15/09/11
O som do teu silêncio
Está a chover baixinho há mais de 12 horas. Não consigo ir lá fora buscar a roupa que tinha posto a secar. De noite, desde há uns dias, ouço o telefone tocar de maneira cada vez mais aflitiva - apesar de o som ser o mesmo desde sempre. Ouço, com o coração a bater com força, o carro da polícia, uma ambulância, o carro dos bombeiros. Passam e afastam-se com o seu lamento estridente. Ouço um trovão, escondida debaixo dos lençóis. Ouço-te bater a porta de casa. Ouço o elevador arrastar-se pelos carris. Ouço o silêncio que fica quando sais. O frigorífico recomeça a fazer barulho, depois estremece e, de repente, fica calado. A máquina da roupa continua a rodar a 600 rotações, para acabar de lavar a roupa que trouxeste hoje de manhã do trabalho. Ouço-me a pensar que tenho de arrumar a casa, tirar a roupa molhada da corda, espalhá-la pelas cadeiras da cozinha e pelos toalheiros da casa de banho, fazer o jantar só para mim. Ouço-me a chorar baixinho. Ouço-me a recomeçar - no mesmo sítio - todos os dias. Há quantos anos...
14/09/11
A senhora do mel
Eu sei como é essa urgência de falar com alguém, especialmente com alguém que vai ouvir-nos sem sentir verdadeiramente aquilo que sentimos. Talvez pena. Um gesto mais carinhoso. Um festa ou um abraço.
A senhora do mel abriu-nos a alma assim que abriu a porta da rua. Ao pé das escadas, ainda na rua, as abelhas agitavam-se à volta dos cortiços em mais um dia quente de Verão.
(quero profundamente gostar de abelhas, mas tenho muito medo delas)
A porta aberta e logo um lamento. A doença. Não precisa sequer de dizer qual é. Nós percebemos e os miúdos não precisam de saber. Um litro e meio de mel algarvio, dourado e delicioso para cada uma. Quatro euros e 20 cada frasco. Um litro e meio que estou a repartir por frascos para dar aos meus pais, aos meus irmãos e aos amigos que estão perto. A dor da alma da senhora. A resignação. São tantos os meus amigos com a doença, desabafa. Os miúdos saltam por ali. Dizemos-lhe o comum, que está com óptima cara, que vai melhorar, que há muitos casos assim. Perguntamos-lhe como estão a correr os tratamentos. Se precisa de alguma coisa. Não, obrigada, tenho muitos amigos. Sabiam que, às vezes, o mel tem um sabor meio amargo?
(quero profundamente gostar de abelhas, mas tenho muito medo delas)
A porta aberta e logo um lamento. A doença. Não precisa sequer de dizer qual é. Nós percebemos e os miúdos não precisam de saber. Um litro e meio de mel algarvio, dourado e delicioso para cada uma. Quatro euros e 20 cada frasco. Um litro e meio que estou a repartir por frascos para dar aos meus pais, aos meus irmãos e aos amigos que estão perto. A dor da alma da senhora. A resignação. São tantos os meus amigos com a doença, desabafa. Os miúdos saltam por ali. Dizemos-lhe o comum, que está com óptima cara, que vai melhorar, que há muitos casos assim. Perguntamos-lhe como estão a correr os tratamentos. Se precisa de alguma coisa. Não, obrigada, tenho muitos amigos. Sabiam que, às vezes, o mel tem um sabor meio amargo?
12/09/11
Preciso de me organizar
Eu precisava que este senhor viesse cá a casa organizar as minhas coisas por códigos de cores. O ano passado fiz isso ao meu roupeiro, mas este ano não tenho tempo (aka paciência).
A natureza dos homens
Imediatamente sinto-te irrequieto, muito interessado, a inclinares-te para a frente, perguntador, tu, que geralmente perguntas pouco. Insistente, até. Isto depois de saberes que a senhora de cabelos brancos, ar de avó e idade indefinida, mas seguramente à volta dos 70 anos, vai hoje jantar moreia frita, que ela própria apanha em covas que teima em não dizer onde são.
