06/02/12

Em pinturas

Os miúdos estão na cozinha a pintar quadros. Eu estou a praticar auto-contenção, mantendo-me na sala enquanto eles colocam dúvidas interessantes um ao outro como:
"mas agora eu queria usar o azul e só tenho verde"
"posso molhar o pincel na água?"
"não, isso não é aguarela"
"o que é que estás a fazer?"
"na minha sala já estamos há muito tempo a aprender os quadros".

Ando em viagem

Depois de há dois anos ter tentado imensas aproximações falhadas ao conceito They draw and cook, porque, enfim, achava que sabia desenhar e cozinhar, eis que hoje descubro o They draw and travel. Mais uma vez, duas das minhas coisas preferidas. A última vez que fui, foi a Barcelona, com a família.

Uma declaração de amor

Em podendo confessar uma coisa, confesso que adoro o meu nome. E ainda mantenho aquela ideia infantil de que não há mais nenhuma Joana no mundo que não eu. Por isso, obviamente, reparei neste tag à porta da Pharmacia. Neste caso, a Joana não sou eu.

O que quer dizer, não sei, mas sempre gostei de narrativas abertas, que nos obrigam a criar um fim para a história. Portanto, aqui, o tipo que antes escrevia histórias de amor para a Joana, conseguiu, através das suas demonstrações públicas de afecto nas paredes de Lisboa, um lugar de copy a trabalhar a conta da Nike. Além disso, conseguiu convencer a Joana e agora fazem os tags na parede da cozinha, todas as manhãs. "Amo-te", "Podes usar os meus Nike", "Fiz panquecas com mel para ti", "Logo à noite: filme e massagem" e coisas do género. No meu caso, são sempre fins cor-de-rosinha. Sorry, é a minha imaginação.

Nuvem esquisita

Mais alguém viu esta nuvem esquisita ontem? O céu estava limpinho e a nuvem nem era bem uma nuvem, parecia que era apenas uma transparência. Sabem como funciona o photoshop na questão das transparências? Era isso, esbatido e suave, como se fosse para disfarçar estar uma cena branca no meio do azul. E era mais um buraco do que propriamente uma sobreposição ao azul do céu. Andei a fotografá-la até chegar a Carcavelos e depois esqueci-me dela.


03/02/12

Para quem não gosta de gastar dinheiro em sapatos

É oficial. As minhas botas quase novas, que só tinham dois meses, estão rasgadas e acho que não têm conserto. Eu bem achei que eram uma pechincha, em comparação com as que costumo ver, mas foram quase 70 euros - e isso são 14 contos, para quem como eu ainda faz a conversão automática. E 14 contos é "mucho diñero", como diz o meu filho mais velho.

Hora do almoço

Duas super-tias de casacos de pele e botas de montar passam ruidosamente por mim nas Amoreiras a porem perfume em spray nos cabelos. Curo uma dor de cabeça sentadinha até ceder o meu lugar a um velhote desdentado de bengala. Quem me dera fazer uma sesta de dez minutos. Passei a noite toda às voltas na cama. Não foi frio, mas foram sonhos e ideias e coisas coloridas a flutuarem sobre a minha cabeça.

As dores de crescimento do Markl

Um dos cromos do Nuno Markl da Comercial de hoje foi sobre dores de crescimento. Fiquei à escuta, porque, na realidade, o que é que se pode dizer engraçado sobre dores de crescimento?
Pois.
É o Markl e, por norma, qualquer coisa que ele diz é engraçado, não sei se são as palavras em desuso que conhece se a própria cadência que utiliza, se o tom maroto com que está sempre, mas enfim.
Acabei por só consegur ouvir a primeira laracha porque entrei em mais um daqueles parques de estacionamento sisudos...
Então, dizia ele, houve uma altura em que as nossas queixas de dor eram desvalorizadas pelos nossos pais como sendo dores de crescimento. A ideia que ficava no ar era (dizia ele, com um ar paternalista): é mesmo assim, tens de as ter se não queres ficar do tamanho de um porta-chaves.
Só isto. Dez minutos a rir, um senhor no elevador a achar que eu devo ser doida e um flashback lindo de todas as vezes em que, a ouvir os meus pais usarem a mesma técnica com os meus irmãos mais velhos, desejava ser eu a ter essas dores; das vezes em que me disseram a mim, o que, confesso, me dava um grande orgulho; e das vezes que o disse ao meu irmão mais pequenino, como quem diz: bem-vindo ao clube. E também ao meu marido (começámos a namorar bem novinhos).
Obrigada, Markl.

Os olhos dos outros

Havia uma altura em que não podíamos ir a lado nenhum que não viessem toxicodependentes pedir dinheiro. As desculpas eram variadas e deve ter sido aí que fiquei, pela primeira vez, desconfiada do que as pessoas me diziam. Durante uns anos, era muito frequente mesmo. Depois acalmou.
Ontem, andava às compras e veio um rapaz com um ar saudável e bem vestido pedir-me um euro para comprar um frango, porque já tinha 50 cêntimos. A minha honestidade "de certeza que é para comprar um frango? Se for mesmo para isso, vá buscar o frango e encontramo-nos nesta caixa" deve tê-lo desarmado. Isso e o olhar que trocámos depois de o ver a comunicar, também com o olhar, com uma miúda que devia ter 19/20 anos e que, essa sim, era completamente agarrada, com os olhos desesperados de quem precisa de qualquer coisa.
Fiquei com a certeza que era para droga, mas ainda acalentei a esperança que ele aparecesse com um frango. Esperei na caixa combinada, mas não apareceu ninguém. Odeio ter razão quando penso mal das pessoas.

02/02/12

Feito à mão

"Olá,
Parabéns. Trouxe este presente para ti feito por mim. Beijinhos"
A mensagem foi escrita numa folha A4 (onde desenhaste umas linhas para fazer tudo direitinho), com a ajuda do mano. A prima, que faz sete, abriu o presente antes de ir para as aulas, um colar de continhas, em frente dos colegas todos.
Fiquei muito orgulhosa de ti.