Ainda não consigo trabalhar no computador, por isso, vim com uma amiga a um entrevista num sítio mítico no Guincho.
Para fazer horas, dei um pulinho à Boca do Inferno, que sempre considerei um lugar místico.
Calha estar a ler o livro "O anjo que queria pecar", de Francisco Salgueiro, que enreda justamente com a Boca do Inferno.
Lamentavelmente, estou a chegar ao fim. É um dos problemas dos livros que gostamos de ler, acabarem.
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06/06/12
05/03/12
Neurónios em colisão
Preciso de confusão para o processo criativo. De livros abertos, de lápis de cor e de cera, canetas de feltro, folhas para desenhar, de (perto de) 30 tabs abertas na internet, cada um com um link precioso, que vou usar no processo construtivo que estou a fazer. Há três dias que não consigo adormecer enquanto não vou à sala anotar as ideias que estou a ter, com os dedos nervosos para as desenhar, com a cabeça a não parar quieta na almofada. Os neurónios andam a chocar a alta velocidade uns com os outros. Tudo é mais fixe quando me sinto assim.
05/01/11
Como enfeitar o bolo dos anos
Enfeitei os queques que levei ontem para a escola, para os miúdos cantarem os parabéns à miúda, com um estendal da roupa. A abelhinha obreira que fez a maior parte das roupas fê-lo com um profundo sentimento de que estava a ser gozada. Lá recortou em espuma colorida umas calças, uma t-shirt, umas cuecas, umas botas e um cachecol, enquanto eu enrolava fio dental à volta de dois espetos de madeira. No fim, enfiei as peças de "roupa" no estendal e, chegada à escola, foi só montar o estendal nos queques. Os miúdos adoraram e não gastei virtualmente dinheiro nenhum nos enfeites, que são sempre caros. Obrigada pela ajuda, Raquel.
(Amei ver os miúdos a fazerem uma linha para darem um beijinho à aniversariante e ela muito contente, de cara à banda para receber os cumprimentos).
O estendal agora ficou na parede da cozinha. Até me fartar dele.
(Amei ver os miúdos a fazerem uma linha para darem um beijinho à aniversariante e ela muito contente, de cara à banda para receber os cumprimentos).
O estendal agora ficou na parede da cozinha. Até me fartar dele.
18/05/10
Tu e os submundos
A primeira vez que me lembro de entrar num submundo contigo namorávamos há pouco tempo. Já nem me lembro onde foi, mas sei que manténs essa atração. Lembro-me de falarmos dum café em Algés, enorme, que era um pouco assim, ninguém dava nada por ele por fora, mas por dentro era um mundo. Lembro-me dum jantar na mãe d'água "mas isto é assim por dentro?". Lembro-me de quando fui entrevistar a governanta do Ritz para um artigo e de te fazer inveja com as caves do hotel, inacessíveis para a generalidade das pessoas, onde se passa tudo o que faz um hotel funcionar. Lembro-me da igreja "Our Lord in the attic" em Amsterdão, onde ficámos os dois perplexos com a loucura duma igreja escondida plantada em cima de um prédio - daí o nome "Nosso Senhor no sotão".
Sempre gostaste desses lugares semi-escondidos, que não são imediatamente perceptíveis para os passers-by. Aliás, quando andamos a passear são justamente esses os sítios que procuramos, esquece lá o monumento batido com 500 pessoas à porta, vamos fazer outra coisa qualquer. E hoje fomos almoçar a um desses sítios onde gostas de ir. E parecias um miúdo a espreitar para todos os recantos, a ver se vias mais do que os outros. Gosto de ti quando fazes de miúdo.
Sempre gostaste desses lugares semi-escondidos, que não são imediatamente perceptíveis para os passers-by. Aliás, quando andamos a passear são justamente esses os sítios que procuramos, esquece lá o monumento batido com 500 pessoas à porta, vamos fazer outra coisa qualquer. E hoje fomos almoçar a um desses sítios onde gostas de ir. E parecias um miúdo a espreitar para todos os recantos, a ver se vias mais do que os outros. Gosto de ti quando fazes de miúdo.
04/03/10
Mais net e o flash de um amigo
Cada vez mais me convenço que devia ter um teclado ligado à net em dois sítios muito específicos: ao lado da cama e no carro. E nem precisava do ecrã. Ontem à noite tive de lutar com todas as forças para resistir às ideias malucas que andavam a perseguir-me. Gritavam-me do mais profundo "vai escrever", "vai escrever já", "o que é que estás a fazer na cama?", "vai escrever", "não tentes resistir"...
