30/06/10

De voltas trocadas

Dormi tão mal, mas tão mal, que as minhas mãos estão a trocar as letras do cansaço.

Mais um para a lista

Agora que podemos continuar com a nossa vida normal e que o futebol mais ou menos acabou e perdemos o sentido de estar parados a olhar para os jogos, agora que a crise e a falta de dinheiro e a triste melancolia nacional vão regressar, agora que estou a responder cada dia a mais comentários tristes de pessoas que têm muito pouco dinheiro para viver...

Mais um filme para a minha wishlist pessoal. Quero ver:



Alguém acha estranho eu simpatizar muito com o Mark Ruffalo? E a música Our house... in the middle of our street? Perfeita!!

29/06/10

Cromos no fim

A campainha anunciou ontem o senhor da DHL que se riu quando o brindei com um "são os cromos do Mundial". Acho que ficou a achar que eram para mim. Mas não eram. Mais ou menos...
A Panini enganou-se e ainda falta o 166. O miúdo levou os repetidos para ver se trazia o cobiçado.

A caderneta, que afinal é da Barbie, da mais pequena já tem alguns cromos colados - poucos que eu acho que ela prefere arejá-los e, por isso, não me deixa colá-los todos. São menos cromos cento e qualquer coisa e as carteirinhas são mais baratas (0,40 em vez de 0,60€). Mas cheira-me que não vamos chegar ao fim.

Os meus pais são os mais lindos

Agorinha mesmo, enquanto parava para me meter com o meu pai que estava a atravessar a passadeira e lhe chamava bonitão e os senhores da jardinagem olhavam para confirmar o que eu dizia, tive um flashback espectacular.
Uma das primeiras tarefas que a professora da primária nos deu, acho que logo no segundo dia da primeira classe, foi trazer fotografias da família e falar sobre os nossos pais.
Diligente e ordeiramente, que isto os putos dos anos 80 eram educadinhos e cumpridores, todos trouxeram o que puderam. Um colega (o Xico, que nunca mais vi e de quem era muito amiga) trouxe um recorte duma actriz loiraça retirado duma revista - um psicólogo haveria de ter hoje pano para mangas com essa questão. Na altura, todos percebemos que ele não devia ter fotografias dos pais à mão.
Começámos o exercício e o que se seguiu foi, para mim, um choque. Os outros 20 e tal miúdos diziam que os seus pais eram os mais bonitos do mundo. Diziam não, berravam, insistiam, gritavam e choravam.
Deve ter sido divertido para a professora. A mim ninguém me convenceu. Ainda hoje ninguém me consegue convencer que haja pais mais lindos do que os meus.

28/06/10

Conselhos



... portanto, queres mesmo conselhos, é isso?
A tua frase "que conselhos têm para me dar enquanto futuro próximo pai" ontem ao almoço indica isso. Os meus, consolidados por ser mãe a dobrar e tia a triplicar são:

- Dá o máximo de mimos que puderes à tua mulher antes, durante e depois do bebé nascer (festinhas, comida, água, festinhas, almofadas debaixo das pernas, ombro amigo...);
- Quando o bebé nascer, as hormonas vão enloquecer um pouco e é provável que a tua mulher chore, ria, tenha dúvidas, chore, diga que está muito triste, diga que está muito contente, que tem muita sede, ria outra vez... É tudo normal e, em pouco tempo e com a tua ajuda, as hormonas estabilizam;
- Elogia-a por ser uma mulher perfeita, linda, corajosa, confiante e poderosa;
- Aprende tudo o que quiserem ensinar-te na maternidade;
- Não sejas ansioso, ela vai saber resolver tudo com o bebé;
- Não causes ansiedade, reforça a confiança, sim, o leite da tua mulher alimenta, de facto, a criatura, se não, há alternativas óptimas;
- Ajuda efectivamente, a única coisa que só a mãe pode fazer é dar de mamar, tudo o resto podes ser tu a fazer (levantar e deitar o bebé da cama, vestir, mudar fraldas, dar banho, fazer a cama do bebé, pôr as máquinas a trabalhar, cozinhar). Nos primeiros tempos é fundamental ter a tua ajuda;
- Se deixares a tua mulher descansar com os ritmos do bebé vais recuperá-la muito mais depressa;
- Incentiva-a a dar pequenos passeios na rua para apanhar ar e recuperar um pouco da sanidade;
- Proteje o teu bebé e a tua mulher das visitas nos primeiros tempos, o primeiro mês é para descansar;
- Todas as pessoas vão querer dar-vos conselhos sobre como vestir, dar banho, pegar, educar, etc. a criatura. Liguem o sorriso amarelo e agradeçam mas liguem só às que vos reforçam a confiança nas vossas decisões - senão entram em tilt;
- Tira muitas fotografias ao bebé, da cara, das mãos, dos pés, do corpo todo, dos olhos, tira fotografias da mãe com o bebé e de vocês os três - faz com que a mãe saia glamorosa em todas;
- Leva à tua mulher uma prendinha para a maternidade, uma coisa para ela, que a consiga fazer esquecer que está com o corpo um bocadinho diferente do que queria (uns brincos, uma pulseira, um colar, uns sapatos, qualquer coisa que lhe sirva sempre);
- Se os pais estiverem calminhos o bebé vai absorver as boas vibrações e vai ser muito mais tranquilo;
- Em caso de dúvidas é ligar;
- Em qualquer dos momentos, continuar a dar miminhos à recém-mamã, que é quem mais precisa;
- Último, e mais importante, goza todos os bocadinhos que conseguires, porque passa tudo mega rápido.

