11/11/11

A pilha

Tenho uma pilha assustadora de papelinhos à minha frente.
Estive a separá-los até tarde, por estilo - os completos, os incompletos, os vazios. São 251 ao todo. Tenho de os ler todinhos, catalogar, passar para a base de dados. Depois escolher os dez melhores. Quando a pilha estiver organizada, é só enviar dez presentes pelo correio e está feito. Mas, sinceramente, preferia ter uma pilha de notas.

09/11/11

A força da natureza

O White Salmon River em Washington, EUA, foi restituído ao seu curso normal a 28 de Outubro. Depois de cem anos de aprisionamento, demorou duas horas até equilibrar entre os dois lados da barreira. A força das águas é impressionante. A paisagem é linda.

08/11/11

Meia noite em Paris

Acho que nesta altura, já não é novidade para ninguém que o filme é muito bom. Por incapacidade de agenda, deixei-o para o fim.
Não só é Woody Allen dos pés à cabeça - que eu adoro sempre -, como é Paris - que eu adoro sempre, também. Acho mesmo que o filme é uma carta de amor a uma cidade inteira (ao género do que fazia antes com Manhattan). Mesmo com os barulhentos americanos que não a compreendem e que acham que na terra deles é que é.
Gostei acima de tudo da festa de casamento surrealista, com as paredes azuis esverdeadas e os animais embalsamados mais as borboletas, do Hemingway, com a sua barba incipiente e do Dalí, com os seus rinocerontes e as suas lágrimas. Adoro as festas, a música, as ruas, os cafés, os recantos todos.
Na realidade, só tenho pena que Paris não seja a uma hora e meia de Lisboa e que não possa ir lá mais vezes. Ou mesmo morar lá uns tempos.
Muito bom.

07/11/11

Românticos anónimos

Um filme francês, tão querido e doce como o chocolate que lhe dá corpo. Vi ontem nas Amoreiras, com um público divertido. Bonita fotografia e luz (ou será que isso é a mesma coisa?).

O sol nos pés

Esta noite, incorporei-te no meu sonho depois de teres chegado tarde e, hoje de manhã, enquanto tomava banho, fiquei arrepiada com a água fria a cair nos pés. O desconforto foi tão grande que nem a água a escaldar, quando virei a torneira para o lado vermelho, compensou. Já passaram duas horas, mas ainda sinto os pés frios, o que é das coisas mais desagradáveis de ter fria, porque tem o condão de arrefecer tudo o resto.
Quando sinto os pés frios, lembro-me instantaneamente do meu avô, com os pés ao sol enquanto me lia os seus livros mágicos ou escrevia os seus romances. Primeiro, escrito à mão em folhas fininhas e translúcidas, depois passado à máquina, que mais tarde passou a máquina de escrever eléctrica e que ainda vejo em cima da arca muito grande que está na sala lá de dentro. Apesar de não ir a casa dos meus avós há mais de cinco anos, talvez.
Vejo a máquina da mesma maneira que vejo nitidamente o meu avô a fazer a barba com os seus pijamas fofinhos de flanela, que vejo o menino Jesus pequenino sobre a cómoda do quarto e a minha avó a fazer arroz e sopa nas panelas de brincar ou com a caixa de costura aberta na camilha da sala, a passajar pacientemente meias com o ovo de madeira e o dedal de prata. A memória do cheiro da casa dos meus avós também persiste em mim, com o cheiro doce que têm as memórias de criança.
As casas sem gente são iguais a casas vazias de móveis, apesar de continuarem iguais ao que eram quando as pessoas sairam pela última vez. Não sei se a casa se apercebeu que não tem já gente, que o meu avô já não põe os pés ao sol, que a minha avó não organiza as suas receitas na mesa da cozinha laranja, guardadas na gaveta aos pés da letra da música da Nossa Senhora do Almortão. Ou, se calhar, a casa também está triste.

04/11/11

Deitar fora o secundário


No Sábado, enquanto esperávamos que voltasses, estive a acabar o secundário. E a faculdade também.
Numa manhã, em casa dos meus pais, enchi cinco sacos de lixo gigantes com dossiers e livros, estojos e outros despojos dessa altura.
Dossiers inteiros cheios de sebentas que já na faculdade não foram estimulantes - a hermenêutica, a lei da rádio, Habermas, Witgenstein, teoria da comunicação e outros temas esotéricos - foram todos para o lixo. Que alívio.
As coisas interessantes que se aprendem na faculdade - quase exclusivamente com os professores que têm vida fora dela - ficam dentro de nós. Passam a fazer parte do nosso discurso. Vamos buscá-las ao ficheiro da memória em que se arquivam quando são precisas. Os professores valem por aquilo que sabem, que vale por aquilo que fazem. Ponto final.

03/11/11

[Este ano]

[Eu sei que falta imeeeeeeeeeenso para o Natal e, não, senhores dos shoppings que já enfeitaram tudo com objectos natalícios, isso não aguça a minha vontade de comprar prendas de Natal, mas sim aumenta a minha indiferença face à óbvia extemporaneidade da iniciativa. Mas estes enfeites aqui são tão bonitos, que eu não resisto a partilhar. Bastam-me dois de cada.]

Fim-de-semana+feriado

Sábado à noite
Regressaste de Moçambique depois de uma semana inteirinha
Os miúdos estavam cheios de saudades
Eu também
Domingo de manhã
Enquanto esperamos pela miúda que foi à festa de dois amigos
Passeio por Sintra com o mais velho
Não há melhor
Segunda à tarde
A montar kits
À noite
A assustar crianças no pinhal, a brincar ao Halloween
Com uma máscara que não me deixa respirar
Terça
A brincar aos crescidos
Hoje
A brincar às crianças

27/10/11

Sou uma fácil

A minha manhã foi uma miséria. Entre os miúdos completamente em delírio * e o trabalho meio atravessado, mais a reportagem da TSF sobre crianças com cancro, estava a sentir-me uma bosta.

* só consegui que a miúda acalmasse quando lhe disse que se não parasse com a histeria a levava ao cabeleireiro e lhe cortava o cabelo. Onde é que nós (raramente) vamos buscar estas ideias luminosas? Devem contrariar as convenções de Genebra e outras do estilo, mas às vezes ser mãe é mesmo ser odioso.

Como sou uma fácil, tive sorte e mudei para a m80 a tempo de ouvir uma música cheia de energia, que compensou o crappy feeling anterior.