25/07/11

Desejos esquisitos

No andar de baixo, a minha irmã regressada das compras diz à minha mãe que trouxe amaciador e nestum e subitamente, a única coisa que quero fazer na vida - agora que estou deitadinha na cama a ler o cómico "uma questão de atração", de David Nichols - é comer nestum. Um prato grande. Daqueles em que a colher fica em pé, polvilhado com flocos não dissolvidos no leite.

19/07/11

Anos 90

Se calhar, agora que os anos 80 andam por todo o lado e já consegui matar algumas das saudades desses primeiros anos conscientes, tenho nostalgia é dos anos 90. Dos primeiros cinco. Da escola. Dos dramas existenciais que se debatiam pela noite dentro. Da liberdade. De ter tempo para gastar. Dos Nirvana, essencialmente. E do que sentia ao ouvi-los. A nostalgia tem cura?

As piadas do dia

"PJ cria equipa para deter criminoso fugitivo de 83 anos", DN dixit. Eu sei que a esperança média de vida está a aumentar, e ainda bem, mas esta notícia ou o que a motiva é meio tonta. Será que o senhor corre muito?

"Católica proíbe chinelos e calções no campus", DN dixit idem. Quando eu lá andei, livremente vestida, os únicos que se passavam com "essas" coisas eram mesmo os alunos de Teologia, que ficavam rebarbados a olhar para tudo o que fosse mulher sem hábito vestido. Ridículo. Cresçam.

18/07/11

O leitor

Achei piada a um postal sobre a comemoração dos 60 anos do leite Vigor e pendurei-o no frigorífico. Uns dias depois, estranhamente ainda na 2a circular, apontei um pacote de leite Vigor gigante com os mesmos desenhos, um homem vestido de branco a transportar o leite.
E a mais pequenina diz, muito contente por conhecer essa profissão tão antiga:
"olhem, é o leitor!"

Publicidade do século passado

Um gigantesco cartaz recebia até há uns dias atrás quem passava na 2a circular com a frase "Adidas is all in".
Não me pareceu muito original, e comecei a puxar pela cabeça, até que me lembrei de um dizer popular, muito típico dos anos 80. So last century...

13/07/11

Perder umas horinhas com a Segurança Social

Pois. As coisas que funcionam mal na vida real vão funcionar mal ou pior na virtual. Quero pedir o famoso cartão europeu de seguro de doença para os quatro, porque nas férias havemos de dar um pulinho a outros países e nas férias anteriores tenho-me esquecido e vou sempre a pensar "ai se acontece alguma coisa".
Tento primeiro pela net. O site da Segurança Social digamos não é assim muito user-friendly. As explicações são dadas em texto e não se percebe exactamente a quem se deve pedir nem como. Descubro um número de telefone.
Objectivo supremo: evitar tudo quanto seja ir à própria da Segurança Social.
A senhora que atende o telefone encosta-me logo à box, perguntando-se se tenho acesso à Segurança Social directa. Acho que já recebi essa senha em tempos, pergunto para que é que é precisa.
"Por telefone não pode pedir, só se tiver a senha da Segurança Social Directa. Se não tiver, pode pedir uma senha, que recebe passado sete dias e depois pode pedir o cartão."
Supondo que não tenho,
"Então pode ir a um dos serviços da Segurança Social",
assim como quem diz pode ir ali ao café beber uma bica. E eu vejo mentalmente a fila que dá a volta ao quarteirão na Avenida dos Combatentes em Algés, horas antes do serviço abrir.
Lá desenrasco o número e, afinal, é super simples pedir o cartão. Para mim.
Para os miúdos (e para o pai deles), que não estão agregados a mim na SS porque não pedimos abono e que não são "clientes" como eu da Segurança Social Directa, é mais complicado. Estou uns bons minutos ao telefone à espera de descobrir.
Afinal, tenho de digitalizar os cartões de cidadão (de todos os lados, obviamente, vezes três), preencher um impresso com duas páginas (vezes três) que pergunta, entre outras coisas, o motivo da deslocação - era o que mais faltava (não respondo) - e depois digitalizá-lo (duas páginas vezes três). No final, tenho de enviar para uma localização obscura, onde se chega através de uma página da SS, preencher as palavras certas e indicar o assunto certo e mais uns quantos preceitos.
Eu, que não tento nunca enganar ninguém, que sou estupidamente honesta com trocos e com qualquer outra coisa que se me apareça à frente, involuntaria e essencialmente porque devo ter medo do inferno, que gosto de facilitar a vida a toda a gente, essencialmente porque devo acreditar no céu, não concebo tanta estupidez para pedir uma porcaria de um cartão. Não é que eu não goste de preencher impressos - que gosto - mas eu e os burocratas não nascemos mesmo uns para os outros (especialmente se tivermos de estar cara a cara).
(Ainda não consegui enviar tudo - penso que é preciso aí uma hora para o processo ficar completo para cada um de nós)

12/07/11

Banda sonora Pequenas mentiras entre amigos

Cómico: as estatísticas dizem-me que ontem veio imensa gente aqui parar por causa de uma pesquisa "banda sonora Pequenas mentiras entre amigos". A banda sonora é, de facto, óptima. Toca a facilitar: aqui dá para encontrar tudo. Em francês "Les petits mouchoirs".

11/07/11

Mergulhar

Debaixo de água tens assim uma espécie de uma superioridade natural sobre mim. As luzes difusas, os ruídos abafados, o ambiente estranho, fazem com que dependa de ti mais do que gosto de admitir. É uma situação desconfortável para mim. Mas sinto-me bem lá em baixo. Gosto de me perder a procurar peixes e conchinhas, rochas e animais estranhos. Não gosto da sensação de perigo, de dependência. Isso nunca gostei. Por isso, obrigo-me a procurar-te, mais uma vez. Dás-me a mão, paternalista, controlas o meu oxigénio, perguntas por sinais se está tudo bem, respondo que sim, tudo ok. Mas mastigo esta desagradável sensação de depender de ti, quando na vida real dependo tão pouco.
Vejo passar um cardume de sargos. Brilham sob a luz filtrada do Sol, parecem pequenos espelhos voadores a insinuarem-se, ora perto ora longe de nós. Movem-se em unidade, são quase como um só, num bailado prateado e privado, só para mim. Penso outra vez "o que pensarão de nós?", mas sei que isso não interessa nada, porque não se consegue ter uma conversa filosófica com um peixe.
Mais tarde, já a caminho da superfície, libertando bolinhas, numa espécie de renascimento, voltando a respirar sem botijas, olho para ti novamente e já não sinto nada. Já não és mais, está tudo normal de novo. No barco comemos uma sandes deliciosa de atum e está tudo bem.

Como as crianças consomem pornografia

A pergunta da capa da Sábado da semana passada é apelativa q.b. para um adulto com filhos. Para um filho é ainda mais, como percebi ontem enquanto lia descontraidamente as primeiras páginas da revista depois do almoço e o meu filho se pôs aos meus pés a ler o dito título. Como não perguntou "o que é que isso quer dizer?", como faz sempre que encontra alguma coisa que não percebe, presumo que tenha percebido pelo resto do título "às escondidas dos pais" ou "sem os pais saberem", que era um assunto tabu e saiu envergonhado (obviamente sem perceber porquê) do pé de mim. Confesso que fiquei irritada e já não acabei de ler a revista.