30/10/13

A sério?

Só quando a música do Vasco Palmeirim sobre a lei de limitação de animais já ia a meio na rádio do carro é que me passou a leve sensação de pânico com que fiquei quando percebi que a miúda estava trancada na despensa. Sem luz. Sem conseguir abrir a porta.
O pânico não era bem pânico, era mais um desconforto, porque estava tudo bem, só havia uma porta entre nós e eu havia de conseguir resolver aquilo. Ainda tentei dar uns encontrões à porta, mas tenho a sensação que nem abanou... Comecei a magicar soluções: um machado (demasiado Shining, além de que não temos nenhum), um martelo (só ia magoar a porta), um pé-de-cabra (idem, mais a ombreira), uma chave de fendas... Ainda comecei a desenroscar a maçaneta, mas percebi que não ia resolver nada. Então parei um pouco e lembrei-me de pôr a miúda (que já tinha conseguido acalmar com um tom de voz calmo e "estou mesmo aqui, não há mal nenhum") a tentar desbloquear a maçaneta do lado de lá.
Depois de muitos "para a direita", "a direita é a mão com que eu escrevo?", "sim", "agora faz força", "para que lado? Estou a fazer e não acontece nada", "para a direita, faz força", "mais força", a porta lá se abriu e senti um alívio enorme.
Mas foi só no carro, com "Eu tenho dois cachorros", os canitos e o gado vacum do Palmeirim, com o ritmo da música do Marco Paulo, que passou a sensação de stress.
(Quem é que no seu perfeito juízo tem mais de dois cães ou mais de quatro gatos num apartamento? Lembro-me que em miúda, ao pé de casa dos meus pais morava uma maluca que, dizia-se, tinha para cima de 40 gatos. 'Ca nojo!)

28/10/13

Sobre a natureza fugidia das férias

Estamos quase em Novembro, estou a almoçar e chove muito lá fora ou ameaça chover muito lá fora. Estou a pensar na natureza fugidia das férias, nos dias de Verão que tivemos, tão bons.

Rock stars have back pain too

Gosto muito da vista dos bastidores, aquela parte dos espectáculos que me parece sempre mais divertida do que o espectáculo em si. Por isso, foi com agrado que embarquei na promessa do diário de Lou Reed, que morreu ontem, publicado pela revista The New Yorker em Agosto de 1996. A conclusão é o meu título, com que hoje depois da pancada de ontem empatizo ainda mais: Rock stars have back pain too.
Walk on the wild side.

27/10/13

Corrida Montepio + o carro amassado

Quando íamos a caminho da corrida do Montepio bateram-nos no carro num semáforo. Estávamos parado, o senhor ia distraído. Azar do caraças. A treta do golpe do coelho.
Lá fomos para os 3 kms da caminhada, eu e os miúdos, deixando os condutores a tratarem da declaração amigável. 
Ficou despachado do acidente mais de 20 minutos depois da corrida dos 10 kms ter começado, mas ainda passou por nós a correr com uma moral como se fosse na dianteira. 55 minutos. Vinha muito contente.
Diz que deve ter sido o corredor mais aplaudido da prova, porque era o último mas ia a correr que nem um desalmado. As pessoas gritavam-lhe "o que importa é acabar" e "força, vais conseguir". Foi cómico.

25/10/13

Primeira tentativa - Arroz de pato

Hoje fiz arroz de pato pela primeira vez na vida. E ficou uma delícia (só digo isto porque fui surpreendida pelo resultado.

Usei 4 pernas de pato, que cozi em água abundante a ferver com sal, pimenta e canela em pó, mais uma folha de louro. Ao fim de cinco minutos acrescentei o arroz, que cozeu 12 minutos. Escorri o arroz, desfiei as pernas. Misturei o arroz e o pato num prato de levar ao forno.  Levei a pele ao lume numa frigideira para libertar a gordura. Reguei o arroz com essa gordura e com os pedaços de pele (soa mal mas sabe deliciosamente) e levei ao forno a gratinar a 240°, depois de ter pincelado com uma gema batida com um pouco de água.

7 das melhores comédias românticas de sempre

(Aquelas que deram cabo de muitas relações mais simples)
Seguindo o impulso que senti quando li a e-news de há dias da Refinery29 - obrigada Inês -, aqui vai a minha lista das melhores declarações de amor em filmes ou os melhores filmes de amor de sempre.
Quando falo das melhores, falo daquelas declarações (ou constatações de estar apaixonado) que são tão poéticas ou extravagantes que devem ter arruinado a possibilidade de felicidade normal para muitas pessoas. Isto é, de felicidade tranquila sem terem de ficar com a pele arrepiada e com as pernas a tremer de cinco em cinco minutos - ao longo de toda a vida.
Como diz alguém num filme romântico qualquer: "estás mais interessado no sweeping up do que na pessoa em si".
Não concordo com todos os que eles escolhem, por isso fiz a minha própria lista:

