31/03/09

Como um peão

Cruzo as ruas como um peão num tabuleiro de xadrez. Há dias em que qualquer movimento em falso pode levar-me em direcção a locais perigosos ou, continuando a analogia, a peças perigosas. Por isso, jogo. Ando na diagonal como as torres ou a direito como os peões. Acelero para ultrapassar algum conhecido mais melga ou abrando para evitar ter de ficar a fazer conversa de chacha com pessoas chatas. Finjo pressa, corro para fazer qualquer recado, fazer ou dar um almoço ou jantar.
Se, por outro lado, são pessoas de que gosto e por aqui há também muitas dessas, abrando ou acelero com o objectivo contrário, que é o de ficar à conversa. Pessoas estimulantes ou só semelhantes fazem-me perder os horários, esquecer o jantar, chegar tarde. Pessoas que já não vejo há muitos anos, tenho tanta curiosidade de saber o que fazem, mas tenho geralmente vergonha de perguntar. O que fazem? Quem são? O que é a vossa vida? Vivem sozinhas ou têm vidas animadas, têm filhos, o que fazem? Sou tão cusca interiormente e, ao mesmo tempo, tão contida nas conversas. Como jogadora de xadrez não sou muito boa a fazer bluff.

Eu sei

Eu sei como te sentes quando abres o roupeiro com um ar desanimado pela manhã. Olhas para as cruzetas e para as gavetas, remexes t-shirts, camisas, calças, sapatos, até as meias não são do estilo que precisas. Na Primavera, oscilo entre casacos quentinhos e t-shirts sem alças, oscilo entre as botas de cano alto que comprei finalmente este ano e no último e as sandálias de Verão. Penso mesmo em calçar sapatos que me magoam só porque são intermédios e porque não sou capaz de os deitar fora (quando era pequenina não se deitavam fora coisas que estavam boas...
A Primavera é fantástica mas é difícil acertar no guarda-roupa correcto. Hoje antecipo algum frio, mas sinto-me bem como estou, já sei que pelo meio-dia vai estar certo e ao final da tarde errado outra vez.

29/03/09

Mónaco

Lembras-te de quando fazer a marginal de carro era quase equivalente a jogar à roleta russa? E de quando o Mónaco, que tinha a curva mais perigosa de todas, onde morreu muita gente estupidamente, era um dos restaurantes mais chiques da zona?

26/03/09

Linha fininha

Há uma linha muito fina que separa o sermos bons pais do sermos maus pais. Em relação às mães, essa linha é ainda mais ténue. Termos lenços de papel connosco a todo o tempo pode significar que somos boas mães - i.e. os putos nunca andam ranhosos, sinal óbvio de má paternidade, se se sujarem com comida ou bebida, o que vai acontecer de certeza, podemos limpá-los e até podemos usar os lenços para fazer engenhosos chapéus de sol em caso de o dito abusar da força.

Num momento sou uma boa mãe, porque tenho lenços de papel e os miúdos estão com um ar apresentável e, no momento seguinte, um gelado "é" derretido sobre a t-shirt. Má mãe.

Num momento sou uma boa mãe, porque depois de ajudar o meu filho mais velho a lavar os dentes o deixo gargarejar com o colutório com flúor que o dentista lhe deu por se ter portado muito bem na consulta. E, no momento seguinte, o puto engole aquela porcaria toda e sou outra vez má mãe, a pedir ajuda à médica do Centro de Informação Anti-Venenos (808 250 143 - é para decorar, escrever na carteira e pendurar no frigorífico, ensinar aos avós que ficam com os filhos e aos amigos todos, é o 112 dos venenos e funciona muito bem). O que vale é que aquilo "não é tóxico", mas ainda tenho de lhe espetar com um pacotinho de leite para dissolver a "maldade".

Raio da linha.

