01/12/14

De manhã

Tivemos um bom fim-de-semana, com uma ida fantástica à praia ontem.
Quando chegámos a casa, com os miúdos derreados das ondas, fizemos a árvore de Natal e ficou linda. No ano passado não tivemos árvore porque estávamos a meio da mudança de casa. Também não tivemos de a desmontar, por isso, confesso que já estava com saudades da parafernália toda.
As luzes fazem um reflexo mágico nas janelas e o miúdo confessou que a árvore e as luzes ficavam lindas da rua, onde acho que foi de propósito para verificar. 
Este ano comprei umas bolachas de gengibre em forma de coração do Ikea e passei a noite a cheirar o gengibre - delicioso! Depois, em me lembrando e em o meu telefone cooperando, mostro a árvore.

28/11/14

Eu não sou perfeita

Eu não sou (nem quero ser) uma mãe perfeita.

Às vezes sou reles. Às vezes sou um espectáculo. Às vezes só quero dormir mais um bocadinho. Às vezes quero encher-vos de beijos e abraços e cheirar-vos o cucuruto da cabeça. Às vezes tenho todo o tempo do mundo. Às vezes paciência zero.

Não sou uma mãe perfeita. Nem quero ser, acho que isso não existe.

Mas gosto de cozinhar convosco, gosto de fazer artes plásticas, gosto de desenhar e pintar convosco, gosto de vos mostrar Lisboa, de irmos à praia, de vermos um filme enroscados no sofá. Adoro as vossas criações, mesmo as toscas, ou, se calhar, gosto ainda mais das mais toscas. Adoro a maneira como se empenham nos trabalhos da escola ou quando temos festas em casa. Adoro quando temos a música a tocar pela casa toda e dançamos.

Mando-vos cedo para a cama porque é bom para vocês, mas também porque é bom para nós. Mando-vos assoar o nariz e lavar os dentes e lavar a cara e pentear o cabelo e vestir casacos e pôr os pratos na máquina e arrumar os quartos e cumprimentarem as pessoas e dizerem obrigado e por favor... Às vezes sou chata.

Não tenho de vos mandar comer a fruta.

24/11/14

Um filme giro

"Um lugar especial", com o Morgan Freeman, anda a dar no TVCine. Vi ontem com os miúdos ("este filme é com o Nelson Mandela, mãe?"), nos intervalos dos estudos. História querida e Uma música especial.

23/11/14

Um sítio

Descobri há dias ao acaso um pedaço de rua de Lisboa que cheira tal e qual como o campo em Abrantes. O campo onde eramos piratas, ladrões, exploradores, salteadores, bonecos ou só miúdos. O cheiro da ribeira, sem tirar nem pôr. Melhor com vento. Melhor ainda com chuva. 
É só fechar os olhos estou lá.

17/11/14

Os Maias

Ponto prévio: adorei ler "Os Maias" na escola. Mas adorei mesmo. A construção das personagens, dos sítios, das casas, os pormenores todos. Lembro-me de ficar muito baralhada por ter colegas que não saíam do primeiro capítulo e que se lamentavam da obrigatoriedade da leitura. Tentava convencê-los a avançar, estranhando haver uma diferença tão grande de perspectivas entre o fluir que eu identificava na obra prima de Eça de Queiroz e o sufoco em que eles se viam.

No sábado fui ver "Os Maias" ao cinema. Não gostei e fiquei muito desapontada. A história merecia muito mais.

Ponto final: vou voltar a ler o livro, para voltar às imagens que tinha antes.

12/11/14

O que se ganha na tradução

Em que outro sítio do mundo é que uma frase como:

"Bom dia, quero um pão destes com pouca manteiga, por favor."

Se transforma numa frase como:

"'Dia, sai um sementinhas com um cheirinho de manteiga."?

Somos ou não somos um país de românticos?

05/11/14

Sítios onde...

... Dá sempre para ser pequenina - Great American Disaster, no Marquês de Pombal. Vinha aqui com os meus pais e irmãos quando era mini e quando volto quase que nos vejo ali ao canto, a dançar as músicas dos Beatles.

