31/05/10

A correr

Saio a correr do trabalho para poder almoçar antes da fisioterapia, almoço a correr para chegar a horas, corro para o carro para não ser tentada pela loja das gomas e chocolates, desvio-me dum carrinho de bebé com um bebé lindo enquanto desço na passadeira rolante, chego à fisioterapia atrasada dez minutos. Relaxo. Duas horas inteiras a relaxar...
Excepto as partes em que a terapeuta descobre que o meu tendão de aquiles está, digamos, numa linguagem simples, esfaralhado. E carrega. Carrega. Carrega um pouco mais. Mordo o braço para fingir que não me está a doer. E a terapeuta continua a carregar e eu, que tenho a mania que sou estóica, penso finalmente, "mas que estupidez, porque é que não hei-de queixar-me?"
Aiiii.
"Desculpa, Joana, mas, ao fazer a entorse, deste cabo do ligamento, do tendão, blá blá blá, que fugiu blá blá blá"
És muito querida, mas os músculos do corpo humano ficaram nas aulas de ciências. Hoje foi a última sessão. Já estou quase boa.

29/05/10

Ah então já sei

"vamos jogar aos animais?"
"sim, eu já sei. Pergunta"
"tem duas patas?"
"sim"
"cheira mal?"
"sim"
"já sei", diz a miúda triunfante. "é um danoninho".

28/05/10

Luxo

Hoje tirámos uma tardezinha para estrear o barco novo. O passeio à bolina foi de Alcântara para Oeiras, com uma tripulação de cinco artistas. O dia esteve a cem por cento e foi muito fixe.
O skipper foi brilhante, especialmente nas manobras complicadas da atracagem e "partida" da doca do espanhol. Apanhou um escaldão.
Aproveitei para ver as novidades espalhadas pela cidade, como o novo edifício da fundação Champallimaud, um colosso que se vê em todo o seu esplendor do rio. Agora percebi o maravilhamento do meu querido cunhado a falar sobre a construção.
Três horas e meia depois, chegámos à marina, a horas para a inauguração do barco e eu fiquei invejosa das bandeirinhas que os marinheiros usam para indicar que estão em festa.
Hora de recolher os miúdos.

Sardinhas

Adoro. Mas dispenso o cheiro das ditas a entrar-me pela casa adentro. Amigos, isto não é a praia, isto não é Sesimbra... ok?

27/05/10

Iuuuuuu

Eu que sou a maior naba do mundo com música - que adoro ouvir e ter à minha volta - mas que não sei gerir a música da minha vida, que não actualizo há anos o iPod que ponho aos berros na cozinha, que nunca sei quem canta o quê, sou fã do youtube para ouvir a música de que gosto. Mas acho que exige um bocado de atenção.
Já desconfiava que devia haver uma coisa assim deste estilo e hoje descobri-a:
YoutubeDJ

Dá para ir pondo as músicas a tocar. Muito fixe.

Finalmente sushi

Há uma semana e meia inteirinhas que me andava a apetecer comer sushi. Mas não estava fácil. Hoje consegui resolver isso ao almoço, no Aya. Bom.

Cinema

Hoje apetecia-me ir ao cinema. Ver um filme cor-de-rosa, claro. Para desanuviar. Mas não sei que filmes rosa estão no cinema. Alguém tem sugestões giras?

O wishfull thinking de ontem funcionou e fui almoçar às pizzas a Santa Apolónia com uma amiga. Um luxo. Pode ser que hoje também funcione.

26/05/10

Keep it simple

Para quê complicar?
Apesar de adorar receitas e cozinhar, muitas vezes chateia-me ter de pensar o que vou fazer para o jantar. Não porque ceda especialmente a "não gosto de..." mas porque, já agora, era fixe termos um jantar em família sem "não gosto de...".
Hoje, além da sopa de espargos que foi tranquilamente goelas abaixo, o jantar foi arroz branco, ovos mexidos e cenoura ralada. Depois a fruta, que vai sempre sem crise nenhuma cá em casa. Maravilha (em 15 minutos).

Agitação abaixo da superfície

Por vezes, mesmo quando tudo parece calmo à superfície, há ligeiras agitações, imperceptíveis, que podem alterar o fluxo das energias, que podem interromper o curso normal das coisas.
Quando era pequenina, o meu pai fazia uma brincadeira que nos punha de sobreaviso em que, ao chegar a casa, dizia qualquer coisa do estilo "já sei o que se passou e estou muito zangado". Como era comum termos feito disparates - mesmo que ao fim do dia não nos lembrassemos exactamente quais -, encolhíamo-nos um bocado e ficávamos meio atrapalhados. Aí o meu pai dizia "estava a brincar" e nós suspirávamos de alívio. Apanhou-me sempre que me fez destas. E nunca gostei dessa sensação, de me sentir a pôr o pé em falso.
Por isso, odeio quando me vão "puxar as orelhas", ou dar um raspanete, especialmente quando não sei porquê.