À noite, para compensar, jantamos também moreia frita, mas não fomos nós que a apanhámos. "Não consigo resistir, é superior a mim, sinto que estou a renegar à minha natureza. Eu sou caçador." E os olhos brilham-te como se fosses um miúdo, como eu gosto de ver. E é mesmo verdade o que dizes.
Eu não sou caçadora. Gosto de pescar, gosto de mariscar, mas arrepio-me só de pensar em encontrar-me com uma moreia no mar - onde são bem mais ofensivas do que estas que aqui estão a secar ao sol numa casa no Algarve, como se fossem roupa lavada, como também já vi fazerem com polvo.
À noite, para compensar, jantamos também moreia frita, mas não fomos nós que a apanhámos. "Não consigo resistir, é superior a mim, sinto que estou a renegar à minha natureza. Eu sou caçador." E os olhos brilham-te como se fosses um miúdo, como eu gosto de ver. E é mesmo verdade o que dizes.
Eu não sou caçadora. Gosto de pescar, gosto de mariscar, mas arrepio-me só de pensar em encontrar-me com uma moreia no mar - onde são bem mais ofensivas do que estas que aqui estão a secar ao sol numa casa no Algarve, como se fossem roupa lavada, como também já vi fazerem com polvo.
Photo shop
Regressámos hoje ao trabalho, depois da semana de férias que guardámos mesmo para o finzinho do sol. Tivemos uns dias de praia fenomenais no Algarve, com muitos mergulhos e sol.
[As fotos são tiradas com a app Instagram. Amo.]
A história da minha vida
Agora que penso nisso, tenho passado a minha vida à procura de uma boa história. É isso que eu faço. Sou capaz de atravessar meio mundo para a conseguir.
Por uma boa história sou capaz de suportar noites mal dormidas, a barriga a dar horas, dores no corpo, feridas nas mãos e nos pés. Sou capaz de fazer os maiores disparates. Agir sem pensar, saltar no vazio, correr sem parar, fazer quilómetros sem fim, ir sem destino - só porque isso também é uma história -, partir o coração a quem fica, comer o que aparecer.
Quando era miúdo, lembro-me de ter partido uma vez um dedo de propósito, só para poder contar mais essa história. Nunca tive falta de atenção, só gosto de criar enredos, de gerir personagens e criar cenários, mas na vida real.
O que faço com uma boa história depois de a conseguir é simples. Espalho-a, partilho-a com o maior número de pessoas que conseguir, aperfeiçoando a técnica de contar e a de captar novas histórias. Faço-me ouvir - e bem alto -, porque quem tem histórias mais giras ou mais malucas ganha a corrida. E eu não posso perder essa.
Por uma boa história sou capaz de suportar noites mal dormidas, a barriga a dar horas, dores no corpo, feridas nas mãos e nos pés. Sou capaz de fazer os maiores disparates. Agir sem pensar, saltar no vazio, correr sem parar, fazer quilómetros sem fim, ir sem destino - só porque isso também é uma história -, partir o coração a quem fica, comer o que aparecer.
Quando era miúdo, lembro-me de ter partido uma vez um dedo de propósito, só para poder contar mais essa história. Nunca tive falta de atenção, só gosto de criar enredos, de gerir personagens e criar cenários, mas na vida real.
O que faço com uma boa história depois de a conseguir é simples. Espalho-a, partilho-a com o maior número de pessoas que conseguir, aperfeiçoando a técnica de contar e a de captar novas histórias. Faço-me ouvir - e bem alto -, porque quem tem histórias mais giras ou mais malucas ganha a corrida. E eu não posso perder essa.
06/09/11
Pinóquios e suspensórios
Para os que sabem que rir é o melhor remédio:
Miúdo, achas que precisas de um benuron?
- sim, mas não me pões suspensórios, prometes?
Miúda, não tropeces nesses tocos de madeira.
- sim, mãe, são os pinóquios.
03/09/11
Anos
Hoje acordei a sentir-me mal. Estava irrequieta, lembrei-me de vir aqui escrever a expressão "panela de pressão". Porcaria do tempo a passar.
01/09/11
100 years East London style
Amei este anúncio.
Tudo o que devemos aprender devia ser assim, compactado. E o estilo também devia ter sempre estilo, fosse em que década fosse.
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