Enquanto tecla de forma dolorosamente lenta no teclado preto que parece ocupar a secretária inteira, mantém os óculos fixos no monitor do qual só consigo ver a marca impressa a relevo nas costas.
A bata branca e a posição relativa no gabinete em que nos encontramos dizem que este senhor é o médico. Mas, deixa-me a pensar, na minha cabeça ser médico é outra coisa diferente.
Gosto dos médicos como gosto das pessoas - daqueles que olham para dentro de nós e sabem exactamente qual é a pergunta que devem fazer. Melhor, aqueles que conseguem apontar o sítio exacto, no meio dos milhões de células, onde nos dói.
Estes médicos a treinarem para serem tecnológicos, já não são propriamente médicos. Especialmente porque teclam como uma criança de dois anos.
Para mim, quando se perde a ligação humana, o resto já não interessa muito. E este silêncio forçado, interrompido pelo titubeante teclar, incomoda-me, quanto mais não seja porque as dores de costas já arrasaram comigo antes.
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12/06/12
05/06/12
Receita anti-Alzheimer
No dr. Oz:
1. Suplementos memória
Vitamina E
Gingko
Fosfatidil (whati?)
2. Dieta Anti inflamatória
Castanha do Brasil
1 ovo cozido por dia
Café (3 a 4 chávenas por dia)
3. Tempero
Curcuma (uma parte)
Salva (duas partes)
Gengibre (três partes)
A receita é dos médicos Deepak Chopra e Andrew Weil.
1. Suplementos memória
Vitamina E
Gingko
Fosfatidil (whati?)
2. Dieta Anti inflamatória
Castanha do Brasil
1 ovo cozido por dia
Café (3 a 4 chávenas por dia)
3. Tempero
Curcuma (uma parte)
Salva (duas partes)
Gengibre (três partes)
A receita é dos médicos Deepak Chopra e Andrew Weil.
05/01/12
Staying alive
O melhor vídeo para ensinar a salvar alguém com paragem cardíaca, hoje partilhado pelo Dinheiro Vivo. Curto e grosso, que é para ficar na cabeça de todos:
Recapitulando:
Ligar 112
Fazer compressões torácicas ao ritmo de Staying alive dos Bee Gees
Pode fazer toda a diferença.
Recapitulando:
Ligar 112
Fazer compressões torácicas ao ritmo de Staying alive dos Bee Gees
Pode fazer toda a diferença.
05/05/11
Quem tem medo das agulhas?
Brutal! Ontem tive uma sessão de acupunctura e o dinheiro que paguei no final foi o dinheiro mais bem gasto da semana (mais bem/melhor?).
Sou repetente e só posso dizer que ainda adoro a sensação de plenitude e bem estar depois das agulhas.
Perguntas, com ar meio arrepiado meio desconfiado, se não é só sugestão. Não. Eu bem sinto a energia a ir de um ponto para o outro do corpo. Dormi muito bem, acordei às dez para as cinco super bem disposta. Amei. Outra vez.
Sou repetente e só posso dizer que ainda adoro a sensação de plenitude e bem estar depois das agulhas.
Perguntas, com ar meio arrepiado meio desconfiado, se não é só sugestão. Não. Eu bem sinto a energia a ir de um ponto para o outro do corpo. Dormi muito bem, acordei às dez para as cinco super bem disposta. Amei. Outra vez.
13/11/09
Só estou a olhar
Sentada na cadeira do dentista, sem poder falar e sem querer obviamente fitar as sobrancelhas do médico que se debruça sobre os meus dentes, só estou a olhar. Pelo canto do olho, parecem-me enormes, as sobrancelhas. O resto, escondido atrás duma máscara daquelas da gripe, não percebo bem como é.