Que tal um almoço à beira-rio?

E aproveitar o tempo cinza para ir passear um pouco, dar um saltinho ao Chiado ou almoçar à beira-rio? Talvez uma pizza ou uma salada de salmão. Acompanha com limonada.

25/05/10

Só preciso duma linha

Basta-me a primeira linha do texto no i para ver onde é que tenho andado a falhar. "20 minutos de meditação por dia são suficientes para melhorar a sua vida". O texto é sobre aquele que é suposto ser o homem mais feliz do mundo, o braço direito do Dalai Lama. Ele próprio diz que não analisaram todas as pessoas do mundo. A mim ninguém me analisou. Mas é isso.
É isso que eu não ando a fazer.
Isto é mais ou menos recorrente aqui. Não tenho tempo para relaxar. E sinto que estou a sentir-me cansada, mais do que devia. Hoje vou meditar 20 minutos (ih ih ih).

24/05/10

Coisas boas

Ontem estreámos cá em casa uma vela de óleo de palma para fazer massagens comprada na loja de sonho de cremes e coisas do estilo do centro comercial do Campo Pequeno. O sistema é simples, acende-se a vela, o óleo liquefaz-se e dá para usar para massagem. O cheiro que escolhi, erva limão e gengibre, enche o ar e ajuda a dormir (acho eu, que sou muito facilmente sugestionável). Pena é o preço ser um bocadinho acima do óptimo.

Mesmo com o pé torcido

Mesmo com o pé torcido e com pé de gesso dentro das sandálias novas, o fim-de-semana foi especial.
No Sábado, assistimos em Coimbra ao baptizado e primeiro aniversário dum primo pequenito muito bem disposto. Lá fomos todos na sexta-feira, pais, filhos e netos, felizes da vida e ficámos no novo Vila Galé, que tem umas instalações excelentes em cima do Mondego. A vista é um deslumbre e o hotel estava cheio.
O baptizado foi muito giro, na Sé Nova, que está a acabar de ser arranjada, com um padre muito conversador. Depois seguiu-se um almoço e conversa muito agradável com a família. À noite a festa continuou nas docas de Coimbra e acabou tarde.
O Domingo ainda deu para almoço na Mealhada e para um saltinho à praia de Mira, que não conhecíamos. Como ainda tínhamos de trabalhar à noite, não chegámos a Aveiro, para ir ver uns primos, e entrámos em casa ao fim do dia. Lá havemos de ir porque temos curiosidade de conhecer melhor a terra.
Hoje vou outra vez à fisioterapia, mas ainda não me sinto nada melhor. Seca.

21/05/10

E algo para animar o fds?

Que tal um pé torcido ou com outra coisa do estilo? Isso era bom para animar o fim-de-semana, não? E que tal as dores do pé torcido, quase imperceptivelmente, serem de tal maneira que acordo às 3h da manhã super maldispost? Isso é que era bom, não?

Soube hoje que o marido da rapariga que trabalha cá em casa está a trabalhar num restaurante do Jamie Oliver, Inglaterra. Diz que a comida é deliciosa e que o restaurante está sempre cheio. QUE INVEJA!

20/05/10

Estou sem paciência nenhuma

Estou sem paciência nenhuma para fazer o jantar. O maroto do IVA depenou-me a conta bancária. É bom porque quer dizer que tenho trabalho mas é mau porque resta pouco dinheiro para iogurtes e coisas do estilo. Assim tenho de ser mais criativa com o jantar.
Bem dizia ontem a cigana na esquina da Namur "ó menina compre, olhe que mais barato não encontra!"
E eu dizia "olhe menina, que eu tenho de dar comida aos meus filhos, que aquilo a pão e água não vai lá".
Mas acho que ela não acreditou e tentou impingir-me o raio das malas três vezes seguidas e eu já aos berros, de maneira que acho que toda a gente na rua ouviu "não tenho dinheiro, já lhe disse".
E o passeio é estreito, por isso não podia afastar-me muito dela, mas é assim.
Sem dinheiro não há vícios. Este mês é só o essencial. Malvado IVA.