Amigos todos, por favor, completem como souberem, a caixa de comentários está aqui para vos ouvir.

25/06/10

O estranho caso...

... das pipocas irresistíveis
Eu sei que sou intolerante a milho. Eu sei que as pipocas são feitas de milho.
Mas programinha de cinema com as babes sem pipocas é, de facto, estranho. Comi umas mãozinhas de pipocas.
e...
Tive dificuldade em adormecer, por causa da comichão na garganta e acordei com a garganta a arder.
Raio das pipocas. Não volto.

24/06/10

Eu vi

"Papá, papá"
Gritos histéricos assim que a porta se abre e o pai satisfeito com os cumprimentos.
"Hoje vi o rei pulga na cambra".

N.T. O rei pulga na cambra é um mix de presidente da república + presidente da câmara. Festa fixe, como eu gosto.

Dia de prémios

Ontem foi dia de prémios - três - não para mim, mas cá para casa. Fiquei muito orgulhosa. Os miúdos também. Que engraçado esta coisa das dinâmicas familiares. A entrega dos prémios estendeu-se pela noite fora. Eu jantei com os miúdos em casa duns amigos, comida chinesa que estava deliciosa! Quando conseguimos interromper as brincadeiras deles e os pus a dormir (quer dizer, eles adormeceram sozinhos, nada disto envolveu marretas na cabeça) tive, sozinha, uns minutos no quarto a ouvi-los respirar tranquilamente, a cheirá-los e a dar-lhes festinhas. Adoro ter assim momentos de paz destes.

A porta do frigorífico

Há dias li algures que a porta do frigorífico reflecte a alma da casa em que vivemos e ainda não tinha tido a ocasião de tratar disso. Vou ali num instantinho esvaziar a minha - cheia de ímans do filme Cars e de outras coisas estranhas - e já volto...
No total, contei 19 ímans de tamanhos variados e descoloridos, desenhos queimados pelo sol (não temos estores na cozinha, ainda...) e já os arrumei.
Agora, como prometiam no artigo, espero que a arrumação da porta do frigorífico se reflicta no resto da casa. Tenho um montinho de revistas ao lado desta cadeira onde trabalho e não sei o que lhes hei-de fazer. O mais provável é irem para o lixo, mas é das coisas que mais me custa deitar fora, porque acho que inevitavelmente, mais cedo ou mais tarde me vão ser úteis (geralmente sinto falta delas no dia a seguir a tê-las deitado fora, por isso esta hesitação, que é do tipo pescadinha de rabo na boca).

23/06/10


Logo hoje, que me apetece debitar 300 mil caracteres, tenho um nó algures e não sai nada.
É que há dias em que isto parece danado e os dedos escolhem o que querem escrever, atropelando-se para chegar primeiro ao caracter almejado. Até pode sair uma história triste ou só um disparate, mas sai qualquer coisa.
Encontrei este flowchart que achei muito giro e que hoje serve em vez das minhas palavras (acho inevitável voltar à pergunta are you happy? depois do change something).
Donde se retira um mantra espectacular: "Temos a capacidade de mudar as coisas de que não gostamos". E outra vez, insiste, insiste.

21/06/10

vezes dois

... e hoje, mais de 15 dias depois de nos ver comprar e colar cromos da bola freneticamente, a mais pequena conquistou os seus próprios cromos. Não sabemos se conseguimos comprar a caderneta, mas cromos das winx já cá cantam, via avó.