25/03/09

Viagem no tempo

Um passeio não é uma viagem, no entanto, se nos esforçarmos, podemos fazer de qualquer trajecto uma viagem fantástica. No caminho para a escola, em pleno Monsanto onde só há mulheres da má vida e os eventuais acompanhantes que as cobiçem, um homem pequenino anda com um ar decidido.
Cruzamo-nos enquanto desço a Serafina, o pequeno homem de verde, que se confunde com a folhagem das árvores luxuriantes da Primavera, e eu no meu carro cinzento, que se confunde com o pó e com os anos que tem. "É patine" dizem os entendidos.
O que fará este homem e porque está a andar por Monsanto, sem destino óbvio uma vez que está longe de tudo? Se calhar é um daqueles pequenos duendes das florestas que surgem ao princípio da noite, só que está enganado com o novo horário solar...
De repente, Nirvana no rádio e tenho 14 anos outra vez, 14 anos em que somos todos os melhores amigos, apesar de hoje já não me lembrar do nome de muitos e não saber donde os conheço. 14 anos em que as conversas sobre nada duram dias e noites, em que as coisas verdadeiramente importantes são os amigos, as saídas, as roupas, os namoricos. Adoro Nirvana.

24/03/09

Sugar sugar

Delicioso - afinal a responsável pela minha adoração por doces (gomas, chocolates, açúcar, cereais com açúcar, açúcar amarelo que com a humidade faz caroços deliciosos, sumos doces, etc...) é a crise. Quem o diz é o New York Times e quem sou eu para duvidar?

22/03/09

3 filhos

Serei eu totó por me rir que nem uma parva quando leio estes textos? E serei ainda mais totó por ter um deadline apertado para entregar um trabalho e estar a rir-me de coisas tontas? É que transbordam de verdade.

O que faz quem tem três filhos (copiado integralmente do blog www.ahtrine.com.br):

O que vestir
1º bebê - Você começa a usar roupas para grávidas assim que o exame dá positivo
2º bebê - Você usa as roupas normais o máximo que puder
3º bebê - As roupas para grávidas SÃO suas roupas normais

Preparação para o nascimento

1º bebê - Você faz exercícios de respiração religiosamente
2º bebê - Você não se preocupa com os exercícios de respiração, afinal lembra que, na última vez, eles não funcionaram
3º bebê - Você pede a anestesia peridural no oitavo mês

O guarda-roupas
1º bebê - Você lava as roupas que ganha para o bebê, arruma de acordo com as cores e dobra delicadamente dentro da gaveta
2º bebê - Você vê se as roupas estão limpas e só descarta aquelas com manchas escuras
3º bebê - Meninos podem usar rosa, né?

Preocupações
1º bebê - Ao menor resmungo do bebê, você corre para pegá-lo no colo
2º bebê - Você pega o bebê no colo quando seus gritos ameaçam acordar o irmão mais velho
3º bebê - Você ensina o mais velho a dar corda no móbile do berço

A chupeta
1º bebê - Se a chupeta cair no chão, você guarda até que possa chegar em casa e fervê-la
2º bebê - Se a chupeta cair no chão, você a lava com o suco do bebê
3º bebê - Se a chupeta cair no chão, você limpa na camiseta e dá novamente ao bebê

Troca de fraldas
1º bebê - Você troca as fraldas a cada hora, mesmo se elas estiverem limpas
2º bebê - Você troca as fraldas a cada duas ou três horas, se necessário
3º bebê - Você tenta trocar a fralda antes que as outras crianças reclamem do mau cheiro

Atividades
1º bebê - Você leva seu filho para as aulas de musicalização para bebês, teatro, contação de história…
2º bebê - Você leva seu filho para as aulas de musicalização para bebês
3º bebê - Você leva seu filho para o supermercado, padaria…

Saídas
1º bebê - A primeira vez que sai sem o seu filho, liga cinco vezes para casa para saber se ele está bem
2º bebê - Quando você está abrindo a porta para sair, lembra de deixar o número de telefone de onde vai estar.
3º bebê - Você manda a babá ligar só se ver sangue