Prazeres simples

Uma das melhores coisas para fazer ao acordar é beber vagarosamente um enorme copo de água e sentir a água fresca a escorrer para todos os recantos que nunca verei do meu corpo, enchendo o peito devagar. Depois respirar fundo... e o dia começa bem.

19/05/10

devagar

O almoço hoje foi vagaroso. Andávamos há algum tempo para experimentar o de Castro Elias, ao pé da Gulbenkian, e calhou ser hoje o dia. A comida estava uma delícia, Pimentos Pádron, com um suave picante, Bacalhau à Braz e Fígados de vitela, super tenrinhos e saborosos.
Mas o serviço foi muito mau. Sabem quando os empregados passam o tempo a discutir uns com os outros? Isso. É o suficiente para quebrar a harmonia do espaço e para perturbar a refeição. Espero que resolvam esse problema rapidamente, porque o restaurante merece empregados como deve ser.
Enquanto isso, bebemos um bom espumante da Quinta do Encontro, dois flutes cada. Apanhei um ligeiro pifito e estou aqui que só me apetece reclinar-me como os romanos e esperar que a soneca passe. Entretanto, tenho de trabalhar, por isso, nada de reclinarium.

18/05/10

Coisas que eu sei sobre ti

O que fazes ao teu cabelo quando estás muito compenetrado a pensar ou a trabalhar. Apareces com o cabelo em pé e eu já sei que estiveste concentrado.

Tu e os submundos

A primeira vez que me lembro de entrar num submundo contigo namorávamos há pouco tempo. Já nem me lembro onde foi, mas sei que manténs essa atração. Lembro-me de falarmos dum café em Algés, enorme, que era um pouco assim, ninguém dava nada por ele por fora, mas por dentro era um mundo. Lembro-me dum jantar na mãe d'água "mas isto é assim por dentro?". Lembro-me de quando fui entrevistar a governanta do Ritz para um artigo e de te fazer inveja com as caves do hotel, inacessíveis para a generalidade das pessoas, onde se passa tudo o que faz um hotel funcionar. Lembro-me da igreja "Our Lord in the attic" em Amsterdão, onde ficámos os dois perplexos com a loucura duma igreja escondida plantada em cima de um prédio - daí o nome "Nosso Senhor no sotão".
Sempre gostaste desses lugares semi-escondidos, que não são imediatamente perceptíveis para os passers-by. Aliás, quando andamos a passear são justamente esses os sítios que procuramos, esquece lá o monumento batido com 500 pessoas à porta, vamos fazer outra coisa qualquer. E hoje fomos almoçar a um desses sítios onde gostas de ir. E parecias um miúdo a espreitar para todos os recantos, a ver se vias mais do que os outros. Gosto de ti quando fazes de miúdo.

17/05/10

Coisas que eu adoro

Adoro fotografias velhinhas de pessoas sorridentes. Fotografias a preto e branco, se estiverem difusas ainda melhor, dão a sensação que o momento foi de facto vivido, restando só uma leve recordação.
Adoro fotografias de crianças contentes, especialmente as da primeira à quarta classe, quando já não éramos bebés mas também ainda não éramos adolescentes com questões metafísicas e filosóficas. Naquela fase excelente da vida em que nada importava a não ser a brincadeira e não tínhamos dores de estômago por termos muito trabalho para fazer e pouco tempo para o fazer.
Adoro as fotografias do tempo em que as estações tinham princípio e fim e os verões duravam quatro meses e em que tínhamos de trocar a roupa de Verão das arcas para o roupeiro, em que usávamos permanentemente sandálias e calções ou vestidos com flores.
Adoro fotografias de mães com os filhos ao colo. Tenho pena de não tirar todos os dias fotografias com os meus filhos ao colo. Tenho pena de eles serem tão grandes já. Mas sei que se estão ao meu colo não consigo tirar-lhes fotografias, por isso há que gozar o momento.
Adoro fotografias. Mesmo aquelas que têm pessoas que não conheço. Só preciso que sejam interpretações da felicidade.

Coisas que eu detesto

Ler páginas e páginas inteiras de informações e de conhecimento e não perceber nada. É que nada mesmo. Zero.
Pior ainda é achar que percebo e afinal... zero.
Dá tanto mais trabalho...

14/05/10

Coisas que eu adoro

Adoro (re)visitar sítios escondidos de Lisboa, sítios onde não vou aí há uns 20 anos (xiiiii) e que continuam a deslumbrar-me. Hoje, à hora do almoço, fomos à Mãe d'Água do Jardim das Amoreiras. Um passeio grátis e meio mágico. E a vista do terraço? Um sonho.