A beleza dos números

Anda lá por casa outra vez a numeração romana. É assim como andar de bicicleta e acaba por ser divertido.

I - 1
II - 2
III - 3
IV -4
V - 5
VI - 6
VII - 7
VIII - 8
IX - 9
X - 10
...

A miúda anda entusiasmada com isso e até fez uma tabela enorme que pendurou no quarto com os números fundamentais - estes e mais o 50, o 100, o 1.000, etc. "Sabias que os romanos não têm o zero?" Numa das pesquisas para a ajudar, tropecei num V, que é um 5, com um traço por cima, que faz o 5 passar a 5.000. Não me lembrava.
E isto hoje é tão mais fácil por causa da net. O que só me faz pensar que os meus pais são mesmo espertos, porque quando era eu a aprender estas coisas eles sabiam tudo e não tinham de ir verificar a lado nenhum, como eu faço.
Já o miúdo anda nos mínimos e nos máximos múltiplos comuns e eu, que já nem me lembrava da existência desta divertida modalidade matemática, tenho andado a reaprender tudo outra vez. Consigo fazer sem problemas, mas ele é muito mais rápido - vinha muito orgulhoso porque foi mesmo o mais rápido da turma a fazer uma série de exercícios destes.
Acho que se fosse aprender agora matemática ia apreciar de uma forma diferente.

04/11/14

Constatação

Hoje está um dia mesmo triste, não está?

Sem açúcar II

Um pacote de açúcar daqueles que se põe no café pesa cerca de 8 gramas - uma criança não pode comer mais de 16 gramas, portanto máximo por dia dois pacotes de açúcar. Uma lata de refrigerante escurinho tem quase quatro pacotes e meio de açúcar! Os meus filhos não gostam.
Deixei de pôr açúcar no café. E não é que agora gosto do sabor sem açúcar?

Sem açúcar

Ao ajudar a miúda a fazer pesquisas para um trabalho da escola, chegámos a umas conclusões muito interessantes/preocupantes.

O máximo de açúcar que um adulto pode comer são 25 gramas de açúcar por dia.


O máximo de açúcar que uma criança pode comer são 16 gramas de açúcar por dia. 


As recomendações são da Organização Mundial de Saúde e obrigam a pensar muito, especialmente para quem tem crianças. Isto porque qualquer embalagem de papa ou cereais para crianças tem entre 25 a 40% de açúcar por 100 gramas. Se for para juntar leite piora um pouco.
Há iogurtes líquidos que têm 22 gramas de açúcar por embalagem.
Há refrigerantes que chegam aos 35% de açúcar. 
Um pão e um copo de leite ao pequeno-almoço e já está a dose no limite.

Uma subida rápida de açúcar dá uma subida rápida da energia e, pouco depois, uma descida rápida de energia. É ver os miúdos a apagarem-se a meio da manhã, altura em que levam "lanchinhos da manhã" carregados de açúcar e gordura (uma bolacha daquelas que é de chocolate com um recheio branco no meio leva 14 gramas de açúcar!!!).

Papas de aveia, sem açúcar acrescentado. Só é pena não conseguir convencer o mais crescido a gostar delas.

30/10/14

A história como nós a aprendíamos

Cristóvão Colombo era um espião ao serviço da Coroa Portuguesa (e, portanto, foram os portugueses que descobriram a América e, portanto, os americanos só existem por causa de nós).
Portugal vencia (quase) todas as batalhas em que entrava.
Portugal dava (quase) sempre 10 a zero aos espanhóis.
Em suma, o mapa mundo (que os portugueses inventaram ou melhoraram significativamente, em paralelo com o quadrante e o astrolábio) era pequeno para tanta valentia e criatividade.
Éramos "muita" bons quando eu andava na primária e no ciclo.
...
Eu nasci em 1977, ok? E, apesar disso, se a aula acabasse antes do tempo, cantávamos muitas vezes o hino nacional. Portugal era mesmo racing quando nós éramos pequenos.
...
Lembrei-me disto ao ler um artigo da Quartz sobre percepções erradas.