Em casa
1º bebê - Você passa boa parte do dia só olhando para o bebê
2º bebê - Você passa um tempo olhando as crianças só para ter certeza que o mais velho não está apertando, beliscando ou batendo no bebê
3º bebê - Você passa um tempinho se escondendo das crianças

Engolindo moedas
1º bebê - Quando o primeiro filho engole uma moeda, você corre para o hospital e pede um raio-x
2º bebê - Quando o segundo filho engole uma moeda, você fica de olho até ela sair
3º bebê - Quando o terceiro filho engole uma moeda, você desconta da mesada dele

20/03/09

Amor nos anos 70

À porta da farmácia vêem-se coisas engraçadas. Um casal de setentões sai nervosamente do prédio ao lado. Nervosamente por excitação, por antecipação. Abrem a porta, quem passa primeiro, a mala ou eu?, a mulher ou o marido? Vêm em traje de passeio, têm a alegria de miúdos estampada na cara. A óbvia e incontornável malinha com documentos de pendurar a tiracolo, beige claro. Um saco de lixo para ir pôr no contentor, a provar ainda mais que a viagem vai ser longa.

A viagem até pode ser uma estucha, uma excursão de dois dias a Elvas e Badajoz, daquelas em que no fim têm de ouvir uma "breve" palestra de duas horas sobre produtos da empresa x. O ponto alto já foi saírem do prédio onde moram há 30 anos com malas de rodinhas e arrastarem-nas pelo bairro todo até chegarem ao ponto de encontro. Sabem o barulho que fazem as rodinhas das malas? É barulho de glamour.

A sabedoria

Sentado na cama, o meu filho lê para a pequenita, que está com sono. Pega no livro azul do Noddy e, com um ar sábio e amigo da mana (abençoados os momentos em que isso acontece), lê: "No-ddy-vai-à-pra-i-a". E depois olha para mim com ar triunfante. Boa miúdo.

Ainda és um bocado pequeno, o que diz lá é "Noddy e a aventura na praia". Mas gosto de te ver assim empenhado. Gosto de te ver esconder os dedos nos bolsos do casaco enquanto fazes contas, gosto de te ver satisfeito a prescrutar postéres e cartazes a dizer "ali está um R", "este é um E", "aqui diz C-A-S-A, casa". Assim, tudo em caixa alta, que é a maneira de aprender, depois logo evoluíremos para a caixa baixa e as várias famílias de fontes, acrescentando gradualmente capas e capas de conhecimento.

E gosto da mais pequena a perguntar-me sempre que vê letras ou números "que diz ali mãe?".

19/03/09

Amor nas páginas de um livro

Aos poucos, numa livraria perto de Lisboa, vai lendo o Rio das Flores de Miguel Sousa Tavares. Devagarinho, à medida do tempo disponível para se sentar num dos cadeirões pretos, à medida do tempo disponível para não estar a fazer nada. Só a ler.

Tem tempo, tem pouco que fazer. Gosta desta vida silenciosa, de estar ali, onde ninguém a chateia, perdida num livro que não vai comprar. Há muitos muitos anos que está sozinha. Faz-lhe falta companhia. Programas. Cultura.

Um dia, numa destas sessões de leitura na livraria, aconchegada nos cadeirões, protegida do frio e do isolamento da rua, entre outros que lêem livros com o mesmo objectivo de fazer tempo, detecta uma presença nas páginas do "seu" livro. Uma marca que vai sendo mudada, à medida que a história avança. Mais páginas lidas de um dia para o outro...

Inquieta-se. Pensa nessa outra pessoa. Quem será? O que faz? Porque lê o Rio das Flores na livraria e não compra o livro? Será homem ou mulher? Diverte-se com esta conversa interior. Antecipa, como a miúda que foi, um encontro, um reconhecimento, uma alma gémea. E o que vier depois disso. Se calhar já se cruzaram, enquanto ela estava absorta no seu livro e ele não encontrava o dele na estante. Terá estado a observá-la secretamente, cobiçando o exemplar do livro? Pensará o mesmo? Terá também detectado uma presença?