Vivam os livros

Muitas vezes, lembro-me do medo de que o gelo entupa os canos contado no livro delicioso Rosa, minha irmã Rosa, ou adormeço só às quatro porque estou a conversar, como na colecção das gémeas (que devorei várias vezes e agora foi reeditada).
Muitas vezes olho o mar, como já li em tantos livros que é o que se deve fazer quando se está à frente dele, muitas vezes adorava esconder-me atrás dum manto da invisibilidade como o Harry Potter. Muitas vezes olho para as minhas mãos e a minha história quando leio Eugénio de Andrade. Muitas vezes surpreendo-me ao ouvir ou ver acontecer na vida coisas que acho que já li nos livros.
Por isso tudo acho que, muitas vezes, os livros são uma espécie de banda sonora das nossas vidas.
Como os dramas infantis que fazemos porque lemos nalgum lado igual. Ou as conversas filosóficas que temos porque, nos livros, descobrimos a filosofia, a existência, o eu. Ou a maneira sensata como às vezes consigo resolver dilemas em que nunca tinha pensado só porque, em alguma altura, li sobre isso, breve ou alongadamente.
Por isso te percebo, meu querido que já sabes ler, quando me dizes "mãe não consigo deixar de ler, porque é que eu não consigo deixar de ler?"
Eu também não. E ainda bem. Os livros e a escrita permitem-nos viver melhor. Venham mais.

20/06/10

Agora eu

E, de repente, sou eu o homem de 92 anos, de bigode branco e quase sem cabelo na cabeça. Ponho as mãos nos bolsos do casaco castanho, olho em volta. O café está cheio de gente que não conheço nem reconheço. Olho para a árvore da esplanada, a abanar com o vento, a mesma desde que para aqui vim morar, em 1963.
Olho para o lado. O meu irmão está velho. Tem mais dois anos do que eu, ele não gosta que o diga. Tem ainda menos cabelo, está gordinho. Tem ar de velhote simpático. A mulher trata-o bem. Os filhos e os netos também.
Foi com eles que almoçámos, antes de os deixar partir para o alvoroço que é as suas vidas. Ainda converso mais um bocadinho com o meu irmão e a minha cunhada, combinamos ir ao cinema, e depois despedimo-nos também. Eu não tenho filhos. Não calhou. Se fosse hoje, se calhar a medicina conseguiria ultrapassar isso.
As riscas do meu casaco estão já sem cor. Os bolsos já não têm forma. Era um casaco bem estiloso quando o comprei, agora se calhar já não se usa. Mas era estiloso, quando passeava cheio de mim mesmo pelos jardins e pelos cafés chiques do Estoril.
Tacteando, encontro um velho papel no bolso do casaco. Uma relíquia que guardo desde há sei lá quantos anos. Desdobro-o pela milionésima vez no caminho de casa. Sento-me, por instantes, no muro da escola. Fixo os olhos no mar, depois no papelinho que tem escrita uma declaração de amor.
Gozo mais uns instantes o mar, o sol, o vento a despentear-me os cabelos, as pessoas a passear. Observo.
Depois, ponho-me de novo a caminho de casa. Rodo a chave na porta, inspiro mais uma vez o ar da rua e entro. A casa está às escuras. A Maria Teresa ainda deve estar a dormir, está, confirma-me a senhora que tem tratado dela desde que piorou, revezando-nos nos cuidados.
O mais provável é não ter dado pela minha ausência. Da mesma maneira que não dará pela minha presença quando acordar. Dou-lhe um leve beijinho na testa e sussurro "amo-te meu amor, o mar perguntou por ti".

18/06/10

Podemos mamã?

Acabadinha de acordar, ainda super trôpega, "Mamã, podemos ir comprar pães de leite?"
Não, hoje não é preciso, comprei pão fresco para o pequeno-almoço.
"Ó mãe, mas eu estou cheia de frio..."

Qual dos dois?

Não sei dizer qual dos dois está mais excitado com a caderneta do Mundial.
Se o filho:
* que me pedincha 50 vezes ao dia para lhe comprar cromos;
* que me pergunta se eu sei fazer contas difíceis "mamã, se eu tiver duas notas de cinco euros e duas notas de dez e usar uma de dez e uma de cinco, quantos conjuntos de dez carteiras posso comprar?" - se acrescentares 1,20 euros podes comprar três - "três a sério? Três vezes dez carteiras vezes cinco cromos é quanto mãe?";
* e que acede a todos os meus pedidos quando a alternativa é ficar sem acesso à caderneta [enjoy the power while you can];
* que sabe todos - todos - os cromos que tem e os que não tem (aquela porcaria são 638 cromos, é muito cromo para decorar);
* que leva 40 cromos para trocar e traz 40 cromos que não tinha;

Se o pai:
* que acorda às seis da manhã a perguntar se tínhamos posto prenda do ratinho debaixo da almofada do miúdo, "para ele ter dinheiro para comprar cromos", e tira cinco euros da minha carteira "porque deixei a minha no escritório" [5 euros é tanto dinheiro meu Deus];
* que diz coisas técnicas como "deixa-o colar, porque ele tem de aprender as caras e os nomes para saber quais tem;
* que todos os dias se senta a colar cromos de manhã e à noite e até está a aprender coisas sobre futebol [cá em casa não percebemos nada de futebol, mas gostamos de ver os jogos especiais].