[E se tivesse paciência para ir ver onde isto me levaria, a hashtag que inventava era # somostaobonsqueateomapamundoepequenoparanos, mas separo aqui o cardinal do proposto termo, porque não quero ir por esse buraco de coelho abaixo.]

22/10/14

A sala de espera

Devo ter alguma vez lido esta ideia em qualquer lado: a vida é como uma gigante sala de espera. 
Lembro-me dessa ideia agora, enquanto espero pelos miúdos, que andam a fazer piscinas. Lembro-me disso sempre que estou à espera ou que alguém espera por mim. Isso é raro, habitualmente peco por excesso de pontualidade. Saio sempre com tempo para chegar cinco minutos antes.
Às vezes, como nas salas de espera dos consultórios, há revistas boas para ler. Às vezes só há coisas velhas e não se aprende nada. Às vezes são confortáveis e até é bom estar lá um bocado com a desculpa de que não podemos estar em mais lado nenhum porque temos de estar à espera. Dá para pensar na vida e pôr algumas coisas em perspectiva.
Muitas vezes é uma seca e não há nada interessante para ver e para fazer. 
Era isto.

Dias fofinhos

Do ficheiro bastante óbvio "músicas que eu adoro" e que, talvez com grande facillidade, fazem com que eu fique mais ou menos emocionada.


12/10/14

Sem antena

Acabo de ver pela janela que me roubaram a antena do carro. Fico triste.
Pode não parecer quase nada, pode parecer que é tão pouco que nem justifica escrever sobre isso. É tão pouco que nem me passa pela cabeça ir à polícia fazer queixa. Porque sei que nada acontece.
Mas, no entanto, levar uma antena de um carro de alguém é, sem tirar nem pôr, o mesmo que ir a casa dessa pessoa e tirar um candeeiro, um quadro ou uma peça de roupa. É o mesmo que tirar uma carteira a uma pessoa no meio da rua, que tirar uma bicicleta a uma criança. É o mesmo que ir a um restaurante e não pagar.
Como é que foi que fomos crescendo e estes aparentemente pequenos actos de indecência e podridão se tornaram coisas tão vulgares e frequentes? Se a diferença é apenas que mais ninguém viu, há uma expressão apenas: shame on you. Isto é cobardia.

A vida sem um microondas

"Como é que conseguem viver sem microondas?" Esta é a primeira pergunta que toda a gente faz quando o assunto vem à conversa. A seguir vem sempre um olhar um bocado paternalista, "mas são tão baratos..."
Na realidade, nunca gostei de microondas e acho mesmo que são overrated. Além de não gostar do termo microondas em si, de mandar sempre as pessoas afastar-se dois metros quando o dito funcionava e de, especialmente, duvidar do efeito que microondas teriam na comida, acho que servem para muito pouco.
Na casa antiga, usávamo-lo para descongelar pão e, ocasionalmente, para derreter chocolate. O pão tinha de ser comido logo a correr, senão ficava duro que nem pedra. Uma coisa daquele tamanho para derreter chocolate não se justifica. Cozinhar lá dentro nem pensar.
Portanto, é basicamente um mono e, ainda por cima, um mono grande. Além disso, a comida aquecida no fogão sabe muito melhor. Sim, acender o fogão de manhã para aquecer a comida que o miúdo leva para a escola e ter de a mexer enquanto aquece pode parecer um bocado de há dois séculos atrás. O microondas é mais estanque - os cheiros e a comida estão afastados de nós por um vidro com um ar extremamente resistente. Mas sinto-me muito satisfeita de não termos microondas.

10/10/14

5 pauzinhos de som

Com 5 pauzinhos de som nos phones do computador - quando geralmente uso só 1 porque menos não há som - não consigo ouvir as coisas daquelas notícias más sobre as quais aqui ao lado estão a falar. A Arianna Grande canta o "Break free" e até me parece apropriado. A seguir passa para Meghan Trainor, "All about that bass". Afinal a manhã está fixe.