Depois, uma inquietação, o que fazer quando o livro acabar? Se este for o único elo de ligação, como não o perder? Deixar uma mensagem? Um telefone? E se, como sucede com as vozes da rádio, o real não corresponder ao esperado?

E, entretanto, o sobressalto todas as vezes: será que é hoje que vamos conhecer-nos?

18/03/09

Ódios de estimação

Tenho um péssimo defeito: acho que às vezes sou um bocado rancorosa. Por dois motivos: o primeiro é que enquanto estou a ficar ofendida não digo nada ao ofensor. Disparate. Devemos reagir rápido para dormir bem à noite. Segundo motivo: como não reago logo durmo mal à noite. Fico a magicar, formulo respostas inteligentes e saídas airosas, vinganças (às claras) justas e outras recuperações da dignidade - que funcionariam muito melhor se tivessem sido feitas na hora.

Na faculdade tive um professor cujas aulas adorava, porque saía de lá a sentir-me super inteligente, refrescada de informações e curiosidades. Aulas de cultura geral ou qualquer coisa do género, em que éramos banhados com tudo o que havia para saber sobre a cultura portuguesa e a história e coisas maravilhosas que se passavam nas ruas de Lisboa ou noutros recantos do reino ou da república ou mesmo do mundo. Era um professor fenomenal.

Tristemente, vim a perceber que humanamente era um nojo. Deu-me aulas num ano em que eu entrava nas salas a pairar e achava que nem sequer tocava no chão, chorava baixinho e sem lágrimas, ouvia o que os professores diziam mas talvez não fosse muito capaz de o reproduzir, chegava a casa e sentava-me à frente dos cadernos mas não os lia, não fazia ideia do que lá vinha. Nesse ano, fiz as cadeiras todas a dez. De ouvido. Este professor - que sabia o que se tinha passado para justificar o meu alheamento das aulas e as minhas respostas básicas - achou que eu devia ir a oral. Na oral aproveitou para brilhar, fazendo discursos inflamados sobre as perguntas da frequência. Sentado ao seu lado, o professor de português assistia, encolhido e envorgonhado, ao espectáculo. O génio não me fez nenhuma pergunta. Só quis envergonhar-me. E continuou impassível apesar de me ver a chorar incontrolavelmente. Não me lembro de nunca me ter sentido tão acossada.

Tive pesadelos com este tipo anos a fio. Via-me a levantar-me da cadeira e a dizer-lhe que seguramente não calculava o que se passava na minha cabeça e que não tinha o direito de enxovalhar publicamente ninguém. Sei lá o que é que eu lhe disse...

Este homem culto, humanista e sábio revelou que afinal era só um homenzinho, reles e sem alma. Quem me dera libertar-me deste sentimento.

15/03/09

Fim do fim-de-semana

Mesmo no fim do jantar ouvi um bebé aos berros. Rápida verificação visual, não é nenhum dos meus, ok, então quem será? Pode ser o meu "afilhado" do andar de baixo, vamos ver se precisam de ajuda. Abro a porta, espero que os meus olhos gastem um nano-segundo a adaptar-se à escuridão da escada - prédio com sensores para poupar energia - e um gato branco vem a correr na minha direcção - mais um nano-segundo e percebi que era bonzinho e bem tratado e que estava em pânico. Não preciso de me assustar.

