ter pontaria, o que é mais difícil.
Depois de um conselho em que confio sempre, andava a adiar a leitura do livro "O jogo do anjo", de Carlos Ruiz Zafón, porque o exemplar que me emprestaram estava longe.
No fim de semana passado, deitei-lhe a mão e foi um ver se te avias. Despachei as 568 páginas num instante, presa nas descrições fantásticas e, confesso, um bocadinho assustadoras, da Barcelona do início do século passado feitas pelo autor.
Um bom romance, cinematográfico, mesmo como eu gosto.
Compulsivamente, como se preze, estou sentada sobre "A sombra do vento", do mesmo autor, de dedos cruzados, esperando não ter um desapontamento.
Foi assim que li todos os livros do João Aguiar, depois do conselho do professor de literatura portuguesa da faculdade - um dos poucos de que ainda me lembro.
Depois conto o que achei deste.
Depois de um conselho em que confio sempre, andava a adiar a leitura do livro "O jogo do anjo", de Carlos Ruiz Zafón, porque o exemplar que me emprestaram estava longe.
No fim de semana passado, deitei-lhe a mão e foi um ver se te avias. Despachei as 568 páginas num instante, presa nas descrições fantásticas e, confesso, um bocadinho assustadoras, da Barcelona do início do século passado feitas pelo autor.
Um bom romance, cinematográfico, mesmo como eu gosto.
Compulsivamente, como se preze, estou sentada sobre "A sombra do vento", do mesmo autor, de dedos cruzados, esperando não ter um desapontamento.
Foi assim que li todos os livros do João Aguiar, depois do conselho do professor de literatura portuguesa da faculdade - um dos poucos de que ainda me lembro.
Depois conto o que achei deste.
Bezerrinha de férias
A mais pequenita está de férias com os avós e com as primas desde ontem e, citando o pai, "a casa até parece que está vazia". O mais velho, de férias também, mas desportivas, quer fazer as rotinas da mana. É tão bom ter uma família.
Espelho para ti
Se nada mais indicasse que Portugal está em mais ou menos maus lençóis, agora são os portugueses que são expulsos de Angola.
01/07/11
Na paragem
Ponto de partida: Eu até gosto de andar de transportes.
Gostava de ter o metro de Londres à porta de casa. Não me importava de apanhar o funicular da Nazaré todos os dias. Não me importava, calculo, porque nunca lá estive, de apanhar o elevador para o Cristo Rei da Bahia. Gostava de andar de riquexó em Xangai, onde também nunca estive - mas um riquexó não é propriamente um transporte público...
O que eu não gosto é de estar à espera montes de tempo numa paragem onde o máximo que posso ganhar é pó e poluição. Snob? Honesta.
Aqui passam dois, três, cinco, 10 autocarros para os mais variados sítios e nenhum me levará a casa. Levantam-me a saia com um vento quente e peganhento e passam até à paragem seguinte. O relógio marca 10, 20, 30 minutos de espera, de tempo que já passou, de tempo que não estive com os meus filhos a comemorar o fim da escola.
Uma ambulância chega para socorrer uma senhora que se sentiu mal, terá tido uma quebra de tensão? Levava a filha ao colo, quando entrou no autocarro. A pequenita chora agora ao colo de uma rapariga que nunca mais vai ver. Ela bem tenta animá-la, mas ver a mãe envolta em bombeiros também me assustaria a mim e julgo que também berraria e esticaria os braços para tirar a distância entre nós, o vidro do autocarro que nos separa.
Finalmente aparece o 7, cheio de gente, vou de pé ao lado de uma bebé quase recém nascida. Tenho fome. Estou farta do dia.
Gostava de ter o metro de Londres à porta de casa. Não me importava de apanhar o funicular da Nazaré todos os dias. Não me importava, calculo, porque nunca lá estive, de apanhar o elevador para o Cristo Rei da Bahia. Gostava de andar de riquexó em Xangai, onde também nunca estive - mas um riquexó não é propriamente um transporte público...
O que eu não gosto é de estar à espera montes de tempo numa paragem onde o máximo que posso ganhar é pó e poluição. Snob? Honesta.
Aqui passam dois, três, cinco, 10 autocarros para os mais variados sítios e nenhum me levará a casa. Levantam-me a saia com um vento quente e peganhento e passam até à paragem seguinte. O relógio marca 10, 20, 30 minutos de espera, de tempo que já passou, de tempo que não estive com os meus filhos a comemorar o fim da escola.
Uma ambulância chega para socorrer uma senhora que se sentiu mal, terá tido uma quebra de tensão? Levava a filha ao colo, quando entrou no autocarro. A pequenita chora agora ao colo de uma rapariga que nunca mais vai ver. Ela bem tenta animá-la, mas ver a mãe envolta em bombeiros também me assustaria a mim e julgo que também berraria e esticaria os braços para tirar a distância entre nós, o vidro do autocarro que nos separa.
Finalmente aparece o 7, cheio de gente, vou de pé ao lado de uma bebé quase recém nascida. Tenho fome. Estou farta do dia.
30/06/11
Os tios velhotes
Anteontem morreu mais um tio avô velhote, irmão do tio que faleceu há 15 dias.
Um tio reservado, muito privado, mas muito afectuoso e que sempre me recebeu de braços abertos na sua casa do jardim.
A senhora que tomou conta dele nos últimos 20 anos contou-me de olhos rasos de lágrimas que os biscoitos de que eu mais gostava quando lá ía eram os esquecidos, os preferidos do tio que ela fazia todas as semanas. É uma boa recordação, a que tenho da sua casa das escadas enormes até ao primeiro andar.
Ficaram duas manas tristes de uma equipa que já foi de oito irmãos.
É, mais uma vez, a parte triste de ter uma família grande.
Um tio reservado, muito privado, mas muito afectuoso e que sempre me recebeu de braços abertos na sua casa do jardim.
A senhora que tomou conta dele nos últimos 20 anos contou-me de olhos rasos de lágrimas que os biscoitos de que eu mais gostava quando lá ía eram os esquecidos, os preferidos do tio que ela fazia todas as semanas. É uma boa recordação, a que tenho da sua casa das escadas enormes até ao primeiro andar.
Ficaram duas manas tristes de uma equipa que já foi de oito irmãos.
É, mais uma vez, a parte triste de ter uma família grande.
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