- Before sunrise (1995) e Before sunset (2004) - Ethan Hawke e Julie Delpy. Estes não tenho de justificar, porque já escrevi sobre eles montes de vezes.
- French Kiss (1995) - o filme mais amoroso do mundo. Meg Ryan antes de lhe acontecerem coisas estranhas à cara e Kevin Kline bronco mas carinhoso ao mesmo tempo. O beijo adormecido no comboio é demais.
- Adventureland (2009) - é preciso ver o filme até ao fim, e aí há arrepios prometidos. Jesse Eisenberg (aka o rapaz que uns anos depois criou o facebook) e Kirsten Stewart (a vampira) num parque de aventuras com o trabalho de Verão mais looser do mundo.
- Silver linings playbook (2012) - querido e bonito, existencial e interessante. Com Bradley (What a Hunk) Cooper e Jennifer Lawrence.
- When Harry met Sally (1989) - textualmente o mesmo que diz a Refinery29 sobre este filme, citando o Harry: "When you realize you want to spend the rest of your life with somebody, you want the rest of your life to start as soon as possible." Mais uma vez, Meg Ryan antes de ter ficado desfigurada.
- Someone like you (2001) - este vi em Nova Iorque, o que só contribuiu para aumentar o interesse do filme. Com Hugh Jackman e Ashley Judd - uns queridos - gosto especialmente da cena do encontro casual na cozinha.
- Reality Bites (1994) - Ethan Hawke outra vez, com Winona Ryder antes daquele problema com o saco das compras. Assinalo o desespero juvenil deles.

22/10/13

A situação com o parque de estacionamento

Ando a tentar contratar um colaborador júnior para um estágio. Depois de filtrar para cima de 80 CV (alguns verdadeiramente despropositados e outros que padecem do mal Europass), cheguei a um candidato de que gostei mais (carta de apresentação, CV, trabalho que pedi e entreista). Veio cá para uma segunda entrevista. Obrigada e depois telefono-te, ok? Liguei passado umas horas a dizer-lhe que o tínhamos seleccionado e a perguntar se podíamos contar com ele. Pediu-me o fim-de-semana para pensar. Estranhei, mas ok. Ontem ao final do dia ligou-me a dizer que agradecia, mas que tinha estado a fazer contas e o dinheiro que ia gastar em gasolina e parques de estacionamento (!!!) não compensava o que ia ganhar. "Tenho de gastar para cima de 400 euros em deslocações e não compensa."
Desliguei o telefone a rir-me, despachando-o rapidamente. Sabem aquilo que dizem os velhos? "Se fosses meu filho levavas um puxão de orelhas..." Está tudo doido?

On email and other stuff

O email tornou-se tão marcadamente profissional que receber um mail pessoal é raro. E não, não estou a pensar em cadeias de emails ou forwards de coisas. Um email mesmo.

18/10/13

Assim é o amor


Receber um mail com isto.

'cê sabe o que é touringa (sic)?

Dois casais de brasileiros encontram-se num restaurante muito chique de Lisboa, cheio de estrangeiros endinheirados deliciados com a vida lisboeta (eu adoro estrangeiros endinheirados a sustentarem os projectos bons da cidade). Não se conhecem de lado nenhum, mas conversam como se fossem amigos de sempre. Há uma que fala mais alto, tem ar de ter tanto dinheiro, nem sei se é o penteado, se é a maneira de falar, mas é tudo dinheiro ali.
- Donde são?
- De São Paulo, blá, blá, blá (brasileiro fala blá, blá, blá? Ou tem outra expressão?).
- Conhecem o...
- Claro, é nosso amigo, é bom demais.
- Em que hotel estão?
- Na Lapa.
- Céus, é muito bom, já lá ficámos.
Mais blá, blá, blá, trocam visitas a restaurantes como quem troca cromos, falam no Sea Me, no Pap'Açorda, só coisas boas.
- E vinho? Há vinho muito bom aqui. 'Cês provaram o Quinta do Crasto? É muito bom, no Brasil ninguém fala, mas é mesmo bom.
- 'Cê sabe a casta que eles falam touringa (dito assim mesmo, com um "n" a mais)? É o tempranillo.
- blá, blá, blá

Donde se conclui: temos tanta coisa boa para mostrar ao mundo. E isso é tão bom.

De língua de fora

A capa do Diário de Notícias de hoje traz o príncipe britânico - não o herdeiro, mais compostinho, mas o Harry, mais dado à devassa. E o que faz ele na capa? Está de língua de fora porque pagou 28 euros por um frango português e, certamente, ficou a babar-se. É um critério editorial como outro qualquer.

