30/04/10

Sobremesa para o jantar

Se há coisa de que gosto é experimentar receitas novas. Só precisava de ter uma despensa mais apetrechada e um frigorífico mais cheio para poder experimentar mais coisas. Hoje fiquei de fazer a sobremesa para o jantar em casa duns amigos.
Fiz esta:



E mais outra que hei-de fotografar se me lembrar antes de o meter no saco. Também é de morangos e de chocolate. Hoje foi uma tarde em cheio.

Recordar a feira

Ontem fui à feira de Carcavelos. De comboio, como deve ser, com uma amiga, como deve ser também, com notas na carteira, apesar de agora haver bancas que têm multibanco, mas só para compras acima de cinco euros.
Há uma série de anos que não ía lá, à feira que antes ondulava pelas ruas da terra que se enchiam de gente e que agora vive enclausurada num campinho farçola ao lado da estação.
A feira de Carcavelos foi sempre um ponto alto para marcar o início do Verão. A minha mãe metia-nos debaixo do braço e lá íamos as três ver as modas. Comprar t-shirts, calções e saias, com sorte uns ténis coloridos. Há anos que queria lá voltar só que sozinha não tem piada. Ontem calhou arranjar companhia.
Sempre tive um bocadinho de medo da atmosfera da feira, com os pregões dos ciganos e com as pessoas a roubarem coisas. Ontem, o que me meteu medo foram os senhores da ASAE que andavam a fazer inspecções com capacetes, espingardas e fatos insuflados e só se lhes viam os olhos.
Como sempre, também ontem não me aventurei muito a mergulhar os braços nas pilhas de roupa à procura da peça hit do Verão. Comprei umas calças meio estranhas (que foram tão gozadas como antecipei que seriam) e uma saia para a pequenita. A minha amiga ainda comprou uma mala, umas sandálias e uns calções para os filhos.
Depois, almoço à beira mar na praia de Carcavelos cheia de miúdos com um saudável ar indolente. Regressámos a casa também de comboio e só esse passeio para mim valeu a ida. A conversa também.
***
À noite, ginástica vigorosa com mais duas artistas, a rir pelas ruas enquanto fazíamos figuras cómicas a tentar aproveitar os equipamentos urbanos como apoios de ginásio e a correr de vez em quando, para não ficarmos muito cansadas. Para repetir todas as semanas.

27/04/10

Pimenta na língua actualizada

Acabei de pôr gengibre na língua do meu filho. Isto é a versão pós-moderna da pimenta na língua. Espero que funcione.

Inoperacional

Deve ser um castigo qualquer divino por alguma maldadezinha pequenina que fiz a alguém alguma vez. Depois das fechaduras malucas do carro que funcionam (ou não) aleatoriamente, isto é, abrindo por vezes todas as portas como se nada fosse, o que geralmente acontece quando a pessoa a quem mais me queixo vem no carro, ou abrindo só uma porta e não abrindo mais nenhuma, obrigando-me a dar a volta toda ao carro enquanto controlo visualmente os putos rezando para que não se mexam e que quando chega a hora de fechar fecha todas as portas mas abre a do condutor... É a loucura.
Depois desta pequena irritaçãozinha bi-tri-ou-quadri-diária, consoante as vezes que ando de carro, agora é o botão do elevador do meu prédio que não funciona para o meu andar ou que só funciona de vez em quando, quando lhe dá na Real gana. É penitência de certeza.

25/04/10

Pilhas 14h20

Sem parar, os putos brincaram das 7h25 às 21h45. O Sol esteve do nosso lado e entre a esplanada, a praia, que estava deliciosa, e o jardim brincaram e brincaram e brincaram. Bem nos rimos a ver os oito coelhinhos duracell a correr à volta da casa, a pé, de bicicleta, de trotineta, de triciclo, de patins, de carro maravilha...
Nós aproveitámos o Sol. E também andámos de patins, de bicicleta e de trotineta.
Às 21h45, segundos depois de entrarem no carro de regresso a casa, adormeceram que nem pedras, não acordando sequer na trasfega para a cama.
Cansaço dos bons.