17/06/10

Que vergonha...

Só agora é que me apercebi que mão diligente arrumou no armário uma taça de vidro e encheu de água as cuvettes de gelo duma vizinha, como se fossem minhas. Despassarada como sou, julgo que nunca daria por nada se não andasse a ver se havia gelado para o jantar.

O polvo

Há muitos dias em que me sinto um polvinho, a semear a semear, a esticar muito os braços, a passar contactos, a dar ou a procurar informações, a dar ideias ou sorrisos, um bocadinho de conversa. Há dias em que isso é recompensado. Há dias em que nem por isso. Reach out touch faith...

Shop update

Ontem senti-me perdida no Dolce Vita Tejo. Ía a pensar numa coisa e saiu-me outra. Deve ser um bom sítio para ir com a carteira recheada, o que não foi o caso. Por isso, limitei-me a entrar em lojas manhosas.
Achei a famosa primark manhosissíma. Se calhar o que eu imaginara sobre esta loja era diferente, culpa minha por ter uma imaginação fértil e ser capaz de antever as coisas duma maneira muito real. Ao longe, até parecia que as coisas (milhões de peças, desde roupa a sapatos a brincos e colares, cuecas e soutiens, roupas de casa...) tinham bom aspecto, ao perto nem uma se safou. Não comprei nada de nada.
Enquanto nação, estamos muito limitados a lojas manhosas. Eu sei que a Prada está para abrir, mas isso é outro campeonato completamente diferente, no qual eu também não jogo. Porque é que não abriu antes a Gap? Na média, como eu gosto.
Salvou-se o almoço, a companhia galhofeira e um quadro giríssimo que ofereci, com grande sucesso.

16/06/10

Mas o que é isto?

Hoje, às 5h28 tocaram à campainha. Uma vez só. Quando me levantei da cama e enquanto ía para a porta, levemente irritada por ter sido a única a ouvir e por não perceber o que é que pode levar alguém a tocar à campainha de outra pessoa às 5h28, vi à entrada da sala um senhor.
De pernas agachadas, e todo vestido de preto, como um verdadeiro ladrão, o homem tinha barba de cinco dias e era completamente careca. Além disso, tinha uns óculos de massa pretos, como os que se usavam nos anos 70. Devo dizer que tinha um ar totalmente ridículo e, apesar da situação estranha, até me ri.
Naqueles momentos de pânico, a única coisa em que pensei foi "como é que ele conseguiu tocar à porta se já estava cá dentro?".
A única coisa boa da história toda foi que nem sequer sai da cama. Fiquei só levemente sobressaltada e pensei que já não ía conseguir adormecer. Mas fui fazer um xixi e também isso passou.

15/06/10

Bottom line

O azeite em garrafões de cinco litros pode ser mais barato mas não dá jeito nenhum, nem na bancada da cozinha nem para usar.

13/06/10

Check in

Acabámos de chegar a casa, depois dum fim-de-semana de party em família. Primeiro no Algarve, a aproveitar o feriado. Ontem foi o casamento da minha priminha mais pequena em Abrantes e hoje ainda por lá almoçámos.
O casamento foi muito fixe, muito cool e laid back. A quinta dos meus tios estava um sonho. Dancei dancei e dancei. Dancei com o rancho folclórico, com irmãos, primos, tios e amigos.
Esperta, que já ninguém me engana nestas coisas, fui de sapatos rasos. Que bom que foi. E enquanto dançava ainda podia imaginar as miúdas que, para usarem sapatos estilosos, tomam brufen para suportar a dor. Que doideira.

P.s. day after - E eu, que habitualmente não faço adendas nem correcções aos meus posts, logo hoje tenho de fazer uma adenda. Para homenagear os dançarinos que estoicamente aguentaram até ao fim e também os que saíram à socapa um pouco antes mas que enviaram sms a explicar o sucedido. Verdadeiramente não era preciso.

12/06/10

É por isto

A única razão que me leva a pegar no teu telefone é porque é muito mais divertido do que o meu. Porque me deixa escrever posts e ler o nytimes e outras coisas giras. Não é porque me interessem as tuas mensagens ou os teus emails. Ok?