15/10/13

Jumping Jack Surfer


Uma das melhores fotos do dia para o "The Guardian". A história é que o surfista desconhecido chegou tarde a uma competição e resolveu saltar os mais de nove metros que o separavam das ondas. A foto foi tirada em Lighthouse Point, Santa Cruz, EUA, e é do fotógrafo Allen Hughes, da Caters News Agency. Está brutal!

09/10/13

Na sala de espera

Nunca há nada de útil para fazer, enquanto se espera. Há tanta coisa para fazer noutro lado. Tanto trabalho para acabar, tanto para passear, tanta coisa fútil para fazer. E a sala de espera é sempre chata, sempre desinteressante, demorada. 
Chato.

06/10/13

Histórias pequenas

Isto foi um daqueles infinitos acasos que acontecem todos os dias. 

A legenda de uma foto do projecto Humans of New York, que é muito giro e tem uma legião de seguidores e partilhas no facebook, diz qualquer coisa do estilo:

Pergunta - O que é que gostaria de dizer a um grupo grande de pessoas?
Resposta - Eu sou sikh e vivia na Índia em 1984, quando um sikh assassinou Indira Gandhi. Enormes grupos foram de porta em porta à procura de sikh. Nós escondemo-nos num roupeiro em pânico quando vieram à nossa porta, mas um vizinho acabou por conseguir convencê-los que tinhamos mudado. Odeio grandes grupos de pessoas.

Só li a legenda porque a foto demorou a carregar, porque o senhor fotografado tinha ar de sleezeball, o que seria a desculpa ideal para não lhe ligar. Esse é o acaso.



03/10/13

Bolo de chocolate na caneca - sem ovos e sem leite

É mesmo possível fazer bolos na caneca e ficarem uma delícia. Ontem experimentei uma segunda receita, depois de já ter testado outra receita antes. Esta é melhor. E não tem nem ovos nem leite.

Receita de bolo de chocolate na caneca
(a dose é mais para uma tigela)

5 c. sopa de farinha
4 c. sopa e 1/2 de açúcar
2 c. chá cacau sem açúcar
1/4 c. chá de bicarbonato de sódio
1 pitada de sal

1/2 c. chá de vinagre de vinho branco
1/4 c. chá de essência de baunilha
2 c. chá de óleo (usei de graínhas de uva)
4 c. sopa e 1/2 de água

Numa tigela untada, misturar os ingredientes secos. Acrescentar os restantes por esta ordem e misturar com um garfo.

Vai ao microondas um máximo de 2 minutos na potência máxima.  No meu (850 Watts) demorou 1:30. Testar com um palito. Não deixar cozer demais, mais vale interromper para testar.

A receita original, que me limitei a traduzir, está no Sweetlittlebluebird.

Recomendo.

02/10/13

Isto não é comida, é ciência

Nacho Dorito. Pena, por causa de todas as cenas que tem lá dentro, mas eu quero provar.

Os furinhos nas t-shirts

Tenho a selecção mais fina de t-shirts que possuo com um, dois ou três furinhos minorcas na zona do umbigo. Não é o umbigo, também não é o cinto, que não tem espigão. Desconfio que sejam as cordas da roupa, que são daquelas com fio de aço dentro de uma camada de plástico. Nas pontas acho que são capazes de estar desfiadas. Há quatro dias fiquei com a t-shirt mais fina de todas (!) com fios repuxados, levando a que tivesse que ir para o lixo. Fiquei tão desconsolada. Não sei como é que hei-de resolver isto - com cola?

No caminho

- Manhã tranquila: tomei banho e vesti-me de porta fechada. Os miúdos não ensaiaram sequer nenhuma pega, porque disse-lhes que não os ia ouvir. Funcionou;
- Passo a entrada da escola dos miúdos e tenho de voltar para trás, rindo-me do disparate;
- Eles dizem "podíamos ir contigo para o trabalho", como quem atira barro à parede, mas sem grande convicção. Eu rio-me outra vez, um riso talvez meio sádico;
- Passo o desvio para o Dolce Vita Tejo e penso que o que me apetecia era ir lá, passar a manhã a ver montras. Quem sabe, tentar encontrar coisas naquela loja gigante que toda a gente adora e onde nunca consegui comprar nada;
- Um pouco mais à frente, penso que ando a dar erros, desde que o disparate do Acordo Ortográfico entrou na minha vida, excepto quando escrevo no Word, que parece que tem cérebro e me dá uma ajuda discreta. Desejo que ninguém perceba;
- Penso nos últimos posts que li no Facebook. Acho que ninguém vai perceber mesmo. Penso que há muita gente que não sabe escrever nem antes nem depois do Acordo Ortográfico. E - mais interessante - estão-se nas tintas;
- Tenho pena disso, um pouco de vergonha alheia. Os erros resolvem-se. Só é preciso ler;
- Penso no tempo que passo a pensar nisso;
- Penso em gomas. Amoras vermelhas e pretas;
- Chego ao escritório.