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31/07/13
13/09/12
Ai, ai (ou um desabafo)
A fisioterapia hoje foi do mais agressivo que já tenho visto. Estive a animar a terapeuta quanto ao futuro, que ela prevê que continue a ser meio difícil.
07/09/12
Mental note otites
Após o diagnóstico de uma otite interna, perguntar SEMPRE:
De certeza que não é externa?
De certeza que não é externa?
05/08/12
Coisas que aprendi neste mês
Passeios na areia molhada - não posso
Guiar o carro - já posso mas muito moderadamente
Cozinhar - muito moderadamente
Nadar - começar hoje
Dormir - tem dias
Reuniões - horrível
Colinho - sentada pode ser e até é bom e os miúdos gostam
Frio - não posso
Jogar à bola - não posso
Ainda aprendi outra coisa: sabiam que as pessoas estúpidas também fazem mal às costas?
Guiar o carro - já posso mas muito moderadamente
Cozinhar - muito moderadamente
Nadar - começar hoje
Dormir - tem dias
Reuniões - horrível
Colinho - sentada pode ser e até é bom e os miúdos gostam
Frio - não posso
Jogar à bola - não posso
Ainda aprendi outra coisa: sabiam que as pessoas estúpidas também fazem mal às costas?
12/07/12
A vida, nas trincheiras
Primeira sessão de fisioterapia - tento variar a entoação e a expressão de dor, para a fisioterapeuta não se cansar já hoje de mim.
"ai, ouch, ui, aiiiiii, xinamen, chuif, au, sim, aí, ai, dói, ouch, ai, ai, ai"
Procuro intercalar as interjeições com conversa interessante, mas não me sai nada inspirado e ninguém sabe quem é o Buddy Valastro ou quem são as manas Kardashian ou a Kate plus 8, que são as referências possíveis ao fim de quase dois meses de sofá...
Parece que acabei de pintar um quarto - é a expressão mais adequada de que me lembro, foi a fisioterapeuta que a disse e verifica-se. Não há um centímetro acima da cintura que não me doa. E eu não sou de me queixar. Juro.
(É verdade: ninguém reparou nas minhas vestes de falsa Hare Krishna. Vou dar gás à loucura e amanhã visto-me de padre ortodoxo grego. Só não sei onde desencantar as barbas).
"ai, ouch, ui, aiiiiii, xinamen, chuif, au, sim, aí, ai, dói, ouch, ai, ai, ai"
Procuro intercalar as interjeições com conversa interessante, mas não me sai nada inspirado e ninguém sabe quem é o Buddy Valastro ou quem são as manas Kardashian ou a Kate plus 8, que são as referências possíveis ao fim de quase dois meses de sofá...
Parece que acabei de pintar um quarto - é a expressão mais adequada de que me lembro, foi a fisioterapeuta que a disse e verifica-se. Não há um centímetro acima da cintura que não me doa. E eu não sou de me queixar. Juro.
(É verdade: ninguém reparou nas minhas vestes de falsa Hare Krishna. Vou dar gás à loucura e amanhã visto-me de padre ortodoxo grego. Só não sei onde desencantar as barbas).
22/06/12
O meu braço esquerdo
Dá para parar de chatear?
No hospital, outra vez, agora enfiada dentro de uma máquina a tentar ver o que se passa. Tenho borrachas de mergulho nos ouvidos e uns phones rígidos, uma barreira para a cabeça e um barulho ensurdecedor a girar à minha volta.
Para compensar, tenho uma bata azul que quase parece um vestido e, se não fosse o calor que me fazem aos pés, quase diria que tenho umas melissas calçadas.
A única coisa boa das coisas chatas que às vezes temos de fazer é que acabam.
No hospital, outra vez, agora enfiada dentro de uma máquina a tentar ver o que se passa. Tenho borrachas de mergulho nos ouvidos e uns phones rígidos, uma barreira para a cabeça e um barulho ensurdecedor a girar à minha volta.