Os meus filhos ficam malucos, hesitantes entre o riso histérico e a vontade de fazer festas ao bicho. Então vamos descobrir os teus donos, uma vez que cá em casa ficamos com a noite arruinada se por aqui ficares.

pequeno parentêsis - quem tem mortos (desculpem o termo mas é mesmo assim), mesmo que não seja budista, acha sempre que há uma possibilidade, ainda que remota, de haver, de facto, algo mais. As pessoas tornam-se mais sensíveis aos outros seres, a reincarnação deixa de ser tão tabu, tão obtusa. Se calhar sempre fui assim, porque sempre tive mortos, os meus avós maternos, que adoro desde que nasci apesar de nunca os ter conhecido. No entanto, sei tantas histórias sobre eles e vi-os em tantas fotografias e nas descrições dos meus pais que a coisa física deixou de ser importante. Temos uma relação espiritual muito fixe, conversamos e quando preciso de alguma ajuda, peço-lhes. Tenho também o meu irmão mais velho (que penso que deve estar com os meus avós. Não acredito no ceú, nem no Inferno, nem nada disso, apenas num lugar bom nas memórias de todos quanto os conheceram). E assim tenho sempre muito cuidado com animais e serezinhos desamparados. fim do parentêsis

Só não tenho jeito nenhum para animais, especialmente gatos, de quem desconfio profundamente. Levei logo dois arranhões, mas consegui entregá-lo à casa certa.

Ah, e ontem vi o "Dan in real life"/"O amor e a vida real", um dos meus filmes preferidos dos últimos tempos.



Com duas das músicas mais giras dos últimos tempos.



e



E ontem tive uma festa óptima no Alentejo e hoje um óptimo piquenique no Estádio Nacional. Fim-de-semana impecável.

13/03/09

Em cima

É bestial quando as coisas correm bem, quando chegamos à paragem a horas de apanhar o autocarro, quando compramos o último jornal do quiosque, quando temos os quatro ovos necessários para fazer um bolo com os miúdos, quando temos tudo o que precisamos para uma combinação perfeita.

Não me chateia improvisar, posso substituir um ovo por leite ou usar um cinto preto em vez de um castanho ou aceitar outra alteração do género. O que me chateia é não conseguir controlar aquilo que posso e não posso fazer. Para entregar um trabalho, estou dependente dos computadores da escola, que não posso usar a toda a hora, nomeadamente à noite, quando tenho tempo kids free. Portanto, estou de mãos atadas. Odeio fazer coisas em cima do joelho. Gosto de estar em cima.

12/03/09

Paz

A paz para mim vem agora sobre a forma de uma noite bem dormida ou de uma manhã a ler calmamente numa esplanada com o Sol a brilhar e os putos a andarem vagamente ao longe mas à vista de bicicleta ou "tónete". Sem implicarem um com o outro. Not going to happen.

Acho que a "implicatividade" faz totalmente parte de se ser irmão. E faz parte de crescer. Os meus filhos (lindos mas implicativos) passam uma grande parte do dia a implicarem um com o outro. Adoram-se mas implicam. E puxam-se ou empurram-se e chamam-se estúpido e parvo e, suprema ofensa, o meu filho diz à pequenita que está feia. Ela é super vaidosa e fica muito desconsolada. E vem perguntar-me se é verdade. "Não é querida, não acredites em ninguém que valorize o aspecto e que te chame nomes". Mas adoram-se. Se a miúda faz birras no meio da rua - maravilhosa novidade da semana passada - e eu finjo que me vou embora à mesma ele fica super preocupado (quase que o vejo a torcer as mãos como os adultos preocupados) e pede-me para a ir buscar ou então vai ele. Ainda bem que gostam um do outro.

Já houve alturas em que a paz era a rua cheia de gente, em que o que era bom era uma tarde inteira de conversa no bar da faculdade cheio de tabaco e de barulho. Os tempos mudam, a paz também. Hoje preciso de paz.

10/03/09

Decisões estranhas

Há anos que acho que como açúcar a mais. Desde sempre que adorei bolachas e bolos, bombons e rebuçados, chupa-chupas e doces. Tudo com açúcar. Sei que basta o açúcar da fruta e dos alimentos para nos dar energia e que o açúcar branco só nos faz mal. Anima-nos temporariamente, mas é só isso. Portanto, ontem decidi que ia mesmo parar de comer açúcar, fazer uma "desintoxicação" do organismo...
Hoje de manhã, enquanto metia uma mão cheia de smarties coloridos na boca, pensava se devia comer mais uma ou duas. Até que tive o meu "ups moment". Que parvinha. Mas estou nesta batalha. O açúcar faz mal.