23/04/10

Pequeno

Quando vejo avisos na escola penso sempre "há dois minutos atrás não tinha medo de nada". E quando digo "de nada" penso em estomatite aftosa, em gripe A, em escarlatina, gastroenterite e doenças do estilo que afectam como fogo em fardo de palha os putos nos infantários. E penso em piolhos...
Esta é uma daquelas palavras que não consigo ler ou dizer sem ficar com comichões. Como percevejos, térmitas (com esta palavra fico com comichão nos móveis), pulgas ou baratas. Lembro-me sempre dum amigo que costumava passar com um maçarico pelo soalho todo da casa para matar bichos que o mordiam... Sugeri-lhe que mudasse de casa...
Ontem à tarde lá estava o dreaded aviso pendurado à entrada. Hoje estamos a fazer o belo do tratamento aos cabelos com coisas que cheiram mal, a anis, com os dedos cruzados para que não saia nada dos cabelos a não ser cabelos mesmo, que aqueles pentes são tão apertadinhos que é um fartar vilanagem a arrancar cabelos.
Fui comprar o shampoo à farmácia - desconfio um pouco dos tratamentos à base de vinagre e azeite - e comprei também um belo sprayzinho que é para pôr todos os dias antes de ir para a escola. A nossa casa está empestada. A ver se este aviso deixa de me fazer comichão.

Coisas de que eu gosto

Uma das coisas de que mais gosto no mundo
(o nosso mundo torna-se tão diferente quando crescemos e temos filhos)
dizia, uma das coisas de que mais gosto no mundo é ir pelos corredores cá de casa fora atrás dos meus filhos para ir ver qualquer coisa que me querem mostrar ou para lhes ir pentear os cabelos.
O que eu gosto mesmo é de ir a andar atrás deles, pequeninos, maiores um bocadinho cada dia que passa, e pensar em como será quando crescerem mais uns centímetros.
Em pensar, estas coisas pequeninas que andam a marchar à minha frente são minhas.
Pelo menos por mais uns dias...

22/04/10

Cartas de amor

Dar duas folhas vermelhas, tesouras e lápis a miúdos pequenos como os meus pode ter muitos resultados. Pode resultar em cabelos cortados ou em milhares de pequenos pedaços de papel espalhados pela sala ou em desenhos a lápis sobre qualquer coisa que não as folhas ou mesmo em desenhos sobre as folhas vermelhas...
Hoje resultou em duas coisas destas:

Só por isto - mais as carinhosas mensagens, escritas pelo mais velho em maiúsculas, "MAMA ES CRIDA" -, tudo o resto vale a pena.
E, portanto, mesmo que já estivesse deitada a preparar-me para dormir, tive de vir escrever isto.

20/04/10

Bom

Quando era pequenina, havia desenhos animados deliciosos. Havia um que ganhava. O meu irmão mais velho era o Tom Sawyer. A minha irmã era o Huckleberry Finn. Eu era a miúda pequena, seria a Mary ou a Becky? Já não sei. O meu irmão mais novo era outro dos miúdos, também não sei qual é o nome. Éramos uma família de piratas. (oh oh... ainda somos.)

Mais lembranças

Descobri há tempos nas lojas uma espécie de bolachas que antes nunca tinha visto à venda e às quais chamam marinheiras. A marca é "Cem por cento natural", acho. A coisa gira destas bolachas é que sabem às bolachas que fazia com os restos da massa das empadas em casa da minha avó. Nessas ocasiões, em que a avó usava a taça de faiança branca e em que fazia as suas rezas para a massa crescer, eu rezava para que sobrasse massa que permitisse fazer essas bolachas, fininhas e sem piada nenhuma, isto é, sem sabor nenhum especial. Só massa. São as minhas bolachas preferidas. (Não as posso comer, porque têm glúten).