Para compensar, tenho uma bata azul que quase parece um vestido e, se não fosse o calor que me fazem aos pés, quase diria que tenho umas melissas calçadas.
A única coisa boa das coisas chatas que às vezes temos de fazer é que acabam.
17/06/12
Yellow.pink
A pulseira amarela, além de ficar lindona com os meus calções nova iorquinos, está completamente na moda. E é mais rápida do que a verde habitual.
Já me sinto mais animada, apesar de estar cheia de dores. O médico que está a tratar de mim, nas Descobertas, valoriza as queixas e foca muito a dor que tenho. A TAC diz coisas chatinhas, vou levar mais umas drogas e continuar de dedos cruzados.
Já me sinto mais animada, apesar de estar cheia de dores. O médico que está a tratar de mim, nas Descobertas, valoriza as queixas e foca muito a dor que tenho. A TAC diz coisas chatinhas, vou levar mais umas drogas e continuar de dedos cruzados.
15/06/12
O fundinho da alma
[Preciso de retomar uma ideia, por causa de um acaso muito fixe que me aconteceu ontem]
Há pessoas que olham para dentro de nós e que percebem que alguma coisa está mal. Há pessoas que vêem o que se passa para lá da roupa e dos acessórios que carregamos e conseguem ligar-se directamente às nossas emoções, como se tivessem uma compreensão maior do mundo. Há pessoas que conseguem viver em paz, apesar de terem histórias tristes.
São pessoas muito raras e especiais. Como acho que tenho andado a ser genericamente mal cuidada, por médicos que não olham, não tocam e também me parece que não ouvem muito, ontem tive a sorte de ter os cuidados de uma pessoa especial e meia maga, que me souberam muito bem.
Há pessoas que olham para dentro de nós e que percebem que alguma coisa está mal. Há pessoas que vêem o que se passa para lá da roupa e dos acessórios que carregamos e conseguem ligar-se directamente às nossas emoções, como se tivessem uma compreensão maior do mundo. Há pessoas que conseguem viver em paz, apesar de terem histórias tristes.
São pessoas muito raras e especiais. Como acho que tenho andado a ser genericamente mal cuidada, por médicos que não olham, não tocam e também me parece que não ouvem muito, ontem tive a sorte de ter os cuidados de uma pessoa especial e meia maga, que me souberam muito bem.
12/06/12
As horas passadas
Saio da cama sem posição para dormir pela quarta vez e ainda não são três e meia. Volto à sala, ao sofá onde consigo (a expressão é) cochilar um pouco, entre a televisão e o iPad.
Tenho os olhos confusos de quem não dorme há muitos dias e já nem sei se é a dormir se acordada que me empenho nas televendas. Sem som.
Sempre fui fã da plasticidade dos anúncios das televendas, uma espécie de um círculo virtuoso onde a comida é sempre deliciosa e as barrigas "depois" sempre lisas e fascinantes. Ou então, as facas são sempre afiadas.
Pela madrugada fora, senti uma profunda necessidade de comprar um wonder sower, um nicer dicer e uns calções de elástico que faziam as badochas ficarem sem barriga nem rabo.
Há lá necessidades mais prementes na vida, depois do meu pedido de gomas ter sido saciado pela amiga do andar de baixo?
Ah, já sei, um produto maravilha para acabar com estas dores.
Tenho os olhos confusos de quem não dorme há muitos dias e já nem sei se é a dormir se acordada que me empenho nas televendas. Sem som.
Sempre fui fã da plasticidade dos anúncios das televendas, uma espécie de um círculo virtuoso onde a comida é sempre deliciosa e as barrigas "depois" sempre lisas e fascinantes. Ou então, as facas são sempre afiadas.
Pela madrugada fora, senti uma profunda necessidade de comprar um wonder sower, um nicer dicer e uns calções de elástico que faziam as badochas ficarem sem barriga nem rabo.
Há lá necessidades mais prementes na vida, depois do meu pedido de gomas ter sido saciado pela amiga do andar de baixo?
Ah, já sei, um produto maravilha para acabar com estas dores.
