11/07/11

Mergulhar

Debaixo de água tens assim uma espécie de uma superioridade natural sobre mim. As luzes difusas, os ruídos abafados, o ambiente estranho, fazem com que dependa de ti mais do que gosto de admitir. É uma situação desconfortável para mim. Mas sinto-me bem lá em baixo. Gosto de me perder a procurar peixes e conchinhas, rochas e animais estranhos. Não gosto da sensação de perigo, de dependência. Isso nunca gostei. Por isso, obrigo-me a procurar-te, mais uma vez. Dás-me a mão, paternalista, controlas o meu oxigénio, perguntas por sinais se está tudo bem, respondo que sim, tudo ok. Mas mastigo esta desagradável sensação de depender de ti, quando na vida real dependo tão pouco.
Vejo passar um cardume de sargos. Brilham sob a luz filtrada do Sol, parecem pequenos espelhos voadores a insinuarem-se, ora perto ora longe de nós. Movem-se em unidade, são quase como um só, num bailado prateado e privado, só para mim. Penso outra vez "o que pensarão de nós?", mas sei que isso não interessa nada, porque não se consegue ter uma conversa filosófica com um peixe.
Mais tarde, já a caminho da superfície, libertando bolinhas, numa espécie de renascimento, voltando a respirar sem botijas, olho para ti novamente e já não sinto nada. Já não és mais, está tudo normal de novo. No barco comemos uma sandes deliciosa de atum e está tudo bem.

Como as crianças consomem pornografia

A pergunta da capa da Sábado da semana passada é apelativa q.b. para um adulto com filhos. Para um filho é ainda mais, como percebi ontem enquanto lia descontraidamente as primeiras páginas da revista depois do almoço e o meu filho se pôs aos meus pés a ler o dito título. Como não perguntou "o que é que isso quer dizer?", como faz sempre que encontra alguma coisa que não percebe, presumo que tenha percebido pelo resto do título "às escondidas dos pais" ou "sem os pais saberem", que era um assunto tabu e saiu envergonhado (obviamente sem perceber porquê) do pé de mim. Confesso que fiquei irritada e já não acabei de ler a revista.

08/07/11

Ó Diogo

Já tive tempo para pensar o que é que é que faz com que sinta tanta emoção por saber que partiste, além da óbvia questão de seres estupidamente novo para isso. Já remoí as vezes todas que nos encontrámos, desde que nos conhecemos em Nova Iorque há dez anos, e eramos sete ou oito enfiados na traseira de uma limusine à saída do aeroporto a rir o caminho todo. Lembrei-me do resto desses dias em que andámos a passear por essa cidade estrondosa e de todos os outros em que te encontrámos depois, fosse na rua a comprar prendas para alguém ou com hora marcada para a conversa. Desde uma monumental celebração prévia de um cargo que fizemos a quatro no Casanostra, para comemorar algo que depois não se efectivou, a mais um jantar muito divertido de onde saímos com dores na barriga de tanto rir.
E o que fica e que penso justificar o choque que sentimos quando soubemos que morreste é o sentido de humor, a inteligência e a intensidade que punhas em tudo.
Temos saudades.

07/07/11

Pequenas mentiras entre amigos

Brutal! Há meses que não vinhamos ao cinema e hoje tivemos uma borla, o que é super raro, e está a ser bom demais!

News of the world

A Inglaterra e o resto do mundo são apanhados de surpresa com o súbito anúncio do encerramento do tablóide inglês News of the world.
As nojentas escutas a particulares envolvidos em crimes violentos ou qualquer outro motivo foram só o passar de mais uma linha. Aliás, é muito isso que muitos jornais e revistas fazem cada vez mais todos os dias em maior ou menor escala. Expor o drama, suor, sangue e lágrimas de famosos e, cada vez mais, foi esse o caso do News of the world, também de particulares.
Com a medida de encerrar já o jornal, Murdoch, que não fica livre da investigação policial, eleva, contudo, a barra que andava a baixar demais.

06/07/11

Lixo?

E se largassem o osso, ó imbecis das agências? Nós somos cumpridores, estamos a tentar levantar esta porcaria, trabalhando mais e pagando mais impostos, parece que nem prendas no Natal vamos comprar (disclaimer: eu não tenho subsídio de Natal). Dá para irem chagar o Obama?

05/07/11

Veneno


Não costumo ser assim, mas será possível alguma foto mais pirosa? Esta é a fotografia oficial do casamento real do Mónaco. Bem sei que não têm grande sorte, porque a escadaria, só por si, já é super pirosa, mas escusavam de se postar assim nestas figurinhas ridículas. Acho.

04/07/11

Compulsiva

Há coisas em que acho que sou um bocadinho compulsiva. Ler livros bons é uma delas, mas não tenho pachorra para ler o que dizem os críticos. Gosto mais do boca-a-boca ou de ter pontaria, o que é mais difícil.
Depois de um conselho em que confio sempre, andava a adiar a leitura do livro "O jogo do anjo", de Carlos Ruiz Zafón, porque o exemplar que me emprestaram estava longe.
No fim de semana passado, deitei-lhe a mão e foi um ver se te avias. Despachei as 568 páginas num instante, presa nas descrições fantásticas e, confesso, um bocadinho assustadoras, da Barcelona do início do século passado feitas pelo autor.
Um bom romance, cinematográfico, mesmo como eu gosto.
Compulsivamente, como se preze, estou sentada sobre "A sombra do vento", do mesmo autor, de dedos cruzados, esperando não ter um desapontamento.
Foi assim que li todos os livros do João Aguiar, depois do conselho do professor de literatura portuguesa da faculdade - um dos poucos de que ainda me lembro.
Depois conto o que achei deste.

Bezerrinha de férias

A mais pequenita está de férias com os avós e com as primas desde ontem e, citando o pai, "a casa até parece que está vazia". O mais velho, de férias também, mas desportivas, quer fazer as rotinas da mana. É tão bom ter uma família.

Espelho para ti

Se nada mais indicasse que Portugal está em mais ou menos maus lençóis, agora são os portugueses que são expulsos de Angola.