Já viram as perícias mágicas do Stuart Edge? Às vezes são técnicas de engate (o beijo do homem aranha, o engate via Siri, as cartas assinadas na montra), outras são magias mesmo. Desta vez foi "vamos lá dar umas notas a estudantes sem dinheiro da faculdade". Adoro a "tenho dois filhos que vão adorar este Natal", ou qualquer coisa do estilo.
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22/11/13
31/03/11
Fim do dia
De janelas abertas para a rua,
os miúdos a dormir,
uma mota a acelerar na avenida principal,
cheira a Primavera,
Lloyd Cole and the Commotions a tocar,
peso o dia que passou,
que passei a trabalhar,
em silêncio,
na maior parte do tempo.
Apetece-me ir passear para a rua,
vejo imensa gente,
uma miúda de calções curtinhos de mais,
uma velhota a estender um tapete na varanda,
estores que se baixam para a noite,
e só me apetece ficar aqui,
de janela aberta,
a ouvir a rua,
a cheirar a Primavera.
[a fotografia do Verão, a atravessar a ponte]
25/03/11
O rato dos dentes
Caiu mais um dente ao meu filhote. Não deu por nada e acordou com um dente a menos do que tinha ontem. Isso foi bom porque escapei-me ao ligeiro stress "tira o dente, mamã", "está a deitar sangue, mamã" e por aí fora.
Disse-lhe
Põe o dente debaixo da almofada, para o rato vir logo à noite.
Disse-me
"Eu já sei que não há rato dos dentes nenhum".
E eu disse
então não ponhas o dente.
Ficou completamente desarmado, estava à espera que eu o contrariasse e que argumentasse que sim, que há rato. Como fiz o contrário do que ele fez, ficou com um arzinho, como quem diz "se calhar ponho, não vá haver..." Mas não disse nada. Depois perguntou, com um ar romântico, onde é que eu guardo os outros dentes que já caíram. E eu disse
não guardo. Querias que guardasse?
"Não, era só para saber".
Eu, que em Andorra criei um Don Ráton para lhe deixar um presentinho depois de ter caído outro dente, acho que há histórias mágicas que não fazem mal a ninguém, antes pelo contrário e a atenção faz-lhes bem ao ego.
Estava a pensar nisso, enquanto arrumava papelada no escritório, quando, por sorte, encontrei a toca do rato debaixo de um armário. Fiquei feliz da vida, aqui está a prova de que ele precisava da existência do rato que traz presentinhos em troca de dentes.
Disse-lhe
Põe o dente debaixo da almofada, para o rato vir logo à noite.
Disse-me
"Eu já sei que não há rato dos dentes nenhum".
E eu disse
então não ponhas o dente.
Ficou completamente desarmado, estava à espera que eu o contrariasse e que argumentasse que sim, que há rato. Como fiz o contrário do que ele fez, ficou com um arzinho, como quem diz "se calhar ponho, não vá haver..." Mas não disse nada. Depois perguntou, com um ar romântico, onde é que eu guardo os outros dentes que já caíram. E eu disse
não guardo. Querias que guardasse?
"Não, era só para saber".
Eu, que em Andorra criei um Don Ráton para lhe deixar um presentinho depois de ter caído outro dente, acho que há histórias mágicas que não fazem mal a ninguém, antes pelo contrário e a atenção faz-lhes bem ao ego.
Estava a pensar nisso, enquanto arrumava papelada no escritório, quando, por sorte, encontrei a toca do rato debaixo de um armário. Fiquei feliz da vida, aqui está a prova de que ele precisava da existência do rato que traz presentinhos em troca de dentes.
15/12/10
A magia do Natal
Esta é a sala de jantar dos ursinhos. Tem retratos de família, uma casa de bonecas, cortinas, um repasto em cima da mesa e um ar vitoriano chique. É uma das montras do Hamley's, a enorme e famosa loja de brinquedos de Londres. Muitas montras de Londres são assim na altura do Natal, um sonho.
Fazem-me regressar ao Chiado de que falo muito e às montras do Grandella e dos Armazéns do Chiado, há muitos muitos anos, de mão dada com os meus pais e irmãos. Lembro-me facilmente do tempo que passávamos de narizes colados aos enormes vidros, a ver todos os pormenores da cidade dos brinquedos, dos comboios que andavam a circular pela cidade, as bonecas que eu queria ter no sapatinho, se me portasse muito bem o menino Jesus havia de mas trazer.
Nesses armazéns só comprei uma vez uma Barbie, com dinheiro que juntei, já nem sei como, mas deve ter sido do Natal dos meus avós ou de semanadas, custou mil e novecentos escudos. Lembro-me como se fosse hoje e já deve ter sido há 27 anos. Acho que é por isso que o Natal só começa verdadeiramente para mim quando vamos todos ao Chiado ver as montras.
A Hamley's propriamente dita faz-me lembrar da primeira vez que fui a Londres, também com os meus pais e os meus irmãos todos, e em que ficámos encantados com os senhores que anunciavam "self-tying shoelaces" e outras maravilhas do momento na loja. Desta vez, deixámo-nos inebriar com um disco voador mágico, que andamos a aprender a controlar só com a força da mente (eu não, guardo as minhas forças para outras coisas).
Desta vez, as montras do Harrod's ainda eram mais de sonho, já falei delas, com a história do Peter Pan, mas esqueci-me de as fotografar. Nem sequer levei máquina, como quase sempre faço, por achar que vai ser um peso.
Por Lisboa, o que se usa por estes dias são as montras minimalistas - isto é, dispõe-se quase nada, o que é uma tristeza. A Bershka tem umas montras giras este Natal, a recuperar a imagem vintage, tão na moda. Uma outra loja em Campo de Ourique também me surpreendeu, mas não sei o nome, apesar de termos comprado umas coisas bem giras lá.
Tenho pena de não ter fotografado também as montras da Fortnum & Mason, com espectaculares quadros dos mestres a três dimensões, que pareciam saltar na nossa direcção, assim, sem óculos dos men in black nem nada.
Quem sabe de lojas que estejam giras para eu ir ver para a semana com os miúdos quando eles estiverem de férias? (Por enquanto, estou cheia de coragem, já comprei os bilhetes para o autocarro para irmos passear para Lisboa, um dia ao Chiado, um à Avenida de Roma, um à Baixa, um a Campo de Ourique, um, se calhar, ao circo da Feira Popular e ainda hei-de pensar em mais. Claro, aceito sugestões e combinações).
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