09/03/09

Miminhos

Ontem estivemos a trabalhar até tarde. No fimzinho do serão preparei uma mini surpresa para o meu filho, que adora surpresas e coisas estranhas, situações obtusas e coisas fora do seu sítio normal, como a dentadura/pinça de gelo que tenho desde que tinha 12 anos ou conversas sobre xixis e cocós e bufas.
Então, peguei numa bola pequenina com que costuma brincar e desenhei olhos, nariz e uma boca sorridente, depois cabelo e, por fim, escrevi o nome dele.
Hoje de manhã, enquanto tentávamos recuperar da noite [muito] mal dormida, o miúdo entrou no quarto de rompante, com a maior felicidade na cara e alertou-nos para a novidade:
- Mãe, olha o que aconteceu!!
(quem acredita no Pai Natal e na fada dos dentes [graças a Deus] também acredita em coisas a acontecerem sem ninguém ser responsável por elas, como se duendes fantásticos ou formigas com muita força andassem por aí a fazer coisas nas nossas costas)
E apontava orgulhoso para a bola com a sua cara e o seu nome desenhados. Nós ríamo-nos.
- Quem foi que fez isto?
(a credulidade não dura sempre, eu sei, até que ouvi...)
- Quem é que faz coisas giras dessas cá em casa?
Foi o melhor elogio que fizeste - não és muito de elogios, mas este foi querido.

06/03/09

Shampoo

Qual é o shampoo e, eventualmente, creme amaciador que cheira muito bem (durante e depois do duche), faz muita espuma (só durante o duche), deixa o cabelo ficar macio e sedoso e ainda o protege da humidade? Já não posso confiar nos anúncios em relação a isso. Prefiro o mouth-to-mouth.
Quando era mais pequena, lembro-me que usava um qualquer e ficava sempre fixe. Agora, se calhar, uso uns caros e sofisticados demais. Lembro-me dum, que cheirava deliciosamente, que se chamava parfum, não me lembro da marca. E tinha aquela capacidade de, se chovia e o cabelo se molhava, libertar o perfume novamente. Quem me dera que "editassem" outra vez esse shampoo.
E, já agora, podem parar de inventar coisas estranhas para pôr no cabelo, como máscaras e cremes hidratantes e coisas do estilo, que só servem para me baralhar mais?

Energia

As coisas que me dão mais energia:

- ficar acordada a conversar;
- organizar festas e jantares e almoços e lanches e pequenos-almoços para os amigos;
- um elogio, dito ou sentido;
- dormir mais meia hora de manhã;
- vestidos novos;
- livros de cozinha novos com muitas fotografias;
- jantares de adultos :);
- almoços de miúdos na praia;
- a primeira praia do ano;
- ajudar os outros (deixar passar os carros à frente, apanhar coisas que caíram, pequenas gentilezas);
- que me ajudem;
- comer muita fruta em vez de chocolates e gomas;
- tempo para ler um bom livro;
- uma boa ideia!

04/03/09

E depois de Woody? (2)

Depois de Woody vem agora mais Woody. Ainda bem, graças a Deus ou a quem calhar, é já em Abril que estreia em Nova Iorque o novo filme. É provável que toda a gente já soubesse dele e isto não é novidade, mas não é o tipo de novidades que costumo acompanhar. Diz-me o Público que se chamará "Whatever works", qualquer coisa como "O que quer que funcione". Vou gostar de certeza:
- É rodado em Nova Iorque - a cidade que não consigo tirar da memória visual muito também por sua culpa, com os filmes que adoro "Manhattan", "Annie Hall" e "Hannah e as suas irmãs";
- Tem actores novos (Larry David, um dos tipos mais cómicos e divertidos do mundo, que é um dos cérebros por trás do Seinfeld) e Evan Rachel Wood (que só tem aquele problemazinho de namorar com o Marilyn Mason, mas tirando isso é gira);
- É uma comédia negra.
O que é que pode ser mais perfeito que isto? Eu vou ver.