13/05/10

Conversa de café

Sentadas à mesa na cozinha dos meus pais as duas miúdas mais pequenas estão com ar de senhoras na mesa do café. Falam sobre a escola e sobre as aulas de ballet. A mais pequena estica a taça e diz:
"Mamã, quero mais figgets, por favor."
A prima, que é dois anos mais crescida e que brinca muitas vezes a fingir que é a professora, corrige:
"Não é figgets, é fingnets".
Eu abro a embalagem de Fitness a rir que nem uma perdida e deito o pedido nas taças.

Enquanto isso, do outro lado do mundo

Enquanto estudo em trabalho e afincadamente as novidades mais recentes das redes sociais, com cerca de 20 tabs abertos em tantos outros sites onde aprendo o significado de expressões como opengraph, uma das últimas novidades do facebook;
Enquanto leio que, em termos de utilizadores, o facebook já pode ser considerado o terceiro "país" do mundo, tendo já ultrapassado os EUA e estando só atrás da China e da Índia;
Enquanto vejo os milhões que são gastos em desenvolvimento de novas plataformas e em marketing e em sei lá mais o quê;
Recebo duma amiga que é professora e que está em Angola um e-mail com uma série de fotografias de miúdos que têm aulas em escolas comunitárias onde se trabalha em péssimas condições, sentados em tijolos e com tudo improvisado. Quando chove não têm aulas.
É o que se chama um reality check.

12/05/10

E já que falamos de sapatos...

Sempre que, como hoje a seguir ao almoço, passo por uma sapataria com sapatos lindos mas com etiquetas com preços horrorosos não consigo deixar de me congratular com a minha falta de interesse por sapatos.
Quer dizer, gosto de sapatos, até porque a alternativa é bem pior, especialmente em dias de chuva ou em ruas sujas. Mas gosto por esse lado prático que têm de nos proteger os pés da intempérie ou da sujidade.
Também gosto de sapatos - geralmente sandálias - bonitos. Comprei umas sandálias novas em Paris, que foram oferecidas pelos meus pais e que vou estrear daqui a uns dias. E são lindas.
Mas daí até suspirar por sapatos ou achar que pelo efeito vou gostar de usar sapatos com saltos agulha vai um grande bocado.

Falar do quê?

De que falam duas raparigas numa esquina, quando uma está de sandálias e a outra de botas? Do tempo?

11/05/10

Ambiguidade

Não sou assim lá muito católica, isto é, não vou a missas regularmente e há muitos anos que não comungo nem me confesso. Mas uma grande parte de mim é católica, a parte toda da educação de que me orgulho muito porque acho que faz as pessoas melhores, a parte toda da sociedade em que vivo e muitas outras coisas.
Por isso, não resisto a um bom ajuntamento católico, ao espírito de fé e de boa vontade de todas as pessoas, que também me contagia.
Por isso, adorava ir a Fátima em pequena, adoro entrar numa boa igreja, adoro uma boa missa.
Por isso, estou cheia de pena de não ir hoje ao Terreiro do Paço.
Por isso, consegui adiantar um bocadinho uma reunião para descer a rua e ir dizer adeus ao Papa ao Marquês (com o meu filho que hoje se baldou às aulas).

10/05/10

Coisas que me orgulho (estupidamente) de ser capaz de fazer

1. Manter a calma quando à minha volta estão todos em alucinação (este é muito difícil);
2. Abrir a porta da cozinha com os dedos dos pés.

101

O meu avô faz hoje 101 anos.
Os americanos usam muito o "101" como título de artigos na net ou título de livros, visando significar uma lista que compreende "os básicos" ou "o que deve mesmo saber sobre..." ou "os truques que simplificam". Um exemplo disso, "101 on philosophy", que quer dizer, mais ou menos, "tudo o que há para saber sobre filosofia".
Mas, para o meu avô, os 101 não são mais fáceis do que os cem. Parece um passarinho e, na maior parte das vezes, não faz sentido.
Que saudades dos passeios pela rua de mão dada a aprender coisas, aos saltinhos pelos bordos da calçada, das leituras do Pedrito Delsart que o avô traduziu para mim e que me punha a chorar dias inteiros, dos almoços na Sociedade Geographica, dos concertos e ballets, dos lanches a balouçar as pernas no banco da cozinha porque não chegava ao chão e das conversas sobre todos os assuntos do mundo - todos mesmo, com o meu avô filósofo. Que saudades.
Parabéns avô.