Hoje tenho no frigorífico uma porção de massa crua com sabor a limão, que está à espera que a mais pequena acorde para ser trabalhada e passar a ter formas especiais. Fizemos a massa antes do almoço e a única maneira de a convencer a dormir a sesta e a deixar-me trabalhar foi dizer que só estendíamos a massa quando ela acordasse da sesta - que tinha de ser grande. E está a ser. Sempre adorei estar na cozinha e gosto que os meus filhos também gostem.

18/04/10

Bom acordar

Geralmente acordo sempre animada, isto é, não me custa nada acordar e consigo passar do estado a dormir para o estado activo, a conversar e a fazer coisas. Hoje, a primeira coisa que vi mal abri a janela do quarto foi um arco-íris, lindo e enorme. Não estavam os miúdos por perto, portanto não perguntaram "onde é que é o fim?", "onde é que está o pote?". Eu sei que haver um arco-íris quer dizer que está a chover. Mas há que ver o lado positivo das coisas.

16/04/10

É típico

Em casa duns amigos tive ontem um ataque de riso ao entrar na cozinha. A caixa do pão tinha sofrido um upgrade. Num mini-cartaz lê-se "fecha, por favor". Como desconfio que o distraído faça parte do lado masculino da casa, o sorriso foi prontamente disfarçado, claro. É a típica private joke para as mulheres. Nem precisa de ser explicado. E o mesmo método pode ser usado cá em casa, para caixas de cereais, de bolachas, de chocolate e por aí fora.

15/04/10

80's

É possível que já tenha falado deste filme aqui. É muito provável. A coisa engraçada agora é que os americanos, os críticos, estão a elevar os filmes deste género à categoria de filmes importantes. É sempre bom vermos as nossas ideias apoiadas.

Conversar

Ando encantada com o aroma e sabor da pimenta longa que trouxe da Hédiard de Paris. Paguei relutantemente nove euros na loja luxuosa (era das coisas mais baratas) por um frasquinho de vidro recheado com os grãos de pimenta longa, que não são propriamente grãos, porque parecem uns tronquinhos secos e ásperos e que se devem raspar (a embalagem traz um raspador). Sabe deliciosamente em sopas, pratos de peixe ou carne, em sobremesas com chocolate e até mesmo só para cheirar. Tem aroma de limão e é ligeiramente mais suave do que a pimenta preta. A sua origem é Indonésia.


A rapariga que trabalha cá em casa ficou maravilhada e feliz quando lhe mostrei a pimenta porque a sua mãe costumava trabalhar numa fábrica em São Tomé onde esta pimenta era tratada. Sei bem o que ela sente. Também os cheiros mágicos da infância me fazem sonhar.
Onde se verifica o encantamento cósmico que o mundo tem. Pimentas indonésias vindas por acaso de Paris para Lisboa reavivam a mãe morta na memória da filha sãotomense. A vida é linda.

14/04/10

Adoro

Ir aos berros no carro, a gritar as músicas que conheço (e também as que não conheço) que passam na rádio. Mais ainda quando vou sozinha.

Será que?

Será que por pensar muito para dentro às vezes acho que disse ou fiz coisas às pessoas e depois afinal não fiz?

Cineminha

Ontem fomos ver "Amar é complicado", risota do princípio ao fim, gostei muito.
O único senão foram os senhores da fila de trás, duas raparigas e um rapaz novos, que cheiravam mal, a suor e a pés. Que badalhocos.

12/04/10

Espero que não seja tão mau como o primeiro, mas vou ver claro

Se há coisa difícil...