03/02/12
Hora do almoço
Duas super-tias de casacos de pele e botas de montar passam ruidosamente por mim nas Amoreiras a porem perfume em spray nos cabelos. Curo uma dor de cabeça sentadinha até ceder o meu lugar a um velhote desdentado de bengala. Quem me dera fazer uma sesta de dez minutos. Passei a noite toda às voltas na cama. Não foi frio, mas foram sonhos e ideias e coisas coloridas a flutuarem sobre a minha cabeça.
11/03/11
8,9
No Japão, a vida desaba sob um abalo de 8,9 na escala de Richter, seguido por mais inúmeros abalos. Vejo na CNN barcos, carros, casas, um comboio a serem arrastados pelo campo adentro, como se fossem brinquedos, vejo carros virados dentro de água, como peixes mortos de barriga para o ar. Sinto o coração pequenino, a pensar nos miúdos que estão longe dos pais na escola, nos pais que estão longe dos filhos. Na interrupção brutal na vida de todas estas pessoas iguais a nós.
A contagem de mortos vai em dez.
21/10/10
Coisas que magoam
- As saudades (hoje estive o dia todo a lembrar-me das tardes passadas a brincar ao carnaval com a minha avó paterna e as suas roupas de festa e cloches, chapéus de rede e sapatos a condizer)
- Perder cheiros das coisas de que gostamos
- Deixar queimar o jantar
- Apertões no nariz
- Bater com o cotovelo em coisas metálicas
- Ficar com uma espinha espetada na gengiva (ou em qualquer outro sítio, será que passa?)
- Arranjar as sobrancelhas
- Esfolar os joelhos no alcatrão
- Sapatos apertados
- Arrancar um penso rápido
- Ser acordada uma hora e meia depois de ter adormecido
- Perder cheiros das coisas de que gostamos
- Deixar queimar o jantar
- Apertões no nariz
- Bater com o cotovelo em coisas metálicas
- Ficar com uma espinha espetada na gengiva (ou em qualquer outro sítio, será que passa?)
- Arranjar as sobrancelhas
- Esfolar os joelhos no alcatrão
- Sapatos apertados
- Arrancar um penso rápido
- Ser acordada uma hora e meia depois de ter adormecido
31/05/10
A correr
Saio a correr do trabalho para poder almoçar antes da fisioterapia, almoço a correr para chegar a horas, corro para o carro para não ser tentada pela loja das gomas e chocolates, desvio-me dum carrinho de bebé com um bebé lindo enquanto desço na passadeira rolante, chego à fisioterapia atrasada dez minutos. Relaxo. Duas horas inteiras a relaxar...
Excepto as partes em que a terapeuta descobre que o meu tendão de aquiles está, digamos, numa linguagem simples, esfaralhado. E carrega. Carrega. Carrega um pouco mais. Mordo o braço para fingir que não me está a doer. E a terapeuta continua a carregar e eu, que tenho a mania que sou estóica, penso finalmente, "mas que estupidez, porque é que não hei-de queixar-me?"
Aiiii.
"Desculpa, Joana, mas, ao fazer a entorse, deste cabo do ligamento, do tendão, blá blá blá, que fugiu blá blá blá"
És muito querida, mas os músculos do corpo humano ficaram nas aulas de ciências. Hoje foi a última sessão. Já estou quase boa.
Excepto as partes em que a terapeuta descobre que o meu tendão de aquiles está, digamos, numa linguagem simples, esfaralhado. E carrega. Carrega. Carrega um pouco mais. Mordo o braço para fingir que não me está a doer. E a terapeuta continua a carregar e eu, que tenho a mania que sou estóica, penso finalmente, "mas que estupidez, porque é que não hei-de queixar-me?"
Aiiii.
"Desculpa, Joana, mas, ao fazer a entorse, deste cabo do ligamento, do tendão, blá blá blá, que fugiu blá blá blá"
És muito querida, mas os músculos do corpo humano ficaram nas aulas de ciências. Hoje foi a última sessão. Já estou quase boa.
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