Fechei os olhos com toda a força para ver se conseguia dormir. Acho que as minhas pestanas deviam parecer as do Keanu Reeves no Matrix, quando estava a absorver toda a informação necessária para praticar na perfeição artes marciais (gosto especialmente da maneira como dizem jujitsu).
A agitação para vir escrever foi cansativa e só passou quando voltei a acender a luz, teimosamente não para escrever mas sim para ler. Para pegar finalmente no Paulo Castilho que andava a reservar para mais tarde, para que não acabe tão depressa.
Porque o Paulo Castilho é uma espécie de febre - ou, pelo menos, sempre foi. Os seus livros têm de ser devorados e, pelo que consegui ler ontem, uma série de capítulos de enfiada, agora a lutar com o cansaço do corpo pelas horas tardias, parece-me que este vai manter as expectativas. A história começa em Sintra numa atmosfera que eu adoro, de casas antigas, com mobílias antigas, com pessoas antigas, que gosto de ler nos livros porque os posso imaginar sempre como a casa dos meus avós.
E começa com amigos que já eram amigos na altura dos 17 anos, em que se discute a existência e a não existência, a importância e o sentido da vida e outros conceitos filosóficos que só eles davam para um blog inteirinho. Que saudades de tertúlias assim. Estou em pulgas para que chegue a noite e para voltar a pegar no livro. O regime é auto-imposto, se começo a ler a qualquer hora o livro chega ao fim num instante.
Já hoje, de regresso a casa no carro, lembrei-me de repente dum amigo de infância que morreu há uma série de anos, pouco depois do meu irmão ter morrido. Lembrei-me da exacta circunstância em que soube que ele o tinha feito. Tinha acabado de acordar e estava deitada na cama verde de ferro, encostada à parede. A minha irmã entrou e deu-me a notícia com um ar desesperado. Disse-me que uma das últimas respostas que tinha dado a alguém era "agora já está tudo bem". Era um miúdo muito divertido, cheio de imaginação e vontade e habilidade para fazer disparates. Brincávamos muito todos juntos. Não teve uma vida muito fácil. E hoje tive saudades dele.
Fechei os olhos com toda a força para ver se conseguia dormir. Acho que as minhas pestanas deviam parecer as do Keanu Reeves no Matrix, quando estava a absorver toda a informação necessária para praticar na perfeição artes marciais (gosto especialmente da maneira como dizem jujitsu).
A agitação para vir escrever foi cansativa e só passou quando voltei a acender a luz, teimosamente não para escrever mas sim para ler. Para pegar finalmente no Paulo Castilho que andava a reservar para mais tarde, para que não acabe tão depressa.
Porque o Paulo Castilho é uma espécie de febre - ou, pelo menos, sempre foi. Os seus livros têm de ser devorados e, pelo que consegui ler ontem, uma série de capítulos de enfiada, agora a lutar com o cansaço do corpo pelas horas tardias, parece-me que este vai manter as expectativas. A história começa em Sintra numa atmosfera que eu adoro, de casas antigas, com mobílias antigas, com pessoas antigas, que gosto de ler nos livros porque os posso imaginar sempre como a casa dos meus avós.
E começa com amigos que já eram amigos na altura dos 17 anos, em que se discute a existência e a não existência, a importância e o sentido da vida e outros conceitos filosóficos que só eles davam para um blog inteirinho. Que saudades de tertúlias assim. Estou em pulgas para que chegue a noite e para voltar a pegar no livro. O regime é auto-imposto, se começo a ler a qualquer hora o livro chega ao fim num instante.
Já hoje, de regresso a casa no carro, lembrei-me de repente dum amigo de infância que morreu há uma série de anos, pouco depois do meu irmão ter morrido. Lembrei-me da exacta circunstância em que soube que ele o tinha feito. Tinha acabado de acordar e estava deitada na cama verde de ferro, encostada à parede. A minha irmã entrou e deu-me a notícia com um ar desesperado. Disse-me que uma das últimas respostas que tinha dado a alguém era "agora já está tudo bem". Era um miúdo muito divertido, cheio de imaginação e vontade e habilidade para fazer disparates. Brincávamos muito todos juntos. Não teve uma vida muito fácil. E hoje tive saudades dele.
04/02/10
Na savana

Há dois dias, a caminho da escola, encontrámos um rinoceronte, que estava com um ar esfomeado. Pelo sim, pelo não, enfiámos as mãos geladas nos bolsos dos casacos, subimos as golas até ao queixo e enfiámos a cabeça em gorros quentinhos.
Toda a gente sabe que os rinocerontes esfomeados gostam de gelados de pessoas como nós gostamos de gelados de morango e marabunta e assim este já não nos apanha.
Este é um desporto favorito, quase tão favorito como apanhar coelhos a comer tubarões nas nuvens. Bons sonhos.
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