... é regressar ao trabalho. Ter de pegar nas pontas soltas e retomar hábitos diários.
Mas ninguém pode saber.
Os meus filhos não podem saber, quero que sejam positivos sobre tudo na vida - hoje disse-lhes que se se despachassem a arranjar para ir para a escola tinham direito a um pequeno-almoço comemorativo do regresso às aulas. [Comemorar o regresso às aulas???] Não se despacharam, lamuriaram-se pela casa e lamentaram-se um pouco mais. A mais pequena fingiu que estava a dormir, como há dois dias se deixou ficar para trás na esperança de a deixarmos a dormir em casa dos avós onde estava a construir uma cabaninha. Consegui que ficassem contentes na escola por duas razões: 1. a mais pequena passa a ter a companhia da prima adorada na natação; 2. o mais velho levava um CD com fotografias e vídeo das suas proezas nas neves para mostrar aos colegas.
O meu marido e a minha irmã não podem saber. Ontem, como sempre, gozei com eles por estarem a lamentar com ar pesaroso o reinício. "Já é o terceiro período?", dizia um, "raio dos putos, estão cada vez mais malcriados", o outro.
Tenho de fazer um parentesis (Nunca me custou regressar à escola, sempre adorando as férias, mas acho sempre que é bom ir e é bom voltar) Mas retomar o trabalho é diferente. Também não me apetece.

O meu irmão mais novo faz hoje aninhos. 31. xina pá como dizem os putos!!

11/04/10

De volta

Outra vez de volta, desta vez da neve. Das terras altas de Andorra, longe mas longe. Uma semana boa de férias, em família e com amigos. Das pistas branquinhas onde basicamente esperei que os homens da casa voltassem da neve, do ski e do snowboard, a brincar com a miúda mais pequena que ainda não pode ter aulas.
As viagens de ida e volta de carro foram duras, muitos quilómetros de "ainda falta muito?" e de "tenho fome", "tenho xixi", "tenho sede", "estou farto", "já me dói o rabo" e coisas do estilo. Mas, tudo somado, os miúdos portaram-se impecavelmente. Pode mesmo dizer-se que foram amorosos. E ficaram histéricos de cada vez que viam El toro (nós ajudávamos, claro).

Ao fim do terceiro dia já estava completamente claustrofóbica das montanhas, sem perceber como é que é possível viver ali todo o ano, a ver só pedaços do ceú e sempre com o peso esmagador das montanhas em toda a parte. (Assim que chegámos a Lisboa quis ir à praia para lavar a vista de tamanha pequenez).
Por lá, ficou mais um dente do mais velho, que foi contemplado pelo El ratón, o congénere andorrenho/espanhol do rato dos dentes português.
As coisas mais positivas: o passeio, Andorra e Madrid, estar com amigos e conhecer pessoas diferentes, os miúdos terem estado compinchas a maior parte do tempo. Acho que é uma muito boa evolução. Espero que se torne a norma.

02/04/10

Já falámos de sal?

Nunca me passou pela cabeça que o sal era capaz de fazer isto ao meu cabelo. Está completamente desaustinado e no ar, parece que tem novelos. E nada ajuda, nem o shampoo para cabelos muito secos que usei hoje no banho, nem o amaciador que pus - ou só acho que pus? Sei lá. O miúdo mais crescido está com febre, presumo que o vírus que a mana e os primos tiveram e está ele também desaustinado. Espero que fique bom depressa. Para podermos gozar um bocadinho as férias.

01/04/10

Em suspenso

Hoje estive a flutuar no Mar Morto. Sal, muito sal, fez com que o meu corpo flutuasse sem qualquer esforço ou desconforto num lago sereno e morno, enquanto as luzes ambiente alternavam entre o azul, o verde, o amarelo, o laranja e o vermelho. E finalmente o nada. A escuridão, o silêncio.
Ao entrar, pensei que os 50 minutos de flutuação me iam custar horrores a passar, mas quando o tempo chegou ao fim estranhei a velocidade com que passou.
Adorei estar a brincar na água em movimentos de bailarina de natação sincronizada. Adorei deslizar dum lado ao outro do flutuário como fazia na banheira da casa de banho das flores azuis e laranja que era gigante quando eu era pequenina. "Queres crescer e depois dizes que não cabes na banheira", comprei o livro um dia só por causa do título.
Quando já estava a sair, depois do chá do imperador, o rapaz da recepção recomendou que utilizasse o secador de cabelo do vestiário. "Não flutuar se não quiser estragar o penteado" era um dos avisos pendurados na porta.
"Estou com ar de louca? Deixe lá, estou tão contente".