11/06/10

A vida é injusta

Entre ter comprado uma fedora porque diz que está na moda e me ter imaginado a almoçar no Chiado com as minhas amigas, cheias de estilo e glamour e ter recebido o comentário "ficas ridícula com isso" vai um grande bocado.
Entre ter usado as minhas sandálias novas da oysho e ter ficado com uma bolha no pé, que vai ficar linda com as minhas sandálias completamente exposed que vou levar ao casamento da minha prima amanhã vai outro bocadinho. Este pequeno. Foi o tempo de andar a passear em Tavira ontem com uns amigos. No dia anterior dormimos no novo vila galé de Lagos. Que maravilha de espaço. E a um preço muito equilibrado. Gostámos muito. Ver uma empresa portuguesa a crescer assim é motivo de orgulho.

09/06/10

Ai a minha vida...

Basta-me entrar na Rua Saraiva de Carvalho em Campo de Ourique para saber o que vai acontecer. Assim que começo a olhar para as montras das lojas de tecidos começo a pensar que se quisesse era capaz de fazer "coisas" a partir de rolos de tecido, de gregas e fitas, de botões e fechos-éclair.
(É um mito. Não sou)
Gosto de achar que sou capaz de fazer tudo no mundo. Mas se há coisa para a qual eu sei que não tenho muito jeito é para a costura. Ok, até tenho uma caixa de costura com os básicos, uma tesoura, agulhas e alfinetes, linhas de cores básicas. Até tenho um dedal.
Sei coser botões, sei fazer baínhas, mal mas sei, sei fazer ponto de cruz (tenho uma toalha que o comprova). Mais do que isso e é uma vergonha.
Mas há alguma coisa nas lojas de artigos para fazer "coisas" que me compele a criar. Acontece-me o mesmo na Izi e nas lojas do estilo. Imagino necessidades caseiras que não tenho. Começo logo a querer pendurar coisas nas paredes e, às vezes, penso se será muito difícil instalar o meu próprio soalho flutuante ou papel de parede - coisas que não quero instalar mas que acho que se quisesse conseguia fazer.
Acontece-me o mesmo nas lojas de pintura e outras DIY - vejo-me de pincel na mão a orquestrar obras de arte ou de serrote em punho a construir uma mesa para a cozinha.
É preciso uma grande auto-contenção para não comprar nada nestas lojas, porque geralmente não vou fazer nada com o que comprar.
Basicamente, quero contar que ontem consegui ir ao Vidal com a minha mãe (que sabe fazer tudo o que quiser com tecidos, linhas e agulhas e mesmo gregas) e não comprei nada. Nem uma caixinha de fita de cetim às cores. Sou uma miúda do pronto-a-vestir.

05/06/10

À rua

"Tenho de ir a correr lá abaixo. Caiu uma meia"
Ok, leva a miúda, é um programa divertido, ir recuperar roupa que cai da corda.
"Mas ela já está de pijama"
Não faz mal.
"Miúda, anda com o pai, vamos buscar uma meia tua que caiu à rua."
"De qual pé, pai?"

Sou esse tipo de pessoa

Esse tipo de pessoa que:
- adora mudar os móveis todos de um lado para o outro da casa;
- quando vou à Ikea ou à casa imagino as coisas que lá têm postas na minha casa, geralmente em dias de festa;
- por isso, tenho montes de gavetas cheias de velas que me esqueço de usar quando dou festas porque não tenho tempo;
- adora planear festas mas se esquecem de comprar iogurtes para os putos e, por isso, tem de recorrer à padaria umas vezes a mais do que queria;
- acha umas pessoas mais fáceis do que outras;
- não tem grande capacidade para prolongar certas conversas que não percebe;
- por isso, desliga as antenas;
- é super distraída;
- por isso, desde que comecei a escrever isto já perdi 5 ou 6 ideias.
Sou esse tipo de pessoa.

04/06/10

Fim-de-semana boicotado

Previa-se um fds de grande animação, mas um generoso vírus pé-mão-boca acabou de arruinar as minhas melhores perspectivas, que incluiam um almoço de dois aniversários de amigos pequenos, um tanque para estrear, um lanche/jantar/concerto de 30 anos do primo Afonso e dançar até cair para o lado.
Como sempre, com miúdos não vale de muito fazer planos.
"É a altura destes vírus", diz-me a médica meia sofisticada, em jeito de consolo. Como quem diz, "deixe lá que isto agora tinha mesmo de ser" ou então "é melhor ter agora que é a altura deles que daqui a dois fins-de-semana quando já não tinha nada combinado..."