Simples

Penduro a roupa a secar e preparo-me para umas arrumações. Não me apetece nada, mas depois de um fim-de-semana à base de casa à mercê da chuva, é imperioso criar um pouco de ordem.
Com a janela da cozinha e as cordas da roupa inundadas de Sol, a ouvir Lloyd Cole & the Commotions, lembro-me de momentos bons. Muitos. E o trabalho todo que tenho para fazer já não pesa tanto.
Sou simples. São as pequenas coisas da vida que me dão paz.

09/05/10

Esta é para ti

Sempre que há uma vitória destas para o Benfica não consigo deixar de sentir um arrepio e pensar que hoje devias ficar muito contente e achar que agora também ias saltar para o Marquês. Eu própria me sinto tentada a ir.

08/05/10

Porquê?

Porque é que havemos de ter cá em casa um higrômetro portátil em formato humano? Basta começar a aparecer uma humidadezinha no ar e o higrômetrozinho começa logo a dar sinal - nariz entupido, tosse ao acordar, blá blá blá...

Promessas leva-as o vento

Quando era pequenina prometi várias vezes a mim mesma que nunca limparia com cuspo a cara suja aos meus filhos, ainda que numa emergência...
Isso.

06/05/10

Dia horrível

Há dias assim, horríveis, como o de hoje. Em que chegamos ao fim do dia e parece que levámos uma sova.
Fomos fazer um exame aos olhos da mais pequena, com direito a anestesia geral e tudo. Foi atroz. Tanto a espera para entrar - não comia há cinco horas e meia - como ter de a deixar sozinha na sala de exames cheia de desconhecidos de batas vestidas, como a espera do fim do exame, como o acordar.
Ela portou-se excepcionalmente bem antes de entrar, quando já estava deitadinha e também quando lhe passou a confusão do acordar.
Quando acordou chorou tanto que foi difícil conter as minhas lágrimas. Quando percebeu que nós estávamos ao lado dela agarrou-se ao meu pescoço e só largou uma hora depois. A pouco e pouco lá foi normalizando. E depois viemos para casa.
O enfermeiro aconselhou que dessemos a comida em pedaços e a água em golinhos. Eu disse-lhe:
Come só aos quadradinhos, está bem?
"Mas mãe, eu ainda não sei fazer quadrados..."
Agora já está tudo tranquilo. Mas levei uma sova.

05/05/10

Que coisa estranha

"mamã, passa-se qualquer coisa estranha com o meu braço."
então filha? O que é? Pergunto, enquanto conduzo o carro da piscina para casa.
"o meu braço não consegue parar de fazer adeus".

04/05/10

Ou talvez não

No cemitério em Abrantes fui visitar o jazigo ou as campas de alguns familiares, os meus avós maternos, tios avós, bisavós, tios bisavós. Há muitos anos que não ía lá, ao cemitério situado no alto de uma colina, com uma vista excepcional sobre o Tejo e sobre a lezíria.
Percebi ontem um bocado espantada que, sem o saber, desenhei para a lápide do meu irmão uma lápide igual ou, pelo menos, muito parecida com a do meu avô, que tinha morrido 20 anos antes.
Quando vou a cemitérios gosto de ver a luz, as inscrições nas pedras, a vista, as árvores...
Não pensem que sou mórbida por falar nestas coisas. A coisa física não me diz nada. O corpo não serve para nada. E sei que a melhor maneira de preservarmos aqueles de quem gostamos vivos é falando sobre eles. Sem complexos. Sem preconceitos.

Manhã manhã

Ao contrário da música manhamanha dos marretas, as minhas manhãs não são a melhor coisa do mundo. É muito complicado/impossível/nem penses ter ajuda e exigi-la geralmente dá em birras. Não as dos miúdos que essas são normais em todas as casas e geralmente passam lá pelos 18 anos. É normal que os miúdos façam resistência a vestir-se e a tomar o pequeno-almoço, depois a lavar a cara e os dentes e depois a sair de casa - especialmente se o que querem é estar a ver os desenhos animados ou só espojados no chão. O que não é normal é que os adultos não percebam que o trabalho de equipa resulta sempre melhor, evitando inclusivamente algumas das birras. Dos miúdos, desta vez.

03/05/10

Assim é difícil

Em Abrantes, assisti hoje a uma bonita homenagem de netos, filhas e mulher a um homem de família que morreu acompanhado de todos. Fez-me muita pena ver a sua tristeza. Gostei de poder acompanhá-los um bocadinho neste momento.