Como quando vou à depilação, olho para o tecto, conto os buraquinhos, os riscos ou as pintas simétricas no caso deste pladur, penso se o próprio do prestador de serviços alguma vez se põe naquela posição, para perceber o que é que os clientes vêem - quer dizer, eles têm noção que temos de olhar para algum lado, não é? Penso se haverá clientes estranhos que suportam prender o olhar no do médico e ficam o tempo todo a olhar para os seus olhos...
Depois, olho para as suas mãos, com luvas com pó. Olho para o meu reflexo distorcido na lâmpada da cadeira, ora acesa ora apagada. Penso que gostava de ver o que diz a mensagem que está a apitar no meu telemóvel, penso que não tenho jantar nem vou ter tempo para ir às compras... "São só cinco minutos de boca aberta". "Um fio de retracção", blá blá blá.
Custa-me ir ao dentista. Não fisicamente, porque isso nunca me impressionou, mas financeiramente mesmo. Acho sempre que ficava melhor com umas botas novas, de que preciso, ou com uma mala castanha nova, de que preciso também. Mas sei que é essencial ir ao dentista. Mas é caro.
Então, para me abstrair das coisas estranhas que se passam nos meus dentes, cheiro a t-shirt que se debruça sobre mim, cheira a lavado - deve haver alguém a pensar que os dentistas têm de cheirar a lavado, senão pode ser desagradável.
No fundo, é divertido ter uns minutos com pessoas estranhas sem ter de falar, só rir de boca aberta quando o aspirador se prende à nossa bochecha e faz uns barulhos esquisitos.
No elevador, à saída do gigante consultório que anda há uns tempos em remodelação, dois homens das obras conversam: "Eles podem pôr-me a dormir em qualquer lugar. Até pode ser numa espelunca. Agora, se tiver bichos, vou logo para um hotel de 5 estrelas".
Contrastes.
Como quando vou à depilação, olho para o tecto, conto os buraquinhos, os riscos ou as pintas simétricas no caso deste pladur, penso se o próprio do prestador de serviços alguma vez se põe naquela posição, para perceber o que é que os clientes vêem - quer dizer, eles têm noção que temos de olhar para algum lado, não é? Penso se haverá clientes estranhos que suportam prender o olhar no do médico e ficam o tempo todo a olhar para os seus olhos...
Depois, olho para as suas mãos, com luvas com pó. Olho para o meu reflexo distorcido na lâmpada da cadeira, ora acesa ora apagada. Penso que gostava de ver o que diz a mensagem que está a apitar no meu telemóvel, penso que não tenho jantar nem vou ter tempo para ir às compras... "São só cinco minutos de boca aberta". "Um fio de retracção", blá blá blá.
Custa-me ir ao dentista. Não fisicamente, porque isso nunca me impressionou, mas financeiramente mesmo. Acho sempre que ficava melhor com umas botas novas, de que preciso, ou com uma mala castanha nova, de que preciso também. Mas sei que é essencial ir ao dentista. Mas é caro.
Então, para me abstrair das coisas estranhas que se passam nos meus dentes, cheiro a t-shirt que se debruça sobre mim, cheira a lavado - deve haver alguém a pensar que os dentistas têm de cheirar a lavado, senão pode ser desagradável.
No fundo, é divertido ter uns minutos com pessoas estranhas sem ter de falar, só rir de boca aberta quando o aspirador se prende à nossa bochecha e faz uns barulhos esquisitos.
No elevador, à saída do gigante consultório que anda há uns tempos em remodelação, dois homens das obras conversam: "Eles podem pôr-me a dormir em qualquer lugar. Até pode ser numa espelunca. Agora, se tiver bichos, vou logo para um hotel de 5 estrelas".
Contrastes.
11/11/08
Chocolate
A vida toda brinquei com a minha mãe por adorar chocolate. Adorar mesmo, do tipo gostar mais de receber chocolates do que colares e brincos. Até houve um dia em que deu ao meu namorado uma tablette de chocolate gigante da Milka, que ele pediu para guardar. Nunca mais a viu.