03/03/09

Música com comida

À procura de música com comida dentro (se alguém tiver ideias diga), voltei a tropeçar neste clip divertido. Deve ser fixe receber dinheiro para fazer assim patetices.

Como se fazem os gémeos


Óptima maneira de saber notícias dos amigos, sem falar propriamente com eles, é receber e-mails deliciosos pela manhã com fotografias simples e deliciosas, como esta aqui ao lado. Uma óptima ideia.

Proibido proibir

Li há tempos um artigo espectacular sobre a nova moda em matéria de parques infantis, que é conceber e criar espaços tipo selvagem. Adorei o artigo e fez-me pensar na maneira simples como ocupávamos o nosso tempo quando erámos miúdos. Como tínhamos os montes mesmo à frente de casa (o monte pequeno e o monte grande), havia muito espaço por onde correr, escavar, inventar aventuras (um crime incluído com polícia e tudo que espiámos da janela deitados no chão), criar esconderijos, partilhar segredos e inconfidências, saltar, rebolar e cair, cortar dedos e esfolar pernas e joelhos. Era o dia todo! Tínhamos milhares de amigos. De vez em quando, muito de vez em quando, passava um carro. Um dia até passou um carro só com um farol aceso e a galhofa foi geral, com toda a gente a dizer que estava a fingir que era mota.

Brincávamos à noite na rua. Enterrávamos os nossos animais no monte, dentro de caixas de fósforos, e marcávamos o lugar com cruzes feitas de galhos, como víamos fazer nos filmes. Inventávamos brincadeiras o dia todo e ao sábado e ao domingo de manhã aprendíamos mais a ver o Tom Sawyer e os três duques. Os nossos pais de vez em quando iam à janela ver se a prole estava toda intacta, os mais velhos tomavam conta dos mais novos e vice-versa. A hora de recolha era ao jantar. No Verão ainda voltávamos depois.

Irrita-me ir ao parque e ver os miúdos a seguir os circuitos que criaram para eles. Os baloiços (isso continua a ser fixe), os cavalinhos, os escorregas (que, de acordo com algumas velhotas, só se podem descer - porquê se quando éramos pequenos os subíamos?). Não podem criar mais nada, está tudo feito. Eu sei que eles gostam e que adoram ir aos vários parques infantis para onde os levamos. Eu sei que é melhor do que não ter nada, mas daí ter gostado tanto do artigo que li sobre parques. Os espaços em branco são como as folhas em branco, abrem a imaginação de quem a tem. Quem não tem odeia folhas em branco.

[Estou enjoada do verniz vermelho que pus nas unhas. É decadente ao fim de poucos dias (2), começam a notar-se todas as pequenas falhas e riscos. Odeio o cheiro do tira-verniz.]

01/03/09

A arte da aprendizagem

Adoro ver ou ouvir os miúdos a aprender. Adoro as caras concentradas que põem quando estão a ver qualquer coisa pela primeira vez, os olhos em alvo quando são coisas surpreendentes. Adoro, depois, pô-los à prova. Sou muito tagarela com os meus filhos, vou sempre a contar coisas ou a perguntar coisas, ou a cantar, sempre. Guardo os silêncios interiores para mim. Para a noite, quando eles dormem, ou para a manhã, quando consigo fingir dormir.
Hoje, ao regressar pela deliciosa marginal duma deliciosa tosta mista, perguntei-lhes se sabiam o nome do rio que estava ao lado. O mais velho, orgulhoso da sua sapiência, respondeu muito depressa: "é o rio sérgio".

[Ontem, foi dia de festa e de porco no espeto. Uma maravilha de ver, de comer e de cheirar. Comi tanto que dá para a semana toda.]