E eu brincava porque o chocolate nunca me maravilhou.
Quando era pequenina gostava das tablettes Belleville que usávamos para fazer mousse, nunca percebendo como pode alguém fazer mousse de pacote - é a coisa mais fácil de fazer do mundo, só são precisos seis ovos, seis colheres de sopa de açúcar e uma tablette de chocolate. Em menos de cinco minutos está pronta e é uma delícia. Mas, quando era pequenina, não posso dizer que adorasse mousse. Comia sempre pouco. O que gostava mesmo era de a fazer. Foi a última coisa que cozinhei para o meu irmão no hospital. Sempre que faço mousse penso nisso.
Quando era pequenina gostava dos chocolates Regina com sabores de fruta, o morango era o meu preferido. Regra geral, escolhia chocolates fininhos ou bombons de ginga. Adorava aqueles grandes azuis com desenhos prateados e vermelhos e, enquanto comia o bombom, alisava a prata, lembrando-me sempre de que o meu pai em miúdo tinha uma vez resolvido um furo num pneu do carro com uma prata que retirou da sua "colecção privada". Esta é uma das razões para o meu pai ter sido sempre um herói para mim. Isso e a "batata" dos rangers.
Depois tive um filho. E depois uma filha. E quando fiquei grávida desta sonhava durante a noite (e o dia também) com chocolates, com fondue de chocolate, com mole chileno, com chocolate. Deve ter sido por esta altura que vi uma reportagem sobre a Feira do Chocolate em Óbidos. Casas de chocolate como a de Hansel e Gretel, fontes de chocolate, chocolate, chocolate, chocolate...
Hoje dou por mim a visitar os amigos que moram no andar de baixo na demanda de um pouco de chocolate no fim do jantar. E sempre com um vago sentimento de culpa, que isto de uma coisa saber tão bem só pode fazer mal à saúde... Compenso comprando chocolates com 80 por cento de cacau. Porque assim sim, faz bem à saúde.
E eu brincava porque o chocolate nunca me maravilhou.
Quando era pequenina gostava das tablettes Belleville que usávamos para fazer mousse, nunca percebendo como pode alguém fazer mousse de pacote - é a coisa mais fácil de fazer do mundo, só são precisos seis ovos, seis colheres de sopa de açúcar e uma tablette de chocolate. Em menos de cinco minutos está pronta e é uma delícia. Mas, quando era pequenina, não posso dizer que adorasse mousse. Comia sempre pouco. O que gostava mesmo era de a fazer. Foi a última coisa que cozinhei para o meu irmão no hospital. Sempre que faço mousse penso nisso.
Quando era pequenina gostava dos chocolates Regina com sabores de fruta, o morango era o meu preferido. Regra geral, escolhia chocolates fininhos ou bombons de ginga. Adorava aqueles grandes azuis com desenhos prateados e vermelhos e, enquanto comia o bombom, alisava a prata, lembrando-me sempre de que o meu pai em miúdo tinha uma vez resolvido um furo num pneu do carro com uma prata que retirou da sua "colecção privada". Esta é uma das razões para o meu pai ter sido sempre um herói para mim. Isso e a "batata" dos rangers.
Depois tive um filho. E depois uma filha. E quando fiquei grávida desta sonhava durante a noite (e o dia também) com chocolates, com fondue de chocolate, com mole chileno, com chocolate. Deve ter sido por esta altura que vi uma reportagem sobre a Feira do Chocolate em Óbidos. Casas de chocolate como a de Hansel e Gretel, fontes de chocolate, chocolate, chocolate, chocolate...
Hoje dou por mim a visitar os amigos que moram no andar de baixo na demanda de um pouco de chocolate no fim do jantar. E sempre com um vago sentimento de culpa, que isto de uma coisa saber tão bem só pode fazer mal à saúde... Compenso comprando chocolates com 80 por cento de cacau. Porque assim sim, faz